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8/8/2009

streaming 818

Filed under: HAckeandO CATATAU — lucio @ 6:04 pm

7/8/2009

Trânsitos por Salvador, mensagens e framebuffer de tv analógica. ISCL2009

Filed under: HAckeandO CATATAU, ISCL2009, ação urbana, trânsitos — lucio @ 7:22 pm
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E do seu lugar o que você traz?
Encontro com Eduardo, comerciante de rua em Salvador.
Deixou a mensagem “Barraca do Eduardo” na Tv Analógica via programação em um chip atmega 168. (Arduino)
Experimentações urbanas, trânsitos e trocas, Framebuffer de TV analógica, conversas sobre tecnologia e água de coco.
27/julho/2009
ISCL2009.

A Kombi explodiu
Roda de samba no QG do GIA em ocasião do ISCL 2009 em Salvador no dia 30 de julho de 2009.
Composição da música sobre o incêndio da kombi na Praça do Campo Grande.
Mensagens inseridas na TV via programação do Arduino (framebuffer de tv analógica)
A mensagem na tela “A kombi explodiu” foi dita por Tininha.

3/7/2009

Objetos Desejosos: Uma entrevista com o Antropólogo Lawrence Jakimo Pokot

Filed under: antropologia, e/ou, entrevistas — lucio @ 1:03 am

Por Marcelo Coutinho

Dedico esta entrevista ao raciocínio nômade
e sempre generoso de Clylton Galamba.

Em publicação anterior, meu texto a respeito de Lawrence Jakimo Pokot foi amplamente mutilado e o pouco que sobreviveu dele ainda sofreu sérios erros de editoração[1]. Naquela ocasião, apresentei-o como sendo um “místico” que muito havia influenciado a construção de minha obra. Aplicar a ele tal definição, porém, não tratou-se de qualquer erro editorial: foi de minha inteira responsabilidade.

Não conhecia o suficiente as atividades deste homem, e tentava vê-lo, compreendê-lo sob a curta ótica e o parco instrumental que naturalmente nos caracteriza, nós, cristãos, ocidentais. Para culturas tão estranhas à nossa, tão mais antigas e tradicionais como aquelas que hoje compõem o Quênia, o termo “místico”, tal qual o entendemos, precisaria englobar outras áreas do saber, como a medicina, a química, a psicologia e a filosofia. Levando em conta que este, digamos, sábio, é consultado para aprovar ou vetar o traçado urbano, indicar a cor das portas e a melhor combinação de vizinhos na aldeia, somos levados a pensar que este homem poderia também ser considerado urbanista, arquiteto e assistente social, ao mesmo tempo.

Quando encontrei L.J. Pokot aqui, no Recife, durante o carnaval de 1998, hospedado no Hotel Central, foi este termo, “místico”, indevidamente aplicado à ele, que deu início a nossas conversas. Eu passava por um dos períodos mais difíceis de minha vida. Os ruídos vindos da rua em orgia só tornavam minhas dores mais desproporcionais. Eram dores do espírito, aparentemente imateriais, mas que por vários momentos manifestavam-se nas juntas de meu corpo e em vertigens inauditas.

Foi quando recebi na casa de meu amigo, o crítico literário Anco Márcio Tenório Vieira, o telefonema de um outro velho amigo, o físico Vinícius do Vale Navarro, paraibano de João Pessoa, hoje professor de astrofísica na Universidade de Cambridge: Pokot chegara ao Recife duas semanas antes do início do carnaval.

Nas condições em que me encontrava, mergulhado em uma estranha e macabra euforia, sinal típico de uma vindoura depressão, não seria de espantar que a imagem de Pokot tivesse sido tão recorrente em mim, mesmo que não soubesse deste seu novo arroubo em visitar o Brasil. Afinal, era este homem que tratava em suas palestras da necessidade de voltarmos a ver na dor e na adversidade não o fim, mas a oportunidade de verificar a passagem. Porém, o fato é que quando soube da presença física, real, de L.J. Pokot na cidade, atribuí a isso uma aura mágica. Um doce ditame do acaso. “Deus não joga dados”, pensei.

Pokot já havia estado no Brasil por várias vezes. Por mais que houvesse conhecido figuras ilustres da intelectualidade brasileira e internacional, manteve-se a parte de um conhecimento público mais vasto. Ainda jovem, acompanhou Claude Lévi-Strauss em terras Nambiquaras, como colaborador de língua inglesa à expedição[2].Desta experiência, surgiu sua primeira publicação: Entre os Olhos – O que não foi visto por uma expedição européia entre os Nambiquara da América do Sul[3], datada de 1942,vinda a público antes da publicação de Tristes Trópicos, obra do ilustre antropólogo francês. Nos anos cinqüenta, participou, ao lado dos irmãos Villas-Boas, de outra expedição, esta no Pará, para estudar os Ravé-Potí. Seu interesse era verificar os laços entre os ritos e imagens de passagem dos Ravé-Potí e sua tribo natal, no Quênia. Publicou em 1964 o ensaio O Oriente de Lá – Estudo Comparativo do Devir entre os Ravé-Potí e os Kummah[4].Esta tornou-se sua última publicação e o último registro de seu pensamento naquilo que ele hoje chama de “dialeto acadêmico” ou de “pornografia intelectual”, referindo-se ao gosto universitário em “transmutar todo pensamento, livre e fluxo por natureza, em papel e pedra”. Após a publicação de “O Oriente de Lá”, sentiu-se profundamente cansado em tentar conciliar a natureza “pequena e tribal” de seu raciocínio, gerado no Quênia, com a grandiloqüência da ciência ocidental que havia lhe chegado através dos filtros ingleses de Cambridge.

De volta à África, abandonou seu emprego de professor na Universidade de Nairobi e montou bases em sua terra natal de onde sai periodicamente para divulgar suas idéias na forma de palestras ou de conversas individuais demoradas com “aqueles que detecto como micro-partículas de algumas modificações lentas do que virá”.

Foram ao todo, entre nós, quatro encontros. Sempre na varanda do pequeno restaurante do Hotel Central, na Boa Vista. Eu chegava em torno das três da tarde, como havíamos marcado antecipadamente. Sentado sempre na mesma poltrona de aparência muito confortável, mais assemelhada a um útero, de tão profundo era o seu acomodar, estava Lawrence Jakimo Pokot, fumando lentamente seu já terceiro maço de cigarros com filtro. Afundado nesta poltrona, seu corpo negro e franzino, já enrugado, alternava gestos ágeis e nervosos, com uma calma e silêncio tumulares. Em duas de nossas conversas, instalou-se um silêncio profundo. Silêncio este tão persistente que não o suportando, por duas vezes levantei de minha cadeira e parti. Quando cheguei a calçada do hotel, ouvi sua voz vinda da varanda: “Não foram vocês que criaram o tempo lógico? Por que tanto espanto? Estarei aqui amanhã, na mesma hora”.

Nestes encontros, Pokot falou-me de sua afeição especial por esta região específica do Brasil, o Nordeste, e de seu deleite pelo carnaval negro do Recife. Contou-me ainda de como tomou conhecimento da obra do filósofo Evaldo Coutinho, através de A Visão Existenciadora, que lhe chegara as mãos numa edição pirata impressa na Argélia. Além de ouvir os tambores que rufavam no bairro de São José, Pokot tinha como intenção encontrar-se com este homem que, para ele, tinha construído um dos mais belos sistemas de “para-filosofia” e “para-literatura” da língua portuguesa.

Em seu pensamento, parcialmente expresso aqui, reparam-se traços do que seria para nós uma análise antropológica. Porém, naquilo que a antropologia possui em comum com a filosofia: a busca por uma análise básica do Homem. Cá e acolá etnográfico, Pokot impõe sua noção peculiar de espaço e tempo nos ritos de passagem, francamente baseada na experiência específica de seu povo de origem, os Kummah. Se Van Gennep vê nos ritos de passagem a função de mudança de status social do indivíduo[5]; se a psicóloga Monique Augras, inspirada no próprio Gennep, sugere que na passagem “vai-se de um ponto para outro”, que “é uma imagem altamente espacial”[6], Pokot irá sugerir uma outra visão: “a passagem não é objetual, não é verificável através dos olhos”[7]. Utilizando-se do caso Kummah, nos diz que a passagem desdobraría-se indefinidamente durante todo o correr da vida, entre dois pontos: nascimento e morte.

Já no primeiro de nossos encontros expus-lhe meu projeto, já em andamento, de nomear com palavras criadas por mim, sensações íntimas, complexas que, exatamente por serem absolutamente pessoais, carecem de uma denominação e, por conseqüência, de uma dicionarização. Trata-se de um trabalho lento, disse-lhe. Em um ano de trabalho havia escrito não mais que três verbetes. Falei-lhe da palavra que exporia em breve, em forma de vídeo-instalação, naquela que seria a minha primeira exposição individual. Foi ele que alertou-me do caráter votivo e do desejo de passagem que estavam evidentes em Aveclo.

O que levo a público agora é apenas o conteúdo de nossa primeira tarde juntos. Tendo este encontro versado sobre passagem, sobre o desejo latente que habita objetos e palavras e, por conseqüência, sobre arte, achei conveniente separá-lo dos outros assuntos abordados por ele e por mim em nossos encontros.

Foi ele que deu início a esta nossa primeira conversa, com seu português só não perfeito por ser levemente contaminado por um estranho sotaque, mistura de inglês britânico e tacuch, sua língua natal.

Pokot: Estou contente que esteja aqui, que tenha me tornado uma referência constitutiva para você. Mas, porquê quis ligar meu nome ao termo “místico”, quando citou-me naquela publicação? Publicação, diga-se de passagem, difícil de dignificar a presença do nome de qualquer indivíduo…

Marcelo: Ingenuidade minha. Desculpe-me. Não encontrei o termo exato para defini-lo. O senhor bem sabe que entre nós, para nos sentir compreendendo, precisamos isolar os fatos e nomeá-los.

Pokot: Sei, meu amigo. Vocês batizam as coisas se utilizando de nomes velhos, pré-existentes. Nomes firmes perante o texto histórico que vocês aceitam como legitimador. Mas, chamar-me de místico seria reduzir-me a uma nomenclatura que vocês próprios desrespeitam. Trata-se de uma palavra que um dia referiu-se a algo existente. Porém, dela pouco ou nada sobreviveu. Vocês preferiram optar – se é que é dada ao homem qualquer opção – por uma espécie de realismo, que de tão real, tornou-se fantástico. Creio que daí, deste realismo estriônico, podem surgir outros fluxos, ainda inauditos.

Marcelo: O que o senhor quer dizer com “outros fluxos”?

Pokot: Tudo se comporta como sopros que oferecem aos nossos olhos a possibilidade de ver, simultaneamente, a parte de dentro da pele de um leopardo e a parte de fora desta mesma pele felina. Elas não se apresentam como duas superfícies diversas. São uma. O aprimoramento desta vontade de capturar a realidade acabou por levar seu povo para um lugar exatamente oposto a concretude dos fatos e das coisas. E, consequentemente, acabamos por nos encontrar num ponto deveras comum, nós representantes das chamadas “sociedades primitivas” e vocês, mantenedores desta dita “sociedade complexa”: a presença onipresente da imagem. A imagem, como você bem sabe, é o idílio da coisa real. Apoiados na imagem, levados pelas mãos, por seus caminhos, podemos chegar muito longe. Para além daqui. Assim, podemos antever o que virá, caso sejamos sensíveis a tais sopros.

Marcelo: O senhor parece estar sugerindo que é possível antever o futuro…

Pokot: O que é o futuro?

Marcelo: Bem, aquilo que ocorrerá daqui há, digamos, vinte e quatro horas.

Pokot: E quando não se usa relógio?

Marcelo: Ora… pode-se usar o sol, a lua ou a alternância das estações do ano.

Pokot: Vocês pensam no tempo como algo que corre e escorre por nossos corpos, meu bom amigo… Vêem a ilusão do tempo quando os cabelos rareiam, as peles enrugam, os descendentes crescem, morrem, quando algo ou alguém se afasta de vocês. Nestas tipologias de visão, vocês se imaginam como algo pertencente a um lugar anterior ou posterior ao atual. Mas, para nós Kummah, como disse, isto não existe: trata-se de uma ilusão. E, vale a pena dizer: uma ilusão infernal, verdadeiramente o haliob. Em nossa estrutura pessoal e, por extensão cultural, não nos verificamos como uma mesma pessoa durante muito tempo. Podemos ser batizados e ganhar um nome diferente quantas vezes for necessário, neste período que vai do jahamkat ao kathamjah[8].

Marcelo: A mudança de nome representa a finalização de uma passagem…

Pokot: Sim… De forma geral podemos pensar em passagem como um movimento, um movimento filiado ao tempo e nada devedor do espaço. Um movimento que leva alguém de um estado temporal a outro. Mas o tempo, como já lhe disse, é uma noção condicionada. Ele não é objetual. Por mais que reparemos nele impresso nas coisas, o que vemos não é o tempo em si, imaterial por essência, mas os rastros de sua ação que já efetuou-se. Assim, ele possuirá as mais variadas conformações. Van Gennep tenta descrever para vocês como a noção de tempo se comporta nos ritos de passagem de alguns lugares da África Ocidental. São ritos de geração e morte. Que duram um período de tempo freqüentemente longo. E que ao fim deles é assegurada a mudança necessária. Mas entre nós, Kummah, a passagem se efetua como sentido desdobrado e perene, não como sentido fixo e temporalmente localizado. Por assim dizer, estamos vivendo um longo e ininterrupto processo de passagem… A nossa heteronomia ostensiva nos garante a manutenção da situação de mobilidade da passagem. O nome é prescrito por uma autoridade específica, que diagnostica a necessidade do indivíduo livrar-se de um objeto do passado. Prender-se a uma das feições desta ilusão, pode oferecer o haliob ao pobre sofredor.

Marcelo: Eu poderia traduzir haliob como “inferno”?

Pokot: Creio que não.

Marcelo: O senhor poderia me descrever o conceito desta palavra?

Pokot: Nada de conceitos, meu jovem, nada de conceitos… Você experimentou parte desta visão. Quando se detém a imagem, não necessita-se de conceitos.

Marcelo: Eu experimentei ? Como assim?

Pokot: [ Silêncio]

Marcelo: Quantos nomes uma pessoa pode assumir durante a vida?

Pokot: Quantos se fizerem necessários. Vou lhe relatar um caso desta nossa estrutura de heteronomia ostensiva. Existiu um velho homem entre nós que manteve-se inviolável por boa parte de sua vida. Durante uma noite de inverno teve um sonho pavoroso onde um mensageiro vindo do Katham-huruk[9] lhe avisava dos malefícios de manter-se casto durante muito tempo. Seu pênis iria penetrar-lhe as vísceras e fundir-se numa única estrutura de carne que lhe cobriria inclusive o ânus e nenhuma substância ou produto poderia ser expelido de seu corpo. Enxergou-se como um balão inflado até o limite de estourar e, finalmente, viu-se estourando e de si jorrando grandes quantidades de esperma, fezes, urina e sangue. Acordou naturalmente apavorado com a mensagem de alerta que lhe viera dos céus e resolveu consultar-me.

