13/6/2009
11/6/2009
10/5/2009
A obsolescência de nossos backups
(11:17:48) lucio: Olás!
(11:21:20) glerm: Olá!
(11:21:26) lucidasans: Aei…
(11:21:32) lucio: Bom, a Claudia está na escola, mas creio que ela gostaria de participar dessa conversa.
(11:21:49) lucidasans: Acho que a conversa pode ser em etapas, o Octavio também não está online.
(11:22:05) lucio: Podemos repetir a tentativa mais tarde com o Octavio e a Claudia.
(11:22:15) lucidasans: Temos que rever o material.
(11:23:33) lucio: Como passei pra vocês, temos mais alguns cds com algumas especificidades de conteudo para entregar. Mas é tranquilo, pois a base é o cd anterior que já enviamos pra ação educativa. Tem algumas coisas que não cabem pra nós, tipo: foto do grupo.
(11:25:06) lucidasans: Podia ser a foto do depósito da Santa Efigênia?
(11:25:15) lucio: Nem sei se temos uma imagem com todos juntos.
(11:25:25) lucidasans: Acho que não há.
(11:25:31) glerm: Na foto da Santa Efigênia há umas cinco pessoas.
(11:25:32) lucidasans: Tipo banda ou time de futebol.
(11:25:35) glerm: É o grupo, contando o cachorro da seis.
(11:26:09) lucio: Passa essa imagem pra eu ver.
(11:26:12) lucidasans: Não dá, o cabo usb está aí na 818. É uma imagem estranha, tipo um fosso.
(11:26:43) glerm: Cara, é um fosso não dá pra acreditar, parece aquele cofre do tio patinhas cheio de placa de computador. A imagem nem dá conta da vertigem que era o lugar.
(11:27:39) lucidasans: Pena que a câmera não pegou a profundidade de campo.
(11:28:40) glerm: O Octavio está escrevendo todas músicas dele em partitura. Vou passar pra midi.
(11:28:57) lucidasans: Eu estava vendo se convencia o Octavio a escrever pra Guitar Hero.
(11:28:59) glerm: E fazer algo com isso lá.
(11:29:12) lucidasans: De midi vai pra Guitar Hero?
(11:29:17) glerm: Sim.
(11:29:26) lucidasans: E depois pra Frets on fire. Haha, acho que tem a ver com o humor de canções.
(11:30:48) lucio: Vocês vem no 818 a noite?
(11:30:55) lucidasans: Sim, meus arquivos estão aí, tenho quase nada aqui no Eee pra pensar em catálogo.
(11:31:14) lucio: Com relação ao espaço do Solar, pensei em um espaço auto gestionado.
(11:31:38) glerm: Meu relato do Campus Party.
(11:31:49) lucio: De certa forma como o 818 foi.
(11:31:51) lucidasans: Como assim auto gestionado?
(11:32:15) glerm: Vou ter que desabafar aqui. Não consegui a concentração que queria para trabalhar na proposta do “Bits e Volts na Unha”. Era necessário uma concentração meditativa para pensar em lógica binária ali na mesa, fazendo uma regressão aos primórdios da eletrônica analógica sendo digitalizada, desmistificando a necessidade do rigor acadêmico para sacar o assunto, mas aprofundando a parte atômica da coisa. Tipo “da onde vieram os bebês?”. Pensando bem, é muito triste isso, só falta cortar uma orelha.
(11:33:05) lucio: Sem hierarquias, principalmente com relação a qualquer tipo de dicotomia entre os seres que estiverem no lugar.
(11:33:06) glerm: Não quero expor isso, mas fica aqui registrado.
(11:33:09) lucidasans: A própria orelha ou a do soldado?
(11:33:50) glerm: Lúcio, a gente tem que pensar na problemática de ter que ficar batendo ponto lá.
(11:33:53) lucidasans: Mas são necessários dispositivos bastante ativos para garantir a não hierarquia.
(11:34:25) glerm: Como a gente vai resolver isso? Vai haver datas, horários?
(11:34:37) lucidasans: Não prometemos datas e horários fixos.
(11:35:00) glerm: Sim, mas o papo aqui está em torno de um projeto tipo o Desafiatlux.
(11:35:09) lucio: Entendo Simone, neste caso já existe uma hierarquia, que como o Glerm disse - a Fundação, mais especificamente o Solar, impõe.
(11:35:29) lucidasans: Oposição público-artista?
(11:36:02) lucio: Desconsiderando essa de público-artista… No entanto há um exercício.
(11:36:31) lucidasans: Quando eu falei que era preciso ativar a desierarquia é porque também acho que já exista uma hierarquia natural naquele espaço, então estamos de acordo.
(11:36:56) lucio: Como essas etapas de documentação - catálogos oficiais, etc… que passam por uma forma de definição de quem são os propositores. Desse modo, a ocupação fala desse embate também.
(11:38:55) lucidasans: Entre propositores, interventores, consumidores?
(11:40:06) lucio: Sim, uma porção de delimitações – edital, espaço pré-demarcado de atuação, horários, etapas, agendamentos - um jogo.