Marcelo: E como o senhor agiu?

Pokot: Ora, não sou homem diante do qual um sonho passa despercebido… Prescrevi-lhe um novo nome. Nome este, aliás que, reconheço, já deveria ter-lhe prescrito a muito mais tempo. Eu ainda era um novato na função. O fato é que estruturado pela liberação do nome anterior, que funcionava como um terrível objeto que o ancorava naquilo que vocês chamam de “passado”, o homem floresceu e novamente entrou no fluxo. Passou a experimentar todas as formas possíveis de liberação de seu sêmen. Para aquele homem, nenhuma diferença existia entre uma palmeira, um ser humano e um hou-hou[10].E cada uma destas experiências certamente o modificaria. Iriam torná-lo, de alguma forma, outro, deixando-o com muita rapidez, dono de periódicas novas estruturações e, consequentemente, detentor de novos nomes. Entrou em kathamjah já muito velho, tendo passado por cerca de cinco mil nomes, com o crânio rachado por um gorila.

Marcelo: Caso eu tenha entendido bem, o senhor está dizendo que vocês Kummah não possuem qualquer marcação cronológica?

Pokot: O tempo para vocês é externo. Ele lhes é ditado a sua revelia, montado sobre esta estranha estrutura que vocês chamam de trabalho e produto. Para nós, o tempo não é linha: é ponto. Não existe a conjugação pretérita do verbo ser, tampouco a futura. Quando nos referimos a idéia de Ser como indivíduo, apenas seria possível aplicarmos a forma de gerúndio. Trata-se de uma estrutura interna, baseada nesta bela palavra de sentido perene: sendo.

Marcelo: Mas o senhor referiu-se a esta figura de autoridade que prescreve os novos nomes para os indivíduos. Esta figura não funcionaria como um marcador de tempo externo, tal qual um relógio?

Pokot: Não. Não quando já se visitou o Haliob. Esta figura de autoridade, o puckotoch, está aqui e acolá. Nesta peculiar situação, vemos tudo. Vê esta marca em minha nuca? [ Pokot vira-se e apresenta uma profunda incisão de forma oval que mesmo os cabelos crespos não conseguiam esconder]

Marcelo: É uma marca muito profunda. O que isto significa?

Pokot: Esta forma amendoada tenta reproduzir a forma de um olho. Esta incisão foi feita com o pucko, instrumento ritual de ferro que penetra e calcina a pele até a estrutura óssea do crânio. Eu ainda era jovem quando foi passada para mim a função de manter fluida e assegurada a nossa heteronomia ostensiva. Foi esta marca que me dotou de um nome fixo, este que ainda hoje carrego e que representa a posição de puckotoch.

Marcelo: Puckotoch seria o homem que, tendo experimentado a visão do Haliob, foi alçado socialmente a esta posição de guardião da mobilidade nominal, estou certo?

Pokot: Quase isto, quase isto. Nasce-se predestinado a tal visão. Esta marca em minha nuca representa a integração das três formas de tempo conjugadas em mim e gravadas em meu corpo. De uma forma ou de outra todo homem possui, por natureza, a inscrição destas três formas na própria configuração de seus corpos. Pense em seu corpo caminhando por uma vereda… Existe o andar dos pés que experimenta as texturas da areia, as variadas temperaturas que o solo nos oferece, o conforto de pisar a terra fria, que estava à sombra de uma árvore. O corpo instala-se no presente absoluto. Nele, sentimos dores, prazeres, confortos e desconfortos, frios e calores que são manifestações sólidas da mais absoluta presentificação das coisas. Através destas sensações nos é revelado o teor do instante. Já a presença dos olhos, que vara vereda à dentro, nos retira do instante e nos oferece as possibilidades de configuração daquilo que virá: as curvas, a escuridão, o sol que se põe frente aos nossos olhos e nos ofusca, um possível lago a atravessar. Os olhos, sempre mirando para frente, nos oferece o símbolo do futuro, muito longe do agora. Mas ainda temos as costas. E, em especial, a nuca: esta nossa parte tão vulnerável. Este é nosso ponto cego. É o que deixamos para trás. É aquilo que nos permitiu chegar e estar experimentando o instante desta nossa caminhada pela vereda, mas que não mais avistamos. O passado e a configuração frágil e cega da nuca poderiam funcionar como uma boa imagem do Haliob.

Marcelo: O olho gravado na nuca teria o significado de enxergar todo o trajeto da vereda que ficou para trás, ou seja, ver o passado…

Pokot: É estar instalado todo o tempo, simultaneamente, nos três lugares. Por isso, à mim e a nós puckotoch é vetada a heteronomia. Foi-me reservada esta posição. Não posso experimentar a graça reservada aos comuns. Próximo da morte, quando transferir a chaga para a nuca de meu filho, poderei por fim ganhar outro nome e entrar em kathamjah.

Marcelo: Trata-se de um cargo passado de pai para filho, pelo que o senhor disse. Sempre é escolhido o primogênito para tal responsabilidade?

Pokot: Não. Tudo depende da cor dos ventos que envolveram o momento do nascimento da criança. Só aqueles que nasceram soprados por ventos róseos claros poderão assumir o posto.

Marcelo: O senhor quer dizer que os ventos possuem cores? Trata-se de uma simbologia ou…

Pokot: … ou concretude? Veja, meu jovem, é impossível medir ou estabelecer fronteiras firmes entre as duas coisas. Lembre-se de Cassirer, por exemplo, que já há tanto tempo esforçou-se para convencer vocês das incertezas na diferenciação entre estas duas coisas. Mas, o que interessa é que hoje, poucos são capazes de ver este fenômeno das cores do ar. Porém, mesmo entre vocês do mundo ocidental existem aqueles que perseveraram nesta percepção e tentaram defendê-la. Lembra do irlandês De Selby?

Marcelo: Nunca o li diretamente. Sempre através de Le Fournier ou de Hatchjaw & Basset.

Pokot: Em um livro seu intitulado “Álbum de Campo”, De Selby fala da presença de um “ar negro” que envolvia a Europa pouco antes da primeira grande guerra. A princípio, pensou que fosse o acúmulo de poluição das nascentes fábricas e indústrias. Mas logo se deu conta de que só ele vislumbrava tal coloração peculiar. Cor sempre premonitória de alguns eventos que estão por ocorrer a nível do corpo social. Seguindo este raciocínio que, como você vê, também foi percebido por um pensador ocidental, nós observamos a predominância da cor dos ventos que envolvem o recém nascido. Caso sejam róseos, ele terá uma vida longa e a fortaleza necessárias para ocupar o posto de puckotoch. A propósito, o próprio De Selby, em “Horas Douradas”, comenta a variação das cores de nascimento e também aponta para o róseo como a cor da longevidade.

Marcelo: Desviando um pouco o assunto, se o senhor me permitir, gostaria de falar de seus vínculos com nossa cultura. O senhor foi professor na Universidade de Nairobi, possuiu fortes vínculos com a antropologia e especificamente com a etnografia. Estudou em Cambridge, fala diversas línguas e ainda faz questão de viajar freqüentemente pelo mundo…

Pokot: [ Interrompendo]…já foi mais freqüente. Hoje prefiro estar entre os meus…

Marcelo: Mas, de qualquer forma, ainda faz este movimento, de estar lá e cá, não é? Como é possível coligar uma educação formal inglesa com o fato tão fundamental de o senhor ser um puckotoch?

Pokot: Este é um traço do caráter Kummah. Aos olhos estrangeiros, conciliamos, fundimos. Você deve saber o quanto somos diferentes de nossos vizinhos, os Nuer, descritos pelo meu colega Pritchard. Ao contrário deles, sempre violentos e ariscos com seus visitantes, nós somos receptivos. Não é difícil, para aqueles que possuem olhos argutos, desconfiar de gentileza e receptividade em excesso. Elas contém em si uma voz oposta. A nossa defesa, no que diz respeito a nossas relações com a alteridade, é baseada na mentira. É possível que sejamos o povo mais mentiroso, lúbrico e dissimulado da África Central.

Marcelo: Como aconteceu? Me fale destes primeiros contatos com o ocidente…

Pokot: Nos apresentamos, a princípio, como um povo mudo. Provavelmente seríamos o primeiro povo geneticamente mudo da face da terra. Éramos, portanto, duplamente interessantes para nossos colonizadores. Assim, sendo uma cultura “só ouvidos”, a palavra de Jesus nos emprenharia com mais voluptuosidade. Durante o primeiro ano de presença dos missionários, nada falávamos. Só ouvíamos. Apenas balançávamos nossas cabeças em sinal negativo, acompanhado de um som gutural assemelhado a um “humrrum”. O gesto era dúbio, não restava dúvida. Mas a ânsia por uma imensa platéia, finalmente só ouvidos para a “palavra”, fez os missionários darem mais atenção ao “humrrum” do que ao negativo pendular de nossas cabeças. Eles se apaixonaram por nossa aparente docilidade. Porém, não estavam satisfeitos com o negativo pendular. Com muito trabalho, tentaram modificar o movimento da esquerda para a direita, indicativo de “não”, e substituí-lo por um mais adequado, que desloca a cabeça de cima para baixo, reforçando o “humrrum”. Quando finalmente o movimento de nossas cabeças aprumou-se, eles choraram de emoção. Mas tal foi a surpresa da missão quando verificou que o som gutural havia se transformado também. Enquanto nossas cabeças balançavam afirmando, das gargantas saía um outro muxoxo, um tanto quanto desalentador, um ruído lingual assemelhado a “tss, tss, tss”.

Marcelo: Povo ardiloso os Kummah…

Pokot: Trata-se de uma bela tradição. Eles ficaram muito impressionados quando já no segundo ano de mudez, falamos em conjunto a palavra yêh-zhúch. Eles imaginavam que haviam nos curado de nossa mudez orgânica, através da ação da fé e da aceitação de Jesus em nossos corações. O parentesco fonético entre yêh-zchúch e Je-sus, tornou-se um emblema da conversão para eles. O que eles demoraram a descobrir foi que em dialeto tacuch, esta palavra assemelhada ao nome de seu salvador, tinha o significado de “impotência sexual”, ou “homem que não cumpre com seus deveres de marido”.

Marcelo: A estrutura mentirosa de defesa cultural dos Kummah ajudou o senhor em sua carreira universitária em Cambridge?

Pokot: O fato é que a dissimulação e a mentira como traço de defesa cultural nos foi, e ainda é, elemento de grande utilidade. Através dela, passamos a dialogar mais altivamente com quem quer que fosse. Em Cambridge, fui considerado um dos mais próximos seguidores do método de campo do professor Malinowsky. Ele próprio, já um tanto esquecido, imputava a mim o título de herdeiro. Minhas qualidades Kummah qualidades de enorme plasticidade diante da alteridade, me credenciavam a experimentar o método de campo de Malinowsky com mais profundidade. Chamei meu método de “imersão aguda” e freqüentemente o apelidei de “método de compaixão etnográfica”, para me fazer mais claro aos ouvidos ocidentais. Mas, voltando a sua questão primeira, foi a plasticidade Kummah que agiu sobre mim e me dotou da possibilidade de trafegar entre povos os mais díspares. Somos uma cultura plástica, maleável, receptiva, mas a dissimulação e a mentira nos manteve a integridade. Trata-se de pensar a mentira não como traço de mal caratismo, como um lado assombreado da alma humana. Trata-se de reparar que os homens preferem ouvir “sins” do que “nãos”. Pode-se facilmente fazer alguém crer que estamos inteiramente convencidos, ou ainda, convertidos, de seus argumentos repetindo, durante uma conversa, periódicos “humrrum”, “certamente”, “claro, claro”. Este artifício enche de vaidade aquele que compulsivamente fala e que tenta convencer o mundo de suas magníficas percepções. O lado mal, a deformidade de caráter, sempre será do falador compulsivo, daquele que tenta engendrar a vastidão do mundo em sua teia particular de leituras. Me utilizei da vaidade alheia, do falador compulsivo, através de meus ouvidos bastante generosos. Em tacuch existe um termo que em muito pode elucidar as relações que travamos com outras tradições culturais. Este termo se aplica às crianças. Chamamos aquelas que desobedecem em silêncio seus pais de tantuo-hou[11]. O meu método de compaixão etnográfica, surpreendeu meu velho professor, que me imaginava um de seus últimos e derradeiros cúmplices absolutos. Ele me aconselhava algo, eu dizia sim, mas continuava trilhando meu próprio caminho.

Marcelo: O fato de descrever os Kummah como o povo mais mentiroso da África Central e sendo o senhor um Kummah, nós poderíamos desconfiar de todas as suas palavras nesta entrevista. Isto não o incomoda?

Pokot: [risos] É temerário, devo admitir. Mas cabe a vocês me julgar, não a mim. Entre

A mentira e a loucura existe uma delicada fronteira. Nós não acreditamos em nossas mentiras e isto nos faz apenas cínicos e gaiatos aos olhos alheios, mas nunca aos nossos próprios olhos. Vocês, ao contrário, acreditam em suas próprias mentiras, se desestruturam quando finalmente elas não podem ir à frente e isso faz de vocês um povo esquizofrênico. Esquizofrênico aos olhos de outros povos e até mesmo aos seus próprios olhos.

Marcelo: Diz um amigo meu, ex-seminarista Hilton Lacerda: “que a platéia acredite na mágica que se efetua no palco, nenhum problema. Porém, o mágico que acredita em sua própria mágica…”

Pokot: … existe uma grande diferença. Exatamente. Seu amigo está correto. Além do mais, a dissimulação entre nós é um elemento de defesa cultural.

Marcelo: Mudemos de assunto, senhor Pokot. Em uma de suas palestras, publicadas nos Anais de Psicologia Social da Universidade de Salamanca, tive a oportunidade de tomar contato com suas idéias sobre “objetos desejosos”. Caso eu não esteja enganado, o senhor iniciava falando de objetos simples que seriam presentificações do desejo de vir a ser e, posteriormente, falava de grandes edificações sociais que possuiriam o mesmo princípio desejoso. O senhor poderia expor mais uma vez estas idéias?

Pokot: Sim, claro, com muito prazer. Mas lembre-se que em Salamanca eu tive dois dias para expô-las.

Marcelo: Tenho todo o tempo necessário para o senhor…

Pokot: Obrigado, obrigado. Sua juventude é benevolente, como toda juventude. Sempre pensam que tem todo o tempo mundo… Mas, vamos adiante, não é ?

As palavras são a presentificação da ausência, estou certo? Quando eu falo: “ontem eu fui trabalhar”, estou evocando uma situação que já não existe. Estou presentificando uma ausência. Quando digo “gostaria de amar novamente” também estou presentificando o vazio físico de uma dada situação, que não está mais aqui, que apenas poderá vir a estar um dia. Existe uma marca fundamental na linguagem que é a eterna e constante construção e reconstrução daquilo que um dia existiu, e daquilo que um dia existirá. A linguagem se constrói aqui e agora, quando se fala, quando se escreve. Porém aquilo que a move, que a faz efetuar-se, não está aqui nem agora. Está antes ou depois do instante. A linguagem é instrumento desejoso, por tanto. É desejo de presentificação daquilo que, por natureza, é impossível de presentificar. Linguagem é evocação. Evocação e reconstrução. O elemento desejoso da linguagem pode ser verificado quando, periodicamente, olhamos um fato passado de nossas vidas e construímos um discurso qualquer, para nós mesmos, que justifique uma condição presente. Logo mais adiante, nossa vida muda novamente. Então olhamos para o mesmo fato passado e, estranhamente, enxergamos nele outra coisa e recontamos para nós mesmos uma outra história que dote de sentido a condição atual. Por ser desejosa, a condição natural da linguagem e do discurso é de reconstrução e construção. E de clara evocação daquilo que não existe.

Marcelo: Ludwig Wittgenstein se refere a linguagem como instrumento que tenta expressar aquilo que não é passível de ser expresso. Porém, é exatamente aquilo que não possui possibilidade de ser expresso é o que move, que movimenta a linguagem…

Pokot: Sim, sim. Gosto da idéia de Wittgenstein sobre o que movimenta a linguagem. Este lugar estranho e inacessível à comunicação. Esta fenda escura, aberta sob nossos pés, que funda todas as narrativas míticas da “origem” e do “sentido”…o “sentido das coisas”… o que dá sentido a uma proposição é algo imaterial, que não está na objetividade das palavras, dos fatos e dos objetos. Os fatos representados, os signos, são em si mortos, desprovidos de sentido. O sentido do signo não está no signo, está na imaterialidade da mente. De fato, o que move o dizer da linguagem é sua impossibilidade de tudo dizer.

Marcelo: E quanto aos “objetos desejosos”?

Pokot: O que vale para o discurso da palavra, vale para aquele dos objetos. Portanto, nos objetos está contido o desejo de ser. Eles são indicadores da ausência, assim como as palavras. Vê-se isso muito claramente quando pensamos na lógica dos “objetos votivos”, que vocês ocidentais abandonaram quando foram obrigados a escolher a lógica da arte como linguagem autônoma. Mas o que rege o objeto votivo é o mesmo núcleo que rege a obra de arte. E, provavelmente, vocês tenham esquecido disso. Vi aqui, na região Nordeste do Brasil, desde que estive aqui pela primeira vez antes de me juntar a equipe de Lévi-Strauss no mato Grosso, uma forte presença do objeto votivo. São os chamados “ex-votos”, não é?

Quando um homem esculpe em madeira seu tumor na cabeça, ele retira de si o tumor. Ele efetua seu desejo de livrar-se da doença, construindo-a em madeira, ou cera. O objeto não possui nenhuma autonomia lingüística. Ele não é “belo”, não é “feio”. Ele não é equilibrado plasticamente, e isto não é levado em conta como elemento essencial. Ele é desejo. Desejo latente. O objeto, no caso o ex-voto, que é um remanescente do objeto votivo e das estruturas pagãs de religião, é um receptáculo da ligação direta entre o crente e a divindade. Em si, ele nada é. Ele apenas é, para o crente e para a divindade a qual ele travou contato. O ex-voto é um exemplo claro da idéia de um objeto desejoso.

Marcelo: E o que vale para o ex-voto valeria para todo e qualquer objeto?

Pokot: De forma mais ou menos contundente, sim. Porém, para vocês ocidentais isto seria uma idéia difícil de defender e argumentar. Salamanca já aconteceu há muito tempo…

Quando penso no volume de tempo e dinheiro que o ocidente gasta preocupado com comunicação entre indivíduos, quando vejo a pulverização do corpo geral da sociedade em grupos e subgrupos étnicos, econômicos, religiosos, sexuais, sou levado a crer que a Internet e a informática são objetos desejosos. Eles são indicadores da ausência. E a ausência é a matéria construtora deste sentimento motriz, o desejo. Quando não há ausência, não há desejo.

Marcelo: Lembro-me do senhor se referir a arte ocidental como “um mal necessário”, que poderia alertar para a lógica dos objetos desejosos. O senhor poderia se estender um pouco a este respeito?

Pokot: É um mal necessário. Não gosto do que vocês chamam de arte. De nenhum tipo de arte. O que fazemos em minha aldeia é reverenciar a presença do mundo, não a ausência dele. E o que vocês fazem é um cultivo mórbido da ausência. Vocês perderam o elo com a transcendência e se lastimam disso, construindo uma estética. Estética é a tentativa de construção de um sucedâneo para o sentimento de orfandade que a modernidade lhes impôs. Quem crê não precisa de arte. Vocês estão a deriva. E, se saio do conforto de minha cultura secularmente imóvel, satisfeita, para me encontrar com vocês é por compaixão. É preciso reconstruir esta ponte. E penso que posso ajudar. Mas, quando entro neste lugar que para vocês possui o valor de um templo, o museu, e vejo esta multidão de almas desesperadas jogando grandes quantidades de tinta sobre tecidos e papeis; quando vejo um homem jogar-se no chão e, pateticamente, esfregar a mão em placas de metal em busca de concentração de energia, fico melancólico e penso que ainda levará muito tempo para vocês chegarem a alguma conclusão objetiva sobre o problema do “religare”.

Marcelo: O senhor referia-se ao artista alemão, Joseph Beuys?

Pokot: Sim. Tive a oportunidade de vê-lo efetuando uma solitária manifestação de fé na transcendência, com uma ação física. Ele agia como um pajé. Creio que batizou seu trabalho com um nome em latim, “Vitex Agnus Castus”, se não estou enganado. Mas para que um pajé se justifique, ele precisa de crentes. Por isso este artista agia para platéias, através de aulas, palestras, ou atividades grupais. Mas, confesso, era melancólico ver aquele homenzarrão, prostrado no chão, esfregando a mão besuntada de óleo em barras de ferro, tentando convencer a audiência da necessidade de transcender.

Marcelo: A arte como “mal necessário” possui, portanto, para o senhor, o sentido de que nela, na arte, existiria o princípio do objeto desejoso…

Pokot: A ação desesperada destes homens de tanta boa vontade indica uma ausência. Uma ausência fundante para seu povo. Quando a função imaginativa cedeu lugar para a função racional, a cultura cristã começou a adoecer. É possível que todo o desenvolvimento da função racional, e da crença absoluta na verdade da matéria, já estivesse contida no nascedouro da ética cristã em seus primórdios. Poucos povos possuíram um deus que efetivamente viveu, que se fez carne, e que deixou rastros concretos de sua vida terrena. Se Deus fez-se homem, naturalmente o passo seguinte seria: Deus não está no além, está entre nós, é o próprio homem, feito de carne e osso. Quando Deus é idéia, imagem inefável, pura transcendência, é provável que a materialidade das coisas continue sendo um dado insignificante da existência. Pois a Verdade estaria sempre para além daqui.

A arte para vocês funcionou e ainda continua funcionando como mecanismo compensatório para o excesso de carne e osso que impregnou suas idéias e seus corações. Se a cultura cristã é insaciavelmente desejosa, esta atividade que vocês crêem ser autônoma, a arte, acabará por catalisar pesadamente a ausência. Através dela, vocês teriam a oportunidade de enxergar seu ruído com a transcendência, seu desejo de escapar deste mundo de carne e osso que criaram para si próprios.

Um dia, é possível que vocês se livrem da estética. Por enquanto, ela é um dos pouquíssimos indícios, um dos raros canais de religare que resta a vocês. Por isso a arte é um mal necessário. Por enquanto, apenas existem pastores sem rebanho. Homens descabelados a beira de uma síncope nervosa.

Marcelo: Poderíamos dizer que todo objeto de arte possuiria algo básico de ex-voto, de objeto votivo. Toda obra de arte seria um objeto desejoso…

Pokot: Sim. Direta ou indiretamente, todo objeto de arte é desejoso e, portanto, indicador da ausência. Alguns artistas manifestam um tipo de desejo de expurgo. Certa feita, nos anos setenta, em Londres, visitei uma exposição que em muito me nauseou. Era um pintor que lembrava muito o expressionismo do início do século. Porém, concentradamente mais mórbido. Eram figuras humanas despedaçadas, em sangue…

Marcelo: Era Francis Bacon ?

Pokot: Não sei. Não gravei o nome desta pobre alma. Saí da exposição entre enauseado e preocupado não só com a saúde mental do pintor, porém com a fratura cultural que tinha forjado tal mente e, fundamentalmente, a doença social que ele acusava.

Marcelo: Certamente era Francis Bacon.

Pokot: De qualquer forma, a lógica do objeto desejoso estava lá. Ele retira de si, e por conseqüência, da sociedade, o tumor e materializa-o fora do corpo. Depois ele oferece a imagem materializada deste tumor para o templo sagrado, que no caso de vocês é o museu ou a galeria. Já o tal alemão pensa menos no tumor e mais no sucedâneo, na cura. A ação de esfregar as mãos nas barras de metal tentava divinizar ações as mais banais. Além de criar, obviamente, um cerco energético entre ele, o “pontífice”, a audiência e aquilo que está para além daqui. Creio que era ele que dizia “eu sou uma bateria”, referindo-se a idéia de que continha em si radiador de energia. Chegou-me através de amigos que freqüentaram a Sorbonne informações sobre uma xamã brasileira que trabalhava com um princípio mais propriamente curativo que o deste alemão. Creio que os germânicos tenham uma natural dificuldade de lhe dar com tais idéias… Para vocês brasileiros, sempre será mais fácil.

Marcelo: Creio que o senhor se refere a Lygia Clark, uma artista brasileira. Ela trabalhou com arte durante boa parte de sua vida, quando então passou a chamar o que fazia de “terapia”.

Pokot: Quem bom que esta senhora tenha tido a lucidez de trocar o nome de sua profissão. Não posso garantir que o novo batismo que ela escolheu seja dos melhores. Normalmente o nome, quando já é muito antigo, carrega muito peso sobre si. Acaba por esvaziar-se, ou ser incapaz de denominar ou conter novos fenômenos. O fato é que existem determinados fenômenos que falam do lado de fora das fronteiras disciplinares, que estão, por assim dizer, fora dos nomes. Sei que vocês costumam chamar de arte até produtos provindos dos manicômios…

Marcelo: Sempre tive dúvidas sobre a validade de denominar objetos produzidos por doentes mentais utilizando o termo “arte”.

Pokot: O problema nunca será do objeto. Ele precisa existir. Todos os objetos do mundo são necessidades, pois eles são conservadores do desejo de ocupar uma ausência. É claro que uma sociedade que produz objetos em excesso, que se desfaz muito facilmente daquilo que possui para pôr algo aparentemente novo no mesmo lugar, está indicando uma confusão qualquer. Pois esta compulsão pela renovação inscreve, indica, uma ausência, um vazio fundamental, de fato preocupante. Mas retornemos ao problema dos manicômios. Creio que os objetos produzidos por doentes mentais são objetos, tal qual são objetos aquilo produzido pelo pintor sanguinário de Londres. O problema sempre será daquilo que Lévi-Strauss chama de “grade”. Será sempre de disciplina do olhar. A questão sempre será: “o olhar que converge para o objeto vem de qual fronteira?”. Esta “grade”, que no caso do ocidente é uma grade de olhares disciplinados, oferecerá a possibilidade de abordagem e, consequentemente, de nomenclatura dos fatos e das coisas. Os doentes mentais, e seus primos segundos, os artistas e cientistas de fato criadores, estão apenas cumprindo a norma dialética entre ausência e desejo, estão construindo seus objetos. A esquizofrenia é, fundamentalmente, da grade, responsável que é pela possibilidade do olhar e da nomeação das coisas. É até mesmo triste reparar que os objetos sempre estarão no mundo. Basicamente eles sempre serão, se não os mesmos, porém muito próximos da forma que possuem hoje. O que definirá suas nomeações serão as novas conformações da grade. Aqueles, preocupados em nomeá-los, estão empreendendo uma tarefa marcada para morrer. Pois os objetos são sólidos, enquanto os nomeadores terão suas nomeações periodicamente alteradas.

Marcelo: É curioso… O senhor me falou sobre os objetos votivos e em janeiro deste ano tive acesso a um livro de Walter Burkert onde ele faz uma boa introdução aos credos pessoais, fora das religiões oficiais, existentes no mediterrâneo antes do cristianismo se tornar religião oficial de Roma. Estes credos pessoais tinham representações exatamente nos objetos votivos, nas dádivas oferecidas a certas divindades. Pensei que seriam objetos anti-estéticos, ou melhor dizendo, não-estéticos.

Pokot: Sim, sim. Conheço o livro. “Antigos Cultos de Mistério”. Para maiores aprofundamentos, procure informar-se sobre a obra do monge beneditino português Venâncio Pereira Alçadas. “Voz Votiva”: é este o título de seu livro. Nele, estão descritas grandes construções votivas no sul de Portugal e no norte da África. E uma bela história é lá contada. Existiu uma grande cidade construída para que ninguém morasse. Era absolutamente vazia. Foi destruída pelos mouros em 1350. Conta Pereira Alçadas que a cidade fora construída por um homem de grandes posses, Cabrita Vinhas, em 52 D.C., como oferenda para Afrodite. A dádiva pedida à deusa do amor e da fertilidade em troca da cidade erguida era, sem dúvida, de caráter amoroso. A construção esférica dos ladrilhos que pavimentavam as ruas vazias e os símbolos circulares esculpidos em cada uma das esquinas indicavam isso. Em 1158 um descendente deste mesmo homem teria pedido uma outra graça à mesma divindade, desta vez uma ação votiva e não um objeto. No meio da cidade vazia, construída pelo seu ancestral, ele faria uma longa confissão de seus pecados. Após todo o correr de um dia ter se desenrolado, ele destruiria com as próprias mãos a cidade com o auxílio de um martelo e de um escopo. Tendo em vista que a cidade só foi destruída pelos mouros, devemos concluir que o pobre parente de Vinhas não teve muito sucesso em sua empreitada votiva.

O “taurobóleo”, rito muito difundido no mediterrâneo, que perde-se no passado, que encontramos referências até mesmo no “Katokochimoi”, de Eupalino de Mégara, é especialmente interessante. Neste caso, a vontade votiva desprende-se do objeto e torna-se temporal, rito. O indivíduo que evoca a divindade deveria matar um boi e banhar-se em seu sangue. Num ciclo de vinte anos deveria refazer a ação para, assim, reconstruir a “capa protetora” que precisava renovar-se, desgastada que estava ao fim de cada ciclo. Trata-se de uma constelação de “symbolon eutychies”, presente no taurobóleo. E todos se ligam ao desejo de boa vida terrena. Tanto o sangue quanto o animal, o touro, são elementos característicos das pulsões de terra.