(11:40:32) glerm: Mas interfaces é o que? Uma interface entre o jogo e o não-jogo?
(11:41:09) lucio: Dentro desse jogo é que se dilui nossa intenção. Esse jogo se chama instituição.
(11:41:53) lucidasans: Eu acho que invariavelmente é um jogo com máquinas, sejam as computacionais, sejam as burocráticas ou as conservas culturais.
(11:42:39) lucio: Como dialogar e diluir em espaços com regras bem definidas?
(11:42:43) glerm: Eu acho que esse jogo se chama retórica, porque não existe a não-instituição, isso seria a não-linguagem.
(11:43:28) lucio: É prática tambám.
(11:44:05) lucidasans: Sim, um jogo entre instituições.
(11:44:25) glerm: O que é o lixo?
(11:44:59) lucidasans: Diluir para neutralizar ou para prevalecer?
(11:45:48) glerm: Vamos pra gaza?
(11:46:20) lucidasans: Gaza está cheia de corpos, você fala ir físico-newtonianamente?
(11:46:46) glerm: Vi a apresentação do Balbino e do Alê no Transmediale09, um grande evento de “Arte e Tecnologia”. Um cara de Burkina Faso me chamou atenção. Ele mostrou uma comunidade que fazia suas escolas, desde fazer os tijolos… Então ele tentava explicar que aquilo era feito pela necessidade, muito mais do que pra mostrar ali, mas as pessoas ainda ficavam perguntando das escolhas arquitetônicas deles, tipo porque teto era alto e uma hora ele falou: “eu estou aqui sobretudo pra convidar vocês pra irem lá, vamos?”. Acho que ele vai conseguir um dinheiro pra fazer mais tijolos, mas não sei se estas pessoas irão até lá. Mas já sei o que eles vão ter que ensinar nessas escolas. O que isso tem a ver com o “Interfaces”?
(11:49:46) lucidasans: Atá porque dá pra conseguir muito tijolo pelo valor da gasolina azul.
(11:49:47) glerm: Não sei, retórica - “carnaval malandros e heróis”.
(11:50:09) lucidasans: Tinha uma inscrição do discurso dele no Transmediale que ele explicou no começo.
(11:50:14) glerm: Alegoria - nota ().
(11:50:20) lucio: No caso – prevalecer/neutralizar/retórica - Quais as alternativas práticas? Continuar, parar, pular, voltar, esquecer, lembrar, rir. Uma lista de ações, quais as regras e antiregras dessa situação?
(11:55:53) gler1 [n=glerm@189.34.70.224] entrou na sala.
(11:55:55) lucio: Em meio a qualquer tipo de tática de objetivação, a um caos pseudo-organizado, como é essa sensação de diluição?
(11:56:04) gler1: Caí, perdi um monte…
(11:56:26) lucio: Tem dois de Glerms na sala.
(11:56:37) gler1: Um deles eu perdi o link.
(11:57:03) lucio: Os Glerms se multiplicam.
(11:57:30) gler1: É um link perdido, a Simone está fora também. Onde parou a conversa?
(11:58:03) lucidasan1 [n=ieieie@189.34.70.224] entrou na sala.
(11:58:03) gler1: Cola aqui.
(11:58:08) lucio: Também passamos pelo sentimento da perda.
(11:58:11) claudi1 [n=claudia@189.4.43.181] entrou na sala.
(11:58:24) lucio: Oi Claudia!
(11:58:30) lucidasan1: Oi Claudia!
(11:58:33) claudi1: Oi!
(11:58:33) gler1: aqui ta como claud1
(11:58:51) claudi1: Deixa assim.
(11:59:07) lucio: Claudia, estamos conversando sobre multiplicações e diluições.
(11:59:21) gler1 mudou seu apelido para glermglerm
(11:59:58) claudi1: Multiplicações - Questões monetárias?
(12:00:29) lucio: Questões de duplicação de personas.
(12:00:44) lucidasan1: Onde estavam as multiplicações no assunto das intenções mesmo?
(12:00:54) glermglerm: Acho que a gente estava falando sobre “interfaces”.
(12:01:09) lucidasan1: Se interfaces era um jogo com máquinas.
(12:01:15) glermglerm: void()
(12:01:31) lucio: Qual era nossa intenção inicial quanto ao Interfaces?
(12:01:39) lucidasan1: E se era possível declarar essas variáveis antes demais nada.
(12:02:27) lucio: Cabe ser fiéis a essas intenções?
(12:02:52) claudi1: Somos o que resta das diluições, multiplicações, intenções.
(12:03:25) glermglerm mudou seu apelido para guilhermerafaels
(12:03:36) lucio: Isso já é um estrago em tanto.
(12:03:40) guilhermerafaels mudou seu apelido para rafaelsoares
(12:03:57) claudi1: O que resta?
(12:04:11) lucio: Um novo nós…
(12:04:15) rafaelsoares mudou seu apelido para rg60166498
(12:04:52) rg60166498: Eu não acredito em mim, muito menos em vocês.
(12:04:59