Marcelo: Nos anos sessenta surgiu um grupo de artistas plásticos chamado “O Grupo de Viena”. Eles utilizaram-se de sacrifícios animais, banhos de sangue, auto mutilações…

Pokot: Nunca ouvi falar. Mas, ao que parece, este grupo era um pouco mais desesperado que o artista estripador de Londres, não? [ risos]

Marcelo: Porém, dentro de seu próprio raciocínio, eles estariam manifestando uma “ausência”, tentando ocupá-la com suas ações físicas. O “Teatro de Orgia e Mistério”, de Herman Nitsch possuiria parentescos com o rito do taurobóleo que o senhor acabou de descrever.

Pokot: Sim, sempre existirão parentescos entre quaisquer que sejam os fatos humanos. Mas, como já disse, tudo variará dependendo da conformação do olhar que se debruça sobre os fatos e as coisas. Pois os fatos e as coisas sempre estarão como sempre foram. É possível que o olhar disciplinar, que caracteriza o ocidente esteja modificando-se. Por conseguinte, traçando novos parentescos entre fatos e coisas. Mas, é bom lembrar: o taurobóleo não possui vontade estética., apenas vontade de fé e diálogo com o divino. Não trata-se de um fetiche-objeto esvaziado, como é o caso da obra de arte. Ele, o taurobóleo, evoca forças reais. O elemento dionisíaco deste tipo de arte que você me descreve esboça um desejo de mistério, mas não creio que seja capaz de provocar o numinoso, esta estreita porta que conduz apenas um homem, individualmente, até a imagem do mistério. Estes fenômenos artísticos lembram os ritos por serem temporais. Por dissolverem o objeto ( por excelência o indicador do espaço) em movimento ( que é em si a representação do correr do tempo). Mas, como disse, ao meu ver, são ritos desapegados. São o desejo de numinoso. Além do mais o rito real possui um, digamos, “roteiro” cuja origem perde-se no passado de pais, avós e bisavós… Pelo fato do rito não possuir um criador-indivíduo e sim um criador-social, ele possui um caráter agregador. Tratam-se de códigos compartilhados. Não é o caso desse tipo de arte que você me descreve. E especificamente da arte do século XX, que caracteriza-se exatamente por ser desagregadora. Ela cinde a sociedade por criar códigos novos e descartar aqueles secularizados.

Marcelo: Vejo que o senhor está cansado…

Pokot: É possível. Como lhe disse, arte me cansa. Gostaria de preparar-me para o encontro de amanhã com o professor Evaldo Coutinho.

Marcelo: Antes que encerremos este encontro, gostaria que dissesse-me o que o fez visitar o Recife durante o carnaval.

Pokot: Antes de qualquer coisa lembre-se que este é um dos três berços onde nasceu sua nação. Não a toa os três berços tomaram para si a mesma auto-representação: o carnaval, o grito dionisíaco “euhai”. Assim, podemos conhecer um povo. Vai-se em direção à sua auto-imagem. Ela representará seu desejo de ser. Em torno dela, pode-se enxergar as cores do ar. Não vê ? [ Pokot olha em torno de si, mirando o vazio, e inspirando forte] São lilazes.

Marcelo: O que indicam ?

Pokot: [Silêncio] Procure nas “Horas Douradas”, de De Selby. Mas, voltando a falar sobre minha viagem, devo dizer-lhe que a leitura dos escritos solipsistas de Evaldo Coutinho moveram-me em direção ao Recife.

Marcelo: Faz idéia de como seus escritos chegaram à Argélia?

Pokot: Via universidade de Salamanca. “A Visão Existenciadora” foi traduzida por um jovem estudante de filosofia, Xeriar Meursault. Ao que parece, o conceito de “existenciação” do professor Evaldo Coutinho, goza de um prestígio crescente entre os jovens argelinos. No que diz respeito a mim, vejo-o como construtor de um sistema para-filosófico de grande sensibilidade. Sua narrativa não se curva à aridez típica de boa parte da prosa filosófica do século XX. Possui contornos estilísticos visionários, como que assemelhados à aqueles dos grandes místicos do passado cristão, como San Juan de la Cruz que versava sobre o indizível: “deve-se dizer, mas não dizer”. Porém, sua mensagem parece ser inversa. Quando nos diz que por mais resistentes e perpetuáveis que sejam as coisas elas se fatalizam à efêmera duração da vida consciente do indivíduo, ele deposita todo o Ser do mundo no homem. É possível que vejamos no professor Evaldo também algum parentesco com a idéia de Shopenhauer do “mundo como vontade e representação”. Porém seu estilo, sua forma de construção textual indica uma espécie qualquer de intertextualidade. Algo além do que é dito expressamente, habita sua obra. Este algo parece ser uma voz mítica, provavelmente de caráter heróico, como indica a tradição cristã. “Eu fundo o mundo” é uma idéia claramente cristã… e é esta a idéia base de “A Visão Existenciadora”. Interessa-me muito reparar que, normalmente, quando um homem é acometido por uma imagem mítica primordial e dispõe-se a dar-lhe voz, esta voz toma contornos estilísticos muito rebuscados, como que iluminados, com ares visionários. Veja o estilo apocalíptico, assemelhado a São João, que costura as frases de Nietzsche, no “Zaratustra”. É como se a voz de formas arcaicas de pensamento necessitasse de uma sonoridade sempre curvilínea e nunca retilínea. Muito provavelmente, o professor Evaldo Coutinho não concordará comigo. Porém, devo expor-lhe minhas percepções. Existem outros aspectos muito interessantes na idéia do homem como o existenciador do mundo. A “composição alegórica”, como nos diz o professor, de “rostos e entrechos”, que o Ser do mundo nos oferece é única para cada indivíduo. A idade desta “alegoria” oferecida é a minha idade. Eu morro, o mundo morre. Por conseqüência também somos sujeitos do mundo alheio, do mundo composto, “existenciado”, por cada consciência que nos vislumbrou. Então quando alguém que nos conheceu morre, uma das nossas conformações de existência também morre. Trata-se de uma concepção de existência que levanta várias outras questões: se somos seres de linguagem; se as linguagens criadas são filtros que nos distanciam e nos impossibilitam de tomar contato com a realidade natural; se o nosso universo e nossa única realidade é o símbolo; se o símbolo, base da linguagem, é convencionado socialmente; se lemos o mundo a partir destas convenções, qual seria a medida de nossa individualidade, qual seria a fronteira entre aquilo que é pessoal e intransferível e aquilo que, criado pelos limites impostos pela convenção, é social? Seria possível delimitar uma fronteira? A inflação aparente do ego, representada por “A Visão Existenciadora”, já não denunciaria o esgarçamento desta estrutura, o ego, neste final de milênio cristão? Inflacionando o ego, estrutura existenciadora do Ser do mundo, o professor Evaldo Coutinho não estaria, num movimento compensatório, alertando para o risco desta dissolução egóica que o ocidente vive? Pense que, mesmo de estilo aparentado ao de San Juan la Cruz, este filósofo brasileiro é contemporâneo da filosofia européia dos anos 60 e 70. Foi esta filosofia que desapropriou as dores do indivíduo, derramando-as no corpo social…

[1] Jornal que circulou nas cidades de Olinda e Recife, em agosto de 1997, como forma de divulgação do evento multi-mídia “Mônadas”, que teve como local a antiga fábrica de tecelagem Tacaruna.

[2] Em Tristes Trópicos ( São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 1996, pag. 248), Claude Lévi-Strauss não se refere nominalmente aos seus colaboradores na expedição Nambiquara. Apenas indica: “a expedição incluía de início quatro pessoas que formavam o pessoal científico, e sabíamos muito bem que nosso êxito, nossa segurança e até nossas vidas dependeriam da fidelidade e da competência da equipe que eu ia contratar”. O antropólogo Edmund Leach, em seu ensaio Lévi-Strauss ( São Paulo: Ed. Cultrix, 1970, pag. 12), nos diz sobre a expedição Nambiquara: “Os detalhes desta expedição são difíceis de determinar. Inicialmente, Lévi-Strauss teve dois companheiros científicos empenhados em outras espécies de pesquisa. O grupo deixou sua base em Cuiabá, em junho de 1938, e atingiu a confluência do rio Madeira e Machado no fim desse ano. Segundo parece, estiveram em movimento o tempo quase todo”. Não se sabe ao certo o motivo do ilustre antropólogo ter se furtado de dar o nome dos demais cientistas que compuseram esta expedição.

[3] Between the Eyes – What has not been seen by an European expedition among the Nambiquara in the South America (Cambridge Mass, 1942).

[4] The East There – A comparative study of the becoming between the Ravé-Potí and the Kummah

(Cambridge Mass, 1964).

[5] Ver Les Rites de Passage ( Paris: Nourry, 1909)

[6] Ver Passagem: Morte e Renascimento ( In “O Imaginário e a Simbologia da Passagem”, Danielle Perin Rocha Pitta (org.), 1984, Ed. Massangana Recife, PE, pag. 35).

[7] Em O Oriente de Lá – Estudo Comparativo do Devir Entre os Ravé-Potí e os Kummah (Cambridge, Mass. 1964, pag. 204), Pokot discorre sobre o tema da Passagem como fenômeno de ordem psíquica, individual, processado portanto dentro de uma outra ordem temporal. Diz-nos Pokot: “Passage as a rite is a social aggregator, a permission-obligation of change given to the individual by his group . However, the passage is not always really consolidated. Often, one verifies that the social arrangement was not enthroned at the psychic time of the individual who has been through the rite” E usando o exemplo dos Ravé-Potí, nos diz mais adiante: “In the cases of bodies emptied from a new order, that have made use only of the sacred rite’s appearance, the Ravé-Potí usually make the individual in question swallow clay to the point of nearly suffocation with the intention to fulfill his deep emptiness”.

[8] Em idioma tacuch, o equivalente ao termo “nascimento” é “jahamkat”, que se traduzido rigorosamente, significaria “lá vem”. Para nossa “morte”, os Kummah possuem o termo ‘kathamjah”, uma inversão de sílabas que poderia ser traduzido como “evaporou”.

[9] “Katham-huruk”, palavra mista, englobaria em si algo próximo de nosso conceito cristão de “além”, ou seja, o lugar para onde iríamos após-morte e, no caso dos Kummah, entrarem em “kathamjah”. Porém, é importante atentarmos que o termo “huruk”, usado separadamente, pode denominar em tacuch tanto “fezes bovinas”, fertilizantes do solo, quanto “vagina da mulher amada”. Portanto, temos aqui um sentido muito ampliado da idéia de além.

[10] Espécie de cão do mato, que vive dos restos alimentares apodrecidos deixados por outros animais de maior porte. Parente da hiena, é habitante das margens do lago Victoria.

[11] Rigorosamente, tantuo-hou significaria “criança cujas orelhas foram comidas por um hou-hou. Em português falado no Nordeste brasileiro, estaria próximo de criança “malouvida”.

13/6/2009

vício de trabalho

Filed under: 818, Pure Data — lucio @ 2:35 am

carack

noitadas em mimosa
e violas

squirrel smoking a pipe

11/6/2009

hoje é dia de chamar a polícia

Filed under: 818 — lucio @ 11:01 pm

novos sons no infinito / infinito.

ha nde?

10/5/2009

_

Filed under: HAckeandO CATATAU — glerm @ 3:43 pm

A obsolescência de nossos backups

(11:17:48) lucio: Olás!
(11:21:20) glerm: Olá!
(11:21:26) lucidasans: Aei…
(11:21:32) lucio: Bom, a Claudia está na escola, mas creio que ela gostaria de participar dessa conversa.
(11:21:49) lucidasans: Acho que a conversa pode ser em etapas, o Octavio também não está online.
(11:22:05) lucio: Podemos repetir a tentativa mais tarde com o Octavio e a Claudia.
(11:22:15) lucidasans: Temos que rever o material.
(11:23:33) lucio: Como passei pra vocês, temos mais alguns cds com algumas especificidades de conteudo para entregar. Mas é tranquilo, pois a base é o cd anterior que já enviamos pra ação educativa. Tem algumas coisas que não cabem pra nós, tipo: foto do grupo.
(11:25:06) lucidasans: Podia ser a foto do depósito da Santa Efigênia?
(11:25:15) lucio: Nem sei se temos uma imagem com todos juntos.
(11:25:25) lucidasans: Acho que não há.
(11:25:31) glerm: Na foto da Santa Efigênia há umas cinco pessoas.
(11:25:32) lucidasans: Tipo banda ou time de futebol.
(11:25:35) glerm: É o grupo, contando o cachorro da seis.
(11:26:09) lucio: Passa essa imagem pra eu ver.
(11:26:12) lucidasans: Não dá, o cabo usb está aí na 818. É uma imagem estranha, tipo um fosso.
(11:26:43) glerm: Cara, é um fosso não dá pra acreditar, parece aquele cofre do tio patinhas cheio de placa de computador. A imagem nem dá conta da vertigem que era o lugar.
(11:27:39) lucidasans: Pena que a câmera não pegou a profundidade de campo.
(11:28:40) glerm: O Octavio está escrevendo todas músicas dele em partitura. Vou passar pra midi.
(11:28:57) lucidasans: Eu estava vendo se convencia o Octavio a escrever pra Guitar Hero.
(11:28:59) glerm: E fazer algo com isso lá.
(11:29:12) lucidasans: De midi vai pra Guitar Hero?
(11:29:17) glerm: Sim.
(11:29:26) lucidasans: E depois pra Frets on fire. Haha, acho que tem a ver com o humor de canções.
(11:30:48) lucio: Vocês vem no 818 a noite?
(11:30:55) lucidasans: Sim, meus arquivos estão aí, tenho quase nada aqui no Eee pra pensar em catálogo.
(11:31:14) lucio: Com relação ao espaço do Solar, pensei em um espaço auto gestionado.
(11:31:38) glerm: Meu relato do Campus Party.
(11:31:49) lucio: De certa forma como o 818 foi.
(11:31:51) lucidasans: Como assim auto gestionado?
(11:32:15) glerm: Vou ter que desabafar aqui. Não consegui a concentração que queria para trabalhar na proposta do “Bits e Volts na Unha”. Era necessário uma concentração meditativa para pensar em lógica binária ali na mesa, fazendo uma regressão aos primórdios da eletrônica analógica sendo digitalizada, desmistificando a necessidade do rigor acadêmico para sacar o assunto, mas aprofundando a parte atômica da coisa. Tipo “da onde vieram os bebês?”. Pensando bem, é muito triste isso, só falta cortar uma orelha.
(11:33:05) lucio: Sem hierarquias, principalmente com relação a qualquer tipo de dicotomia entre os seres que estiverem no lugar.
(11:33:06) glerm: Não quero expor isso, mas fica aqui registrado.
(11:33:09) lucidasans: A própria orelha ou a do soldado?
(11:33:50) glerm: Lúcio, a gente tem que pensar na problemática de ter que ficar batendo ponto lá.
(11:33:53) lucidasans: Mas são necessários dispositivos bastante ativos para garantir a não hierarquia.
(11:34:25) glerm: Como a gente vai resolver isso? Vai haver datas, horários?
(11:34:37) lucidasans: Não prometemos datas e horários fixos.
(11:35:00) glerm: Sim, mas o papo aqui está em torno de um projeto tipo o Desafiatlux.
(11:35:09) lucio: Entendo Simone, neste caso já existe uma hierarquia, que como o Glerm disse - a Fundação, mais especificamente o Solar, impõe.
(11:35:29) lucidasans: Oposição público-artista?
(11:36:02) lucio: Desconsiderando essa de público-artista… No entanto há um exercício.
(11:36:31) lucidasans: Quando eu falei que era preciso ativar a desierarquia é porque também acho que já exista uma hierarquia natural naquele espaço, então estamos de acordo.
(11:36:56) lucio: Como essas etapas de documentação - catálogos oficiais, etc… que passam por uma forma de definição de quem são os propositores. Desse modo, a ocupação fala desse embate também.
(11:38:55) lucidasans: Entre propositores, interventores, consumidores?
(11:40:06) lucio: Sim, uma porção de delimitações – edital, espaço pré-demarcado de atuação, horários, etapas, agendamentos - um jogo.
(11:40:32) glerm: Mas interfaces é o que? Uma interface entre o jogo e o não-jogo?
(11:41:09) lucio: Dentro desse jogo é que se dilui nossa intenção. Esse jogo se chama instituição.
(11:41:53) lucidasans: Eu acho que invariavelmente é um jogo com máquinas, sejam as computacionais, sejam as burocráticas ou as conservas culturais.
(11:42:39) lucio: Como dialogar e diluir em espaços com regras bem definidas?
(11:42:43) glerm: Eu acho que esse jogo se chama retórica, porque não existe a não-instituição, isso seria a não-linguagem.
(11:43:28) lucio: É prática tambám.
(11:44:05) lucidasans: Sim, um jogo entre instituições.
(11:44:25) glerm: O que é o lixo?
(11:44:59) lucidasans: Diluir para neutralizar ou para prevalecer?
(11:45:48) glerm: Vamos pra gaza?
(11:46:20) lucidasans: Gaza está cheia de corpos, você fala ir físico-newtonianamente?
(11:46:46) glerm: Vi a apresentação do Balbino e do Alê no Transmediale09, um grande evento de “Arte e Tecnologia”. Um cara de Burkina Faso me chamou atenção. Ele mostrou uma comunidade que fazia suas escolas, desde fazer os tijolos… Então ele tentava explicar que aquilo era feito pela necessidade, muito mais do que pra mostrar ali, mas as pessoas ainda ficavam perguntando das escolhas arquitetônicas deles, tipo porque teto era alto e uma hora ele falou: “eu estou aqui sobretudo pra convidar vocês pra irem lá, vamos?”. Acho que ele vai conseguir um dinheiro pra fazer mais tijolos, mas não sei se estas pessoas irão até lá. Mas já sei o que eles vão ter que ensinar nessas escolas. O que isso tem a ver com o “Interfaces”?
(11:49:46) lucidasans: Atá porque dá pra conseguir muito tijolo pelo valor da gasolina azul.
(11:49:47) glerm: Não sei, retórica - “carnaval malandros e heróis”.
(11:50:09) lucidasans: Tinha uma inscrição do discurso dele no Transmediale que ele explicou no começo.
(11:50:14) glerm: Alegoria - nota ().
(11:50:20) lucio: No caso – prevalecer/neutralizar/retórica - Quais as alternativas práticas? Continuar, parar, pular, voltar, esquecer, lembrar, rir. Uma lista de ações, quais as regras e antiregras dessa situação?
(11:55:53) gler1 [n=glerm@189.34.70.224] entrou na sala.
(11:55:55) lucio: Em meio a qualquer tipo de tática de objetivação, a um caos pseudo-organizado, como é essa sensação de diluição?
(11:56:04) gler1: Caí, perdi um monte…
(11:56:26) lucio: Tem dois de Glerms na sala.
(11:56:37) gler1: Um deles eu perdi o link.
(11:57:03) lucio: Os Glerms se multiplicam.
(11:57:30) gler1: É um link perdido, a Simone está fora também. Onde parou a conversa?
(11:58:03) lucidasan1 [n=ieieie@189.34.70.224] entrou na sala.
(11:58:03) gler1: Cola aqui.
(11:58:08) lucio: Também passamos pelo sentimento da perda.
(11:58:11) claudi1 [n=claudia@189.4.43.181] entrou na sala.
(11:58:24) lucio: Oi Claudia!
(11:58:30) lucidasan1: Oi Claudia!
(11:58:33) claudi1: Oi!
(11:58:33) gler1: aqui ta como claud1
(11:58:51) claudi1: Deixa assim.
(11:59:07) lucio: Claudia, estamos conversando sobre multiplicações e diluições.
(11:59:21) gler1 mudou seu apelido para glermglerm
(11:59:58) claudi1: Multiplicações - Questões monetárias?
(12:00:29) lucio: Questões de duplicação de personas.
(12:00:44) lucidasan1: Onde estavam as multiplicações no assunto das intenções mesmo?
(12:00:54) glermglerm: Acho que a gente estava falando sobre “interfaces”.
(12:01:09) lucidasan1: Se interfaces era um jogo com máquinas.
(12:01:15) glermglerm: void()
(12:01:31) lucio: Qual era nossa intenção inicial quanto ao Interfaces?
(12:01:39) lucidasan1: E se era possível declarar essas variáveis antes demais nada.
(12:02:27) lucio: Cabe ser fiéis a essas intenções?
(12:02:52) claudi1: Somos o que resta das diluições, multiplicações, intenções.
(12:03:25) glermglerm mudou seu apelido para guilhermerafaels
(12:03:36) lucio: Isso já é um estrago em tanto.
(12:03:40) guilhermerafaels mudou seu apelido para rafaelsoares
(12:03:57) claudi1: O que resta?
(12:04:11) lucio: Um novo nós…
(12:04:15) rafaelsoares mudou seu apelido para rg60166498
(12:04:52) rg60166498: Eu não acredito em mim, muito menos em vocês.
(12:04:59) lucidasan1: Pra haver um novo nós precisa haver um novo outros, senão não é nós-outros.
(12:05:05) claudi1: Eu também não.
(12:05:34) lucidasan1: Tudo bem Glerm, mim também não acredita em eu.
(12:05:34) rg60166498: Acho que é tudo sobre um dinheiro.
(12:05:35) lucio: Isso não deixa de ser crença.
(12:05:46) rg60166498: Que já foi gasto. O resto é simples, é viver e morrer sem matar. Mas interfaces era o que mesmo? máquinas?
(12:06:22) claudi1: As vezes matar.
(12:06:29) lucio: Pessoas.
(12:06:32) rg60166498: Não estou falando de metáforas, estou falando de gente que mata e se mata de verdade.
(12:06:45) lucio: O nome já diz.
(12:06:55) claudi1: Pessoas que agem como máquinas que agem como pessoas. Cães que agem como pessoas que agem como cães.
(12:07:28) lucidasan1: Crença = Programa.
(12:07:37) claudi1: Pode cagar na minha calçada.
(12:08:01) rg60166498: Existe uma discussão sobre o que é strictu sensu.
(12:08:02) lucio: Acham isso vertiginoso?
(12:08:17) lucidasan1: Não.
(12:08:20) rg60166498: Acho chato pra caralho, vertiginoso é surtar.
(12:08:51) lucio: “Vale a pena viver” - isso é uma conclusão?
(12:09:00) claudi1: Vertiginoso é estar.
(12:09:07) lucidasan1: Acho que até o futuro da internet é mais vertiginoso.
(12:09:09) rg60166498: Estar é fácil, basta ser. Não ser que é a questão.
(12:09:21) claudi1: Qual futuro?
(12:09:25) rg60166498: Vamos pra gaza?
(12:09:35) claudi1: Acho vertiginoso.
(12:09:42) rg60166498: Fazer as mães chorarem?
(12:09:46) lucidasan1: Se há futuro, está conversa estará nos backups.
(12:10:22) rg60166498: Acho tudo irrelevante.
(12:10:24) claudi1: E a seleção natural?
(12:10:33) lucio: Se a obsolescência permitir o resgate a esses dados.
(12:10:39) lucidasan1: O jornalista que jogou o sapato foi severamente torturado.
(12:10:49) rg60166498: Nunca se sabe.
(12:10:56) lucio: Porque errou.
(12:11:04) lucidasan1: Teremos que lutar pela volatilidade das nossas conversas e pela obsolescência dos dados, porque os servidores terão que manter entre aspas dados de três anos, não é?
(12:11:27) lucio: Na guerra o erro é a morte.
(12:11:32) lucidasan1: Pediu abrigo na suíça.
(12:11:37) rg60166498: O que eu faço com todo esse conhecimento, esqueço?
(12:11:45) lucidasan1: Mas está sendo investigado em um espaço que investiga terroristas no Iraque.
(12:12:30) rg60166498: Na sala vazia do museu.
(12:12:58) claudi1: Ocupação de fachada.
(12:13:13) lucidasan1: —-
(12:13:45) rg60166498: Tem gente que pinta fachadas e é feliz.
(12:14:58) lucidasan1 mudou seu apelido para glerm
(12:15:05) lucio: Existe um argumento: Vocês assinaram um contrato. Querem comentar algo?
(12:15:15) claudi1: Voltando ao dinheiro, e aí quem leva a melhor?
(12:15:36) rg60166498 mudou seu apelido para simone
(12:15:42) claudi1: Assinamos, lemos, erraram nossos nomes.
(12:15:54) glerm: Qual dinheiro?
(12:15:59) lucio: O que gastamos.
(12:16:03) claudi1: Aquele.
(12:16:03) glerm: O que já acabou?
(12:16:07) claudi1: Sim.
(12:16:19) simone: O contrato prevê como contrapartida uma exposição.
(12:16:19) claudi1: Quem levou a melhor?
(12:16:22) simone: Estou de acordo.
(12:16:34) glerm: Quem leva a melhor são os bancos.
(12:16:47) claudi1: Aêê!
(12:16:53) lucio: E como nos manifestamos diante disso?
(12:17:34) glerm: Eu fiz um monte de cacareco, quem quiser achar que vale alguma coisa que leve, senão talvez esse papo furado aqui valha algo. Os cacarecos não funcionam acho porque ainda não sei pra que servem.
(12:19:00) simone: Seguinte, eu vejo o catálogo como um extrato que não precisa necessariamente corresponder ao conteúdo da exposição.
(12:19:10) lucio: Servem pra ocupar um museu?
(12:19:39) claudi1: Ocupar o museu não é problema.
(12:19:47) glerm: Se servirem só pra isso corto minha orelha.
(12:19:47) simone: Precisamos deste tempo para nos dedicar a configurar e discutir a exposição.
(12:20:33) lucio: Van Gogh mordeu a orelha, hehe.
(12:20:50) claudi1: Mordeu a sua própria orelha.
(12:20:57) glerm: Pixe peixe.
(12:21:04) simone: Tyson, Pedro Simão.
(12:21:30) claudi1: Conhecemos um cara chamado Toto.
(12:21:42) simone: Sem acento?
(12:21:52) claudi1: Sim. Ele disse: Trabalho e produtividade.
(12:22:16) lucio: Como lema da bandeira.
(12:22:20) simone: Onde? Otimização e proatividade.
(12:22:54) simone: Onde vocês o conheceram?
(12:23:01) claudi1: Em Pontal do Sul.
(12:23:06) lucio: No embarque, mas seu afilhado escreveu: Vida e liberdade.
(12:23:31) simone: O que ele faz de tão inspirado?
(12:23:38) claudi1: Ele disse: Quem trabalha não ganha dinheiro.
(12:23:47) simone: Ah!
(12:23:51) lucio: O garoto tinha uns 10 anos e mandou essa.
(12:24:02) claudi1: Você estabelece graus de parentesco absurdos.
(12:24:03) simone: E a Ufpr escreveu: Scientia e labor, he!
(12:24:29) claudi1: Labor.
(12:24:33) glerm: A Ufpr tá certa, ciência e lavoura.
(12:24:56) lucio: E o barão mandou seus escravos construírem o espaço da exposição.
(12:25:05) simone: Ciência e laboratório.
(12:25:06) claudi1: Certo precisamos plantar.
(12:25:09) simone: Acho que eles acham.
(12:25:42) lucio: E os milicos construíram a outra parte.
(12:25:43) glerm: O pior de tudo não é que o barão supostamente morreu por nós, e sim que isso não me diverte.
(12:26:16) claudi1: Diversão, ciência e labor?
(12:26:37) simone: Distração, ciência e lavoura.
(12:26:46) lucio: E quanto aos desvios de conduta, isso existe?
(12:27:00) claudi1: Desvios?
(12:27:06) simone: Desde que não somos mais trens.
(12:27:14) glerm: Matar.
(12:28:01) simone: Pro Freud existem dois tipos, desvios de fins e desvios de meios.
(12:28:41) glerm: isso aqui é o texto do catálogo, ou é desvio?
(12:29:05) lucio: Vai passar antes pela censura.
(12:29:47) simone: E pelo liquidificador.
(12:30:18) claudi1: Claro, para uma mistura homogênea.
(12:31:26) lucio: Ou vai para o desvio do catálogo? Hoje havia de novo um passarinho preso no quarto do vitoriamario.
(12:34:25) simone: Ui!
(12:34:38) lucio: Conversei com ele e abri a janela.
(12:34:53) claudi1: E o que ele disse?
(12:35:18) lucio: Ele saiu e ficou no telhado na minha frente me olhando todo destrambelhado.
(12:35:31) claudi1: Tive uma idéia totalmente revolucionária.
(12:35:34) lucio: Piou e voou.
(12:36:18) simone: Putz, triste… Diga Claudia.
(12:37:17) lucio: Ou acha pouco seguro por IRC?
(12:37:52) claudi1: Estou esperando que mais pessoas estejam presentes.
(12:38:06) lucio: Como quem? Os revolucionários?

Encontro pelo Irc acontecido no dia 02fev2009.

6/5/2009

Robótica relação

Filed under: "arte", álbum de família — lucio @ 2:43 pm

9/4/2009

Hermeto Pascoal = Copyleft Atitude

Filed under: HAckeandO CATATAU — glerm @ 2:26 pm

http://br.noticias.yahoo.com/s/01042009/25/tecnologia-hermeto-pascoal-libera-musica-fluir.html

“E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete disponibilizar parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para download gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.”(…)

hermeto

6/4/2009

Code Poetry - requiem for peace (jaromil)

Filed under: HAckeandO CATATAU — glerm @ 1:54 pm
—–BEGIN PGP SIGNED MESSAGE—–
Hash: SHA1

/*
* Requiem for Peace (and one dead man in London.c)
*
* Cycle 78, year 26 (Ji-Chou), month 3 (Wu-Chen), day 7 (Ding-Chou)
*
* (A)m*dam(jrml)
*/

int moment = 0;

int justice = 7;

void *hanger = ”
There was a  pause, and an eerie silence, just before  he did it.  A
green  scarf  masking  his face,  the  man  held  a large  piece  of
scaffolding  above  his   head  and,  surrounded  by  photographers,
eyeballed  the unprotected window  of the  Royal Bank  of Scotland’s
branch on Threadneedle Street.
“;

void *exception = ”
In that  split second, one voice  amid thousands in  the crowd broke
the silence.  - Don’t do  it -  she screamed -  He did -  This isn’t
violence -  retorted another voice in  the crowd - We  paid for this
building.
“;

unsigned int moment;
unsigned int imacy;
unsigned int cause;
bool represented;

extern void *wave;
extern void *street;
extern void *justice;
extern int death;

while(protest) {

for(moment=0; moment < justice; moment++) {

wave = malloc( sizeof( hanger ) );

// wave is filled with people
democracy[moment] -> reclaim(wave, street);

try {

// check if they smile
// http://www.repubblica.it/2006/05/gallerie/esteri/berlusconi-obama/1.html

represented = reality(moment);

if(!represented) throw(exception);

}

if( moment[wave] == death ) {

// One protester at the scene said the man was in his 30s and died
// of natural causes, the  Press Association news agency reported.

imacy  = moment[wave]; // zoom in

cause  = natural(imacy); // the cause is just an index

/* Alok,  currently  in Exchange  Square,  would  like to  thank
Muriel for  lending him  her pen when  his run out.   He says
there are around 150 people  out in sympathy with the man who
died and 70 police. */
imacy -= democracy[cause] -> individual(justice);

rip(imacy); // the man was there to protest, but he is no more

}

// RFC: www.guardian.co.uk/world/gallery/2009/apr/01/g20-protest
if( !listen(moment) ) {
justice–; // will affect globally
}

}

catch(void *e) {

printf((char*)exception);

// Once they  had broken into the bank,  however, the protesters
// did not quite know what to do.

printf(”justice is %u”, justice);
printf(”hanger address is %p (out of bounds?)”, hanger);
printf(”it seems they are still smiling.”);
// seen before, anyway we send the warning

}

} // street protest ends, but the wave will hit more shores

/* this code won’t compile alone, it is part of a larger software. */

- –

jaromil, dyne.org developer, http://jaromil.dyne.org

GPG: 779F E8B5 47C7 3A89 4112  64D0 7B64 3184 B534 0B5E
—–BEGIN PGP SIGNATURE—–
Version: GnuPG v1.4.9 (GNU/Linux)

iEYEARECAAYFAknUtUcACgkQe2QxhL

U0C17aBgCg5mcB6OgarZ5Z+ebwkNpDSvRK
SfwAnjwpEW2lpECCqCRrlyj95AUC61/t
=RJ+9
—–END PGP SIGNATURE—–

- Mostrar texto das mensagens anteriores -

30/3/2009

Imersões na Caverna

Filed under: "arte", 818, HAckeandO CATATAU, artesanado digital, interfaces — lucio @ 6:02 pm

27/3/2009

CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DAS AMÉRICAS

Filed under: manifesto, movimento social, sociedade organizada — lucio @ 1:53 pm

CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DAS AMÉRICAS
- Construindo a integração dos povos desde a base
- Impulsionando a Alba e a solidariedade dos povos frente ao projeto do imperialismo

1. O Capitalismo entrou em uma crise profunda, e tenta descarregá-la sobre nossos povos

O capitalismo central está sendo sacudido por uma crise estrutural que questiona os paradigmas difundidos pelo neoliberalismo, e que promove sua própria deslegitimação. É uma crise do sistema, que gera super-produção de mercadorias e super-acumulação de capitais, e como conseqüência, o aumento brutal da pobreza, da desigualdade, da exploração e exclusão dos povos, e o saque, contaminação e destruição da natureza.
Os capitalistas pretendem descarregar com maior violência suas crises sobre os trabalhadores e trabalhadoras, sobre os excluídos e excluídas, socializando as perdas, socorrendo aos banqueiros e subsidiando as grandes empresas transnacionais com os fundos públicos. Ao mesmo tempo, se agravam as políticas que, nestes anos de globalização mundial desenvolveram um silencioso genocídio de nossas comunidades originárias; promoveram a precarização de milhares de homens e mulheres -especialmente jovens e idosos- violando os direitos humanos, trabalhistas, sociais; destruindo as possibilidades de acesso à educação, à saúde, à terra, ao trabalho e à moradia. Não é necessário descrever as múltiplas conseqüências, sobre a vida cotidiana dos povos, da ofensiva das corporações transacionais, que avançaram na recolonização da América Latina, considerada pelas mesmas como um grande canteiro para seus negócios. Denunciamos em diferentes foros internacionais e nacionais que nossas enormes riquezas naturais, e a criatividade cultural de nossas comunidades estão sendo arrasadas em nome do “progresso”, da “civilização”, e do “desenvolvimento” capitalista.
As forças do capital transnacional e dos grandes grupos econômicos locais - expressados, por exemplo, nas denominadas translatinas-, associadas a uma parte considerável dos governos da região, sob o comando da hegemonia estadunidense, desenvolvem sua ofensiva e hoje promovem variações da ALCA através dos TLCs com EUA e Europa. Estas políticas empurraram ao desaparecimento de povoados completos, arrasados pelos megaprojetos das indústrias extrativistas e agroexportadoras, e condenaram os povos a uma difícil sobrevivência, asfixiando-nos com uma dívida externa ilegítima, desconhecendo a soberania popular e a soberania nacional. Projetos e iniciativas como a IIIRSA (Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana), escondem depois do desenvolvimento de interconexões em infraestrutura, a apropriação transnacional dos bens da natureza.
Para impor esta lógica, o capital reforça a violência e o controle militar, promovendo guerras, invasões, agressões, assim como o estabelecimento de bases militares, de exercícios militares conjuntos, e a criminalização dos movimentos populares, a perseguição dos líderes, assim como o desalojamento de povoações completas. Utilizam intensamente os meios de comunicação de massa para manipular o consenso da opinião pública às políticas repressivas, à penalização judicial, e inclusive os assassinatos de lutadores e lutadoras populares. Com conceitos como os de “ordenamento territorial”, ou “segurança democrática”, se utiliza a matriz de pobreza e exclusão de nossas sociedades para o recrutamento de exércitos de civis, e a manipulação das comunidades com um sentido contrainsurgente. É neste contexto que os EUA ativaram a IV Frota, como ameaça para os processos sociais transformadores no continente e que, em muitos de nossos países, os governos e parlamentos copiam e aprovam leis “antiterroristas” que utilizam para combater aos povos.
Esta crise representa uma enorme ameaça para nossos povos, mas, também vemos nela uma nova oportunidade para promover alternativas populares ao sistema, avançando para uma mudança estrutural, cuja vigência e viabilidade se tornam incontestáveis.

2. Um projeto de vida dos povos, frente ao projeto do imperialismo. Os movimentos populares percebemos que o continente está atravessando um novo momento político e social, o qual se expressou de diferentes atitudes, através de manifestações populares massivas, eleições locais e nacionais, lutas políticas e sociais, o cansaço frente às políticas neoliberais.
Os movimentos sociais estamos em uma nova fase destas lutas, no marco de um longo período de transição, recomposição e acumulação de forças, de confrontações com o capital, de construção de nossas organizações, e de formação de militantes com capacidade para assumir os novos desafios.
Nesta fase vamos intensificando as ações de resistência e também as experiências alternativas de poder popular, de exercício de soberania e, inclusive, de relação com alguns governos que expressam -de maneira contraditória- os interesses das maiorias. Os movimentos populares enfrentamos as dificuldades que surgem de várias décadas de extermínio de nossa população e de nossas organizações, e as debilidades que surgem da confusão social semeada pelo neoliberalismo, através de seus poderosos meios de in-comunicação e manipulação da opinião pública mundial; de suas políticas ducativas monitoradas pelo Banco Mundial; de suas políticas de controle social e domesticação, través do assistencialismo, realizado como forma de reprodução da exclusão; da propagação de formas de religiosidade alienantes; da criminalização da pobreza e da judicialização e repressão do protesto social.
É necessário construir coletivamente um projeto popular de integração latino-americana, que reformule o conceito de “desenvolvimento”, sobre a base da defesa dos bens comuns da natureza e da vida, que avance para a criação de um modelo civilizatório alternativo ao projeto depredador do capitalismo, que assegure a soberania latino-americana frente às políticas de saque do imperialismo e das transnacionais, e que assuma o conjunto das dimensões emancipatórias, enfrentando as múltiplas opressões geradas pela exploração capitalista, pela dominação colonial, e pelo patriarcado que reforça a opressão sobre as mulheres.
Os movimentos populares defendemos um projeto de vida, frente ao projeto de morte, no qual a produção não seja destruição, mas parte de um processo criativo, sustentável e com justiça social. Estamos expondo a necessidade de colocar em debate um novo ideal de vida frente ao neoliberalismo e às ordens do capital transnacional e seu comando único, que semeia a morte em guerras, invasões, e o avassalamento da soberania dos povos e das nações em todos os continentes.

3. Nossos princípios A integração de nossos povos, desde baixo, partindo dos movimentos populares, e inspirados nas batalhas anti-coloniais, anti-capitalistas, anti-patriarcais e anti-imperialistas, que desde mais de 500 anos vêm tomando forma nestas terras, tem como princípios fundamentais:
- A solidariedade permanente entre os povos, através de ações concretas a cada uma das lutas contra a dominação do capital, e contra todas as formas de opressão e dominação.
- O respeito à autodeterminação dos povos, à soberania nacional e popular.
- A defesa irrestrita da soberania em todas as ordens: política, econômica, social, cultural, territorial,
alimentar, energética.
- A integração tecnológica e produtiva, de acordo com um modelo sustentável, a serviço dos povos.
- A soberania das mulheres sobre seus corpos e sobre suas vidas.
- A formação política de nossos movimentos populares e de nossos povos, para tornarmo-nos sujeitos conscientes na criação histórica.
- A unidade dentro da diversidade cultural, social, e o respeito às diferentes opções sexuais que se expressam em nosso continente.
- A defesa dos direitos dos povos indígenas sobre suas terras e territórios. A demanda aos Estados da regularização com base jurídica dessas terras em favor das comunidades e povos indígenas.
- A defesa do reconhecimento por parte dos Estados, de direitos fundamentais dos povos indígenas, como formas de organização própria, estrutura organizacional, autoridades ancestrais, sistemas jurídicos próprios dos povos, etc.
- A defesa dos direitos humanos das e dos migrantes.
- A defesa da identidade, da cultura, e o respeito pelas formas próprias de inclusão da subjetividade dos povos negros das Américas.
- A plena autonomia dos movimentos populares para definir seus objetivos, suas formas de organização e de luta.
- A recriação de um novo internacionalismo dos povos em luta, através de uma autêntica perspectiva de integração popular que seja plural, horizontal, com uma clara definição ideológica antineoliberal, anticapitalista, antipatriarcal e anti-imperialista.

4. Nossos objetivos
Este processo de integração de movimentos e organizações sociais impulsiona os princípios da ALBA e, por sua vez, quer promover diversos mecanismos e potencialidades que oferece a ALBA, para impulsionar a integração latino-americana desde os povos.

São nossos objetivos:

- A rejeição às políticas, planos e leis de mineração; de petróleo e gás; do agronegócio; do agrocombustiveis; as iniciativas de infra-estrutura do IIRSA, que destroem as comunidades, desconhecem seus direitos fundamentais, eliminam a diversidade cultural, destroem os ecossistemas e o ambiente.
- A denúncia do modelo de agricultura das transnacionais, que se apropriam da natureza e transformam os alimentos em mercadorias, e a proposta de apoiar um modelo de agricultura p o p u l a r, c a m p o n e s a , i n d í g e n a , p r o m o v e n d o a r e f o r m a a g r á r i a i n t e g r a l .
- O repúdio ao pagamento das dívidas ilegítimas e o apoio à luta continental contra o pagamento da dívida externa.
- A luta pelo cancelamento dos tratados de livre comércio com Estados Unidos e a Europa, como o TLCAN, com a América Central, o Chile, Peru; e pela não aprovação do tratado com a Colômbia.
- A defesa do direito das comunidades e habitantes, à moradia e à terra.
- Toda a propriedade tem que ter uma função social coletiva.
- A defesa dos direitos dos desalojados e desalojadas a retornar a suas terras, e ter acesso a todos os direitos humanos e a condições de vida digna onde se encontrem.
- A denúncia do papel das instituições financeiras internacionais como instrumentos do capital.
- A denúncia do uso que faz o sistema capitalista de situações como a mudança climática, a crise alimentar, energética, para promover a privatização e mercantilização da natureza, e impor a liberação do comércio dando maior poder às transnacionais.
- A defesa de nossos territórios, contra a mercantilização e privatização da natureza.
- A defesa do direito ao trabalho, o enfrentamento a todas as medidas neoliberais de flexibilização e precarização trabalhista, de deterioração do salário.
- A promoção em todos os espaços da paridade de gênero, e a luta contra a violência às mulheres, assim como pela possibilidade de decidirem sobre suas próprias vidas.
- A erradicação das diferentes formas de trabalho escravo.
- A denúncia da exploração do trabalho infantil e a luta pela sua erradicação.

5. Nossas prioridades

Nesta primeira etapa de criação de uma integração popular, analisamos como prioridades:
- Elevar a mobilização de massa contra o capital transnacional e os governos que atuam como cúmplices do saque. É a mobilização de massa que criará a força necessária para promover transformações populares.
- Elevar o nível cultural e educacional, e a consciência da população.
- Avançar na formação política dos e das militantes populares. Promover processos de formação política de massa, e impulsionar o trabalho de educação popular nas bases.
- Promover um debate profundo sobre o modelo de desenvolvimento capitalista e sobre a necessidade de gerar modelos alternativos em todos os planos.
- Promover uma batalha continental pela reforma agrária, contra o uso das sementes transgênicas, os agrocombustiveis industriais e o agronegócio em todas suas fases.
- Viabilizar o aporte do trabalho não remunerado das mulheres à economia, e incorporar esse olhar nas lutas e propostas políticas sobre a migração, a soberania alimentar e o modelo de desenvolvimento.
- Desenvolver ações práticas de solidariedade anti-imperialista: frente à repressão; à militarização, tal como se manifesta em nosso continente, através, por exemplo, da implementação do Plano Colômbia e da ocupação do Haiti por tropas de países latino-americanos; contra as bases militares estadunidenses no continente; contra a criminalização dos movimentos sociais; em favor da luta pela liberdade d@s pres@s polític@s.
- Impedir e rejeitar os assassinatos e desaparecimentos forçados de líderes sociais e populares e de seus próximos. Que pare o método de impor o lucro do grande capital e do latifúndio com o sangue do povo.
- Defender a livre circulação das pessoas em nosso continente.
- Contribuir com os planos de cooperação que existem entre os governos da ALBA, assegurando que beneficiem aos setores mais injustiçados de nossos povos.
- Apoiar as iniciativas e desenvolver ações próprias dirigidas a erradicar o analfabetismo em nosso continente.
- Potencializar a comunicação entre os povos, articulando suas redes existentes e criando novas redes onde seja necessário.
- Contribuir para que os e as jovens tenham um espaço fundamental neste projeto, participando a partir seus próprios objetivos, interesses, conceitos e metodologia de construção.
- Promover a organização dos/as trabalhadores/as, impulsionando práticas que promovam a democracia de base e uma autêntica democracia sindical.

6. Metodologias

Um tema fundamental, para respeitar os processos coletivos de construção de nossa integração, é definir uma metodologia que nos permita ir avançando para esse objetivo. Em tal sentido, a proposta que colocamos em discussão parte de:
- Promover processos de integração popular em nossos países. Promover reuniões nacionais para construir uma agenda mínima de trabalho com esta Carta. Este processo de integração buscará contar com mecanismos concretos de unificação das lutas que favoreçam a participação dos movimentos e organizações sociais.
- Organizar um grande debate dos movimentos sociais em todos os níveis, partindo e priorizando o trabalho de base.
- Definir planos de ações que apontem soluções concretas para os problemas cotidiano da população.
- Fazer um diagnóstico que nos permita identificar as nossas próprias forças e definir o espaço estratégico necessário para potencializar.
- Criar uma pedagogia de construção do espaço comum.
- Sustentar e reafirmar a autonomia dos movimentos populares em relação aos governos. Desde essa autonomia, estabelecer uma relação entre os movimentos e governos que promovem a ALBA.
- Organizar o intercâmbio e o conhecimento direto de nossas experiências de construção de poder popular, assim como a coordenação continental das reivindicações e demandas de nossos movimentos territoriais, sindicais, culturais, camponeses e de comunicação popular.

7. Avançar agora

No novo contexto latino-americano, há numerosas oportunidades para ir gestando uma nova ofensiva dos povos. Mas existem também muitas ameaças aos processos em andamento. É impossível enfrentar as políticas do grande capital transnacional e do imperialismo desde as resistências dispersas de nossos povos. Não é possível também delegar os processos de integração latino-americana aos governos (por mais que estes tenham uma responsabilidade indiscutível em promovê-la). O que se avançar desde os governos nesta direção, será um estímulo à criação de laços de cooperação solidárias, que apoiaremos e sustentaremos como parte das lutas antiimperialistas. Mas é imprescindível estimular processos de integração baseados em um poder popular, criado desde as raízes mesmas da luta histórica de nosso continente.
E é necessário avançar agora superando sectarismos, cálculos estreitos, mesquinharias. É necessário avançar agora para que preparemos a plataforma de unidade que permita sustentar e defender as lutas, por uma nova independência latino-americana, dos povos e para os povos; por uma integração popular; pela vida; pela justiça; pela paz; pela soberania; pela identidade; pela igualdade; pela liberdade da América Latina; por uma autêntica emancipação que tenha em seu horizonte o socialismo.

CONVOCAÇÃO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS DAS AMÉRICAS

Desde Belém, onde nos reunimos centenas de movimentos sociais de todos os países das Américas que nos identificamos com o processo de construção da ALBA, nos convocamos e nos comprometemos a:
1. Em cada país realizar plenárias nacionais que gerem coletivos unitários de construção da ALBA.
2. Promover um grande encontro continental de todos os movimentos para o segundo semestre de 2009, em caminho à articulação dos Movimentos Sociais com a ALBA.
3. Colocar todas as nossas energias para a Mobilização Mundial Contra a Guerra e a Crise, na semana de 28 março a 4 de abril, reforçando o dia 30 de março, como dia de mobilização continental.
4. Participar de forma ativa nas mobilizações e nas jornadas de lutas de 8 de março; 17 de abril; 1 de maio e 12 de outubro, como datas históricas de nossos povos.
5. Seguir impulsionando a solidariedade concreta com os povos em luta contra o império no Haiti, Colômbia, Cuba, Venezuela e Bolívia.
5. Seguir impulsionando as ações concretas de construção da ALBA, como os programas: ELAM, de alfabetização de adultos, os cursos latinos da ENFF, o IALA, a Operação Milagro, etc.
“A unidade e integração de Nossa América está em nosso horizonte e é nosso caminho.”
Belém, 30 de janeiro de 2009

16/3/2009

Azeredo: mosca da fruta

Filed under: HAckeandO CATATAU — lucio @ 5:37 pm

Eduardo Azeredo é um grande peso político do PSDB e senador por Minas Gerais. É conhecido pelo seu grande apreço pela democracia, que o levou a elaborar em 2006 um AI-5 da Internet projeto de lei visando a segurança do internauta brasileiro, que o obrigaria a se identificar para interagir com a Net.

Quando foi governador de Minas Gerais, Azeredo privatizou a CEMIG, companhia elétrica do Estado de Minas , obviamente levou a sua parte e tratou de remeter a um paraíso fiscal qualquer.Azeredo e sua gangue são os pais genéticos de Marcos Valério .

Segundo Azeredo, o projeto de restrição à liberdade da Net citado acima, visava a evitar a ocorrência de crimes online , fraudes e furto de massa cerebral pela cyber-dyne. Uma medida admirável, sem dúvida. Quanto menos ladrão na praça melhor, enfim a concorrência anda dura!
Eduardo Azevedo hoje em dia trabalha em um programa infantil e ensina as criancinhas a lavar

Recentemente, Azeredo se viu denunciado por desvio de dinheiro público e caixa dois feitos em 1998, com a ajuda de Lex Luthor. As acusações são obivamente falsas, pois, de acordo com as leis fundamentais da física elaboradas pela Veja, a corrupção no Brasil foi implantada pelo governo Lula. Antes disso, vivíamos em uma terra das maravilhas onde a grama era de chocolate e os rios eram de suco de morango. Tal período de nossa história foi esquecido devido à lavagem cerebral promovida pelo PT por meio dos cyber-gremlins.

fonte: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Eduardo_Azeredo

15/3/2009

produção em série: esse som é um mistério

Filed under: HAckeandO CATATAU — vitoriamario @ 10:01 pm

Arte e conhecimento tecnológico compartilhados (1)

A coisa

Um poster retrabalhado com pinturas, rabiscos, grafite, escritos, anotações, colagens e agregações de dispositivos eletrônicos e computacionais. Esse som é um mistério: produção em série, um trabalho de Glerm Soares, do coletivo Orquestra Organismo.

As partes mais evidentemente tecnológicas compõem um hardware dedicado a áudio, uma pequena placa com os componentes de um microprocessador, ao qual somam-se um alto-falante, uma bateria, um joystick e seus respectivos cabos de conexão. Ligada, a obra repetidamente pronuncia a frase: “produção em série”. Uma fala maquinal, soando estranha e indefinida nos primeiros momentos, parecendo também dizer outros enunciados, como: “começou o ensaio”. Não há um player onde se acoplaria uma mídia avulsa analógica ou digital. O áudio modulado em números está gravado na memória do próprio hardware.

Aparência; o além da imagem; os layers de conceito; interfaces entre arte e tecnologia.

Na apreensão visual imediata, a plasticidade espontânea, caótica, expressiva e eclética sobreposta à imagem de um poster (2). Aparências e vínculos de conteúdo com a imagética dadaísta, fluxista, psicodélica, cyberpunk.

A rastreabilidade de contextos - lastros interpretativos - com cada elemento visual da colagem e suas interconexões de significados passam longe de uma leitura linear, há tramas de linguagem intencionais, outras casuais, e algumas soldas entre elas (3). Não se trata de uma espontaneidade somente lírica ou gestual: o quadro é o receptáculo de um turbilhão de idéias. É simultaneamente uma crítica cultural aos saberes e fazeres tecnológicos subservientes à indústria capitalista e também uma explícita ironia à arte da pintura, especialmente aquela que quer se restringir, ainda hoje, ao exclusivo jogo da linguagem visual.

As idéias sobrepujam qualquer busca do belo, equilíbrio compositivo, qualquer referência restrita ao campo das artes visuais. O diálogo com a tradição da pintura e/ou da “Arte ocidental” ocorre na freqüência anti-arte. Arte de contra-cultura, subversiva. Há um repertório de anti-arte dentro da história da arte; se buscarmos algum campo de afinidade, esse é um deles.

Outro contexto afim é a arte conceitual, entretanto, num viés diferente da tradição que privilegia a escrita (como Joseph Kosuth), e num caminho também distinto do conceitual que materializa-se organizada e sinteticamente em objetos e instalações, com suas imanências de significados culturais (como Cildo Meireles). O conceitual aqui é de aparência e consistência cumulativa e caótica. Se Catatau é o tupiniquim Finnegans Wake joyciano, leminskiano, imagine Hackeando catatau: “a justa razão aqui delira”, outra vez. Hackear Catatau diz muito sobre a filosofia do proceso em questão. Diz algo, ao menos; e mais pode ser encontrado no site homônimo do coletivo na internet. Uma tendência contemporânea essa, a da aleatória disponibilização de dados, onde os contextos acessados continuam agrupados em camadas entrópicas de informação, num denso subsolo disponível para diferentes percursos a serem trilhados por novos exploradores. Navegação intersemiótica aberta, curadoria do usuário, busca motivada pelo desejo do momento, tendências de afinidade agrupadas por inteligência artificial após uma ignição de escolha humana. Em meio a narrativas, interpretações e contextos que continuam sendo necessários de serem revisitados, reinventados, organizados e produzidos no espaço/tempo contemporâneo, para que a vida não fique confinada nas freqüências dos ventríloquos do discurso oficial, as possibilidades mais anárquicas de comunicação também reinvindicam seu modo de existir. Hackear Catatau, “pois”…

O ambiente transdiciplinar associado às relações entre arte e ciência evidenciam outra área de interesse. Os antecedentes históricos e possíveis campos relacionais são muitos, entre artistas, acontecimentos e teorias. Leonardo da Vinci, László Moholy-Nagy, Bauhaus, Jean Tinguely, Abraham Palatnik, Waldemar Cordeiro, Eduardo Kac, Corpos Informáticos, Paulo Bruscky, Vilém Flusser, etc. Para Glerm, Lúcio Araújo e Simone Bittencourt, parceiros de mais longa data entre os componentes da Orquestra Organismo (4), talvez parte dessas referências - as mais focadas no campo das artes plásticas - não sejam tão fundamentais em suas trajetórias, visto que o percurso do grupo origina-se na música (Boi Mamão, Estúdio Matema, Vitoriamario, Rádio Macumba e Malditos Ácaros do Microcosmos), caminho ao longo do qual foram incorporando o instrumental e a sonoridade eletrônica (5). Daí para a busca do entendimento das lógicas funcionais e de produção dos instrumentos foi um passo. E uma jornada ainda em curso. Isso sem falar nas investidas de aprendizagem nas áreas da matemática, antropologia e psicologia. Entre referenciais e repertórios de influências musicais do grupo, outros e muitos são os nomes que transitam por suas memórias (ver entrevista abaixo). E no campo das investigações computacionais e da comunicação pela internet, pesquisadores e ativistas como Richard Stallman, Linus Torvalds, Tim Berners são presenças muito mais próximas e intensas que a de artistas visuais. Agora tudo se mistura novamente, a mixagem se amplia: música, ciência da computação, crítica cultural, artes plásticas: Interfaces.

Pensando os pensamentos, ainda: os acumulados, os escritos, e, inclusive, os anunciados através dos objetos e suas imanências de valor cultural, funcionalidades e re-funcionalidades ali na obra aplicadas. Esses pensamentos sobreagregados focam na crítica do establishment da sociedade contemporânea - com sua lógica de produção em massa, mecanicista e alienada, que aniquila as subjetividades dos indivíduos. Esses pensamentos críticos não são colocados somente como tema ou referência, eles são também matéria e linguagem. Eles propõem também uma conduta: o sujeito, além de usuário e consumidor das tecnologias contemporâneas, pode e deveria ser, simultaneamente, um entendedor, experimentador e/ou desenvolvedor criativo da ciência, em seu próprio cotidiano (ao menos na relação com instrumentos tecnológicos dos quais faz uso, o que já não seria pouco). No âmbito da ciência da computação, essa atitude converge para as políticas ciberatisvistas, propagadoras da inclusão digital, da cultura dos códigos livres e da humanização das máquinas, principalmente através das atuações das comunidades de software e hardware livre. A ciência e a tecnologia a serviço de uma vida mais criativa e libertária, ao invés de sua aplicação hegemônica na atualidade, sendo ferramenta para desenvolvimento de produtos para competição capitalista, concentração de poder e riquezas, exclusão social, fomento à guerra. Mesmo sabendo-se uma pequena peça quase imperceptível no meio da grande engrenagem, a obra Esse som é um mistério: produção em série vislumbra uma outra humanidade, não vitimada por uma de suas criações, a tecnologia. Como parte dessa grande engrenagem, a obra é, por um lado, objeto de sabotagem largado em meio à máquina, desejando e incidindo no colapso total do macrossistema. E por outro lado, é proposição recodificante de atuação prática coletiva. Assim, na síntese de desejos, pensamentos e materialidades, a obra é também um manifesto.

Conhecimento tecnológico compartilhado

ou

desalienação do circuito de produção tecnológica

ou

desideologização do capitalismo inserido nos circuitos industriais de produção tecnológica

“Não há um player onde se acoplaria uma mídia avulsa analógica ou digital. O áudio modulado em números está gravado na memória do próprio hardware”. Esse som é um mistério: produção em série é uma obra específica, singular. Condensa conhecimento e é protótipo de um fazer tecnológico. Incidindo sobre si mesmo, como pensamento redundante, autocrítico, e sendo ao mesmo tempo exemplo de artesania computacional e experiência criativa, o trabalho é crítica da cultura contemporânea, conhecimento tecnológico compartilhado, objeto cultural anti-industrial, desalienação do circuito de produção tecnológica, desmistificação da tecnologia. É uma deseideologização do capitalismo inserido nos circuitos industriais de produção tecnológica, fazendo aqui analogia à proposta Insersões em Circuitos Ideológicos - Projeto Coca-cola, de Cildo Meireles (6):

“Por pressuposto, a arte teria uma função social e teria mais meios de ser densamente consciente. Maior densidade de consciência em relação à sociedade da qual emerge. E o papel da indústria é exatamente o contrário disso. Tal qual existe hoje, a força da indústria se baseia no maior coeficiente possível de alienação. Então as anortações sobre o projeto “Inserções em circuitos ideológicos” opunham justamente arte à indústria.”

Se em Cildo o projeto caracteriza-se na identificação de um circuito idustrial (e alienante) no qual a inserção (consciência) age num processo subversivo, em Esse som é um mistério: produção em série, há a tomada de consciência e compartilhamento dos saberes da produção tecnológica, o que, dentro da lógica vigente, já é ação subversiva (bastaria lembrar algumas das práticas das grandes corporaões empresariais: controle de patentes, segredo industrial, domínio de mercado, segmentação alienada das etapas do trabalho, produção e consumo em larga escala, etc). Há ainda o convite à participação, o “insira algo no circuito”. Com essa chamada, a noção de circuito evoca outros dois sentidos: o circuito eletrônico específico do trabalho e o circuito do conhecimento compartilhado, construído nas redes relacionais entre pessoas, na participação, na articulação de circuitos artísticos autodependentes. Em Cildo a participação é também base para a potencializar a ação.

Considerando as questões tocadas pelo trabalho específico, e, genericamente, as produções do coletivo Orquetra Organismo, pontes reflexivas poderiam ser construídas sobre a questão arte e tecnologia, reprodutibilidade técnica, produção em série. Haveria um repertório de negação a ser acessado quando esses conteúdos fossem associados à estratégia pop de Andy Warhol, replicante de imagens da indústria, inclusive da indústria cultural, talvez irônico em algum sentido, certamente bastante condenscendente com o status quo, inclusive pela forma e conteúdos com os quais construía sua própria carreira e imagem pública. Por outro lado, surgiriam afinidades com a teoria de Walter Benjamin, por exemplo, ao aproximarmos as estratégias de veiculação e participação pela internet empreendidas pela Orquestra Organismo a alguns apontamentos de Benjamin em A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (7), no sentido da potencialização política oportunizada pela maior circulação de uma obra de arte reproduzida tecnicamente. O que também confluiria afirmativamente para ideários comuns é a vontade do envolvimento entre artistas, técnicos e comunidade, num processo coletivo, inclusivo, e focado no compartilhamento de saberes, como nas reflexões do texto O artista como produtor (8). E muitas outras conexões teórico/práticas poderiam ser feitas. Arte, ciência e tecnologia proporcionam um campo transdiciplinar para a investigação contemporânea, seja do presente ou do passado, em seus diferentes contextos.

Os comentários aqui elaborados poderiam estender-se para outras obras realizadas por Glerm Soares, assim como para outros trabalhos do coletivo Orquestra Organismo, o Toscolão, o manto polifônico, o painel eletrônico Não ouse amar o erro… Tendo a obra a dimensão de um manifesto dentro de si, o reverso de um comentário específico pode também se dar: falar sobre a obra é também falar sobre as produções do grupo, ainda que cada investigação tenha campos específicos de experimento tecnológico.E daí em diante, seria também falar sobre o ideário de outros grupos afins, como o Estúdio Livre, o Descentro, o Ystilingue. E falar de parte de uma cena do ativismo cultural contemporâneo, cujo ambiente de atuação é também uma interface entre grupos de autogestão de artistas e ciberativistas.

Aquele poster que serviu de suporte e base para a apropriação e reciclagem - lixo encontrado numa rua de Curitiba (trash object trouvé) – também pode tornar-se alvo num sentido crítico similar ao dito sobre a alienação dos processos industriais capitalistas, a tal “produção em série”. O referido poster pop serial é imagem esteriotipada reproduzida em série. A própria busca de estilo, no campo da arte, é algo fadado à alienação, à repetição de padronagens de pensamentos e formas, fórmulas, artesanato cerebral: “o estilo, seja das mãos, seja da cabeça (do raciocínio), é uma anomalia” (9). O serial nesse caso seria a estereotipação dos pensamentos e dos sentidos levado à escala de múltiplo; num contexto bastante diverso daqueles desejos libertáros impactantes visualisados por Benjamin ao argumentar sobre a arte reproduzível tecnicamente. O estilo, a subserviência ao mercado de arte e a crença de que arte é produto blindado a seu entorno social formam as bases do trabalho de arte anestesiado e alienado. Muito além da visualidade, o artista opera, através da linguagem, sobre as lógicas dos acontecimentos culturais, sobre o imaginário coletivo. Diferente de atrofiar-se no estilo individual e na podução em série, o artista expande-se no compartilhamento de consciência crítica, sensorial e afetiva. Mais engajamento com a vida e a liberdade, essas são algumas das bases psíquicas e comportamentais do trabalho do artista, alguns de seus desejos, em qualquer época. As utopias continuam a existir. Esse som é um mistério, como a vida.

Mamelucovich, Cachoeira dos Descartógrafos, ano do boi.

NOTAS

1.

Este texto foi motivado por uma troca simbólica proposta a mim por Glerm Soares, conforme relato que segue: “Recebi de Glerm em novembro de 2007, em mãos, uma obra chamada Esse som é um mistério: produção em série. Eu havia acompanhado alguns momentos da construção do trabalho na casa 818, paragem temporária do coletivo Orquestra Organismo. Ao ver a coisa pronta, se é que chegou ao fim, gostei. Empatia pela aparência/conteúdo/processo. Layers de idéias, fazeres e ironias sobre arte e indústria. Foi uma satisfação receber o presente. Recentemente chegou por email o convite para elaborar um relato da experiência com a obra, alguma troca relacional, perspectiva de participação essa denominada “insira algo no circuito”. Isso como uma ação complemetar à montagem da exposição Interfaces, empreendida pelo coletivo no Solar do Barão, resultado de um ano de pesquisa oportunizado pelo projeto Bolsa Produção em Artes Visuais, da Fundação Cultural de Curitiba, edital público do qual o Orquestra Organismo foi um dos contemplados. A exposição abre amanhã… Optei por escrever um texto para o “insira algo no circuito”: Arte e conhecimento tecnológico compartilhados. Com a escrita em curso, surgiu a idéia de fazer também uma pequena inserção no próprio trabalho… Tá (quase) lá (a obra está na exposição agora). No meio do processo senti ainda a necessidade de elaborar algumas perguntas a Glerm, para tirar certas dúvidas sobre o trabalho e sobre a história do coletivo. Frente às generosas respostas dadas, resolvi incorporar a conversa por email como uma entrevista - Brainstorm sobre terramotors de bits - a qual segue logo após o texto. Aquela vontade de contextualizar os acontecimentos a partir de certa base de valores dos quais também me sinto cúmplice. Goto, Curitiba, 03/03/2009.”

2.

Em exercício de arqueologia da cultura pop, rastreou-se o poster encontrado na rua que serviu de suporte para as derivações artísticas da obra Esse som é um mistério: produção em série. Trata-se de um desenho da artista (???) estadunidense Sara Moon, Girls by the fontain, de 1985.

3.

Alguma semântica sobre a imagética do poster: ele comunica pela escrita, através de um pequeno cartaz de divulgação, o horário de atendimento do serviço prestado ao público, somente para dias úteis e sábados; dias inúteis sem previsão. Essa mensagem associada às figuras humanóides ali representadas e demais plasticidades acrescidas levam a algumas dúvidas sobre qual seria, afinal, o tal serviço ofertado: uma clínica de telepatas, de mestres em hipnose, de videntes místicas, de emissárias de abduções, de massagem alucinatória tecno-erótica? Isso porque a clareza e a beleza idealizada (e estereotipada) das representações gráficas femininas que permanecem residuais no desenho evanesceram-se numa atmosfera psíquica e fantasmagórica. Os rostos das garotas estão desfigurados e diluem-se na presentificação da imagem, na des-paisagem, na negação da perspectiva e de representações realistas. Áreas de pintura chapada, escritas, linhas ortogonais grafitadas, sobreposição de colagens e objetos. Cabelos verdes esvoaçantes, desproporcionais, tornados grafismos. Um joystick está cravado na testa de uma das garotas (on/off da terceira visão?), enquanto a outra expande-se em barbas pela face, instanteaneamente congelada na lembrança de um eventual e andrógino ser do Planeta dos Macacos. Há ainda um poético instrumento de solda colado ao lado de um bucólico pincel de pintura. Duas linhas perpendiculares encontram-se na lateral esquerda do quadro, referindo-se às dimensões bidimensionais do próprio suporte da obra, sua altura e comprimento: talvez indício autoreferente de quantos centímetros quadrados de arte há, numa improvável cobiça por alguma cotação monetária avantajada por árrea de trabalho artístico realizado. Há alguns componentes eletrônicos colados também, como dito. E eles funcionam… Conectando os cabos e mexendo no joystick, um pequeno altofalante emite a frase: “produção em série”. Enfim, loucurada. Além do que a obra está mais para patinho feio e Malasartes que para uma obra de Belas Artes. (Ver Nota (10))

4.

Além da base estruturante do grupo, formada por Glerm, Simone e Lúcio, também participam do coletivo os artistas Octávio Camargo e Claudia Washington. O grupo está aberto a novas participações.

5.

Dentre eles, Lúcio é o único com formação específica em artes visuais, mesmo vindo também da música. Claudia, a mais recente colaboradora do grupo, também tem formação em artes visuais.

6.

MEIRELES, Cildo. Inserções e Circuitos Ideológicos. Rio de Janeiro: Coleção ABC – Funarte, 1970. p.22

7.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In:_. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1984.p. 165.

8.

. O autor como produtor. In: idem Nota (5). p. 120.

9.

MEIRELES, Cildo. Inserções e Circuitos Ideológicos. Idem Nota (4). p.24

10.

As Notas (1) e (2) acima escritas, interpretativas sobre a imagética da obra, tornam-se quase desnecessárias ao texto, supérflua busca de contexto na visualidade non-sense, iconoclasta e escrachante. Exercício digressivo de semântica sobre a aparência das coisas, pensamento transcendente. Paradoxal rastreabilidade de significados da imagem num processo de trabalho intencionalmente construído para negar justamente a supremacia da imagem sobre os conteúdos. Ainda assim, quase supérfluas, as notas trazem dados sobre tudo aquilo que não importa e é negado, reforçando talvez as opções escolhidas, aquelas que apontam a articulação de conteúdos, a aplicação de conhecimento e o fazer consciente como fundamentais. Assim colocadas, essas notas esperam ter ganho sua razão de existir.
Brainstorm sobre terramotors de bits
(Mamelucovich) No trabalho Esse som é um mistério: produção em série, o que é aquela chapa onde estão fixados alguns componentes eletrônicos do harware de áudio? É o arduíno?
(Glerm Soares) É uma placa derivada do projeto arduino,mas com projeto minimalista redesenhado a mão e batizado de “toscolino”.
Na exposiçao estamos tentando ao máximo usar placas que foram totalmente projetadas por nós mesmos.
A chapa daquele quadro específicamente fui eu que fiz, desenhei a trilha a mão e queimei no percloreto.
Já o projeto arduino pode ser descrito como - um dos primeiros projeto de hardware livre que seguindo os passos do que aconteceu com o software decidiu licenciar todo o projeto de desenho da engenharia de hardware sob licença copyleft, do tipo creative commons. Este projeto ficou conhecido por ter uma abordagem de desmistificar o mundo dos microprocessadores dentro de cenários mais artísticos e hacktivistas.
(http://arduino.cc)
Derivando da música, dá para dizer que alguns antecedentes do coletivo Orquestra Organismo foram o Boi Mamão e Estúdio Matema. Que outras configurações ou bandas ou grupos vocẽs formaram?
Vitoriamario, Rádio Macumba e Malditos Ácaros do Microcosmos.
Este último com incursão pelo terreno dramaturgico com a peça Malditos somos nós tentando ser nós mesmos…
Quais músicos de alguma forma podem ter sido influência ou dialogam com o trabalho que vcs fazem?
essa lista é bem díficil mesmo.
porque tem aqueles que soam e inexplicavelmente influenciam a audição, diariamente, independente de sua trajetória… e aqueles que tem uma trajetória as vezes até maior que sua obra musical.
por mim eu diria que influencia-me toda música que conduz o ouvinte por dentro do inesperado, e pra isso toda tentativa de vencer os canônes da música “maior-menor” que foi toda empalada de arestas pelas cruzadas “civilizatórias”… mas de qualquer forma sempre restam bases pros hinos que batizaram-nos com sobrenomes.
Quem são os caras que criaram, desenvolveram e influenciam as redes de desenvolvimento de software livre e pesquisa em computação?
acho que você está falando do Richard STALLMAN… ele é o filósofo por trás da licença GPL -e cunhou a filosofia das 4 liberdades -

1.

A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)

2.

A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

3.

A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).

4.

A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles (liberdade nº 3). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
Já o linux foi um dos primeiros sistemas operacionais a usar esta licença e alguns aplicativos que foram desenvolvidos a partir dela. O criador da parte central do linux é um finlândes chamado Linus Torvalds.
Além disso e das licenças,você pode por exemplo lembrar que o cara chamado Tim Berners Lee, que é o cara que inventou a web como conhecemos - aquilo que entendemos por “html” - navegadores com links, fotos diagramadas numa página com barra de rolagem e os protocolos, etc… o fez de uma maneira aberta e foi ali que a internet explodiu…
*curiosidade - primeira página web da história: http://www.w3.org/History/19921103-hypertext/hypertext/WWW/News/9201.html
As modulações gráficas que vc fez nas experiências Curadoria e Esse som é um mistério: produção em série são somente numéricas ou há combinações entre números e letras?
é uma conversão direta de um formato digital usado industrialmente - o wav , um padrão que considera as necessidades da indústria , como o numero de bits que utiliza um CD ou DVD ou a velocidade da placa de som do computador -> para um formato cru, operando em ciclos de 8 bits contendo 8000 amostras em cada segundo (os toscolinos são como computadores pré-históricos de 8 bits, os atuais usam 32 ou 64 e suas placas de som operam a 48mil amostras por segundo)
Pra isso estamos considerando todos os parametros elétricos possíveis de acontecer com um pequeno auto-falante de 0.5 watt controlado diretamente pelo microprocessador recortando 1 segundo em 8000 frames microsonoros.
Para entender a técnica é preciso “fotografar” os movimentos do autofalante em microsegundos de tempo e considerar essa movimentação derivada do impulso elétrico necessario para movê-lo. Essa “modulação númerica” que você se refere, é como pensar em uma palavra como um tipo de “bólide sonoro”, recortando 1 segundo com cada vogal e consoante que a palavra pede e fazendo uma escultura perceptível pela audição.
Além do Esse som é um mistério: produlão em série, Toscolão, Manto polifônico, Curadoria, a TV que o Lúcio estava mexendo (com que nome ficou, mesmo?) e aquele painel eletrõnico, que outros trabalhos vocês estarão exibindo no Solar do Barão?
os trabalhos estão sempre em processo. chegamos a conclusão que eles nunca estão satisfatóriamente terminados pois são declaradamente experimentos e fazê-los ou consertá-los em frente aos interessados acabou inevitavelmente tornando-se parte do trabalho.
tem algumas dessas coisas semi-prontas que você citou, mas nao sei se tem títulos e provavelmente tendem a serem acopladas entre si gerando novos derivados.
o painel eletrônico já está instalado e esta exibindo a seguinte frase: “Não ouse amar o erro”…
estou terminando também um protótipo de bateria-robô que vai servir de suporte para algum tipo de oferenda percussiva pós-industrial
também tem um software livre que eu desenvolvi, chamado navalha, que pode ser baixado pelo estudiolivre (onde também tem uma descrição de sua interface):
http://www.estudiolivre.org/tiki-index.php?page=Navalha
Continuando aqui, na real, tentando entender o que eu entendo sobre o que vcs fazem, contextualizando as coisas…
nós também, tentando entender.
valeu o brainstorm

Mamelucovich

1/3/2009

Convite Exposição 3a Bolsa Produção Artes Visuais

Filed under: HAckeandO CATATAU, interfaces — lucio @ 12:03 pm

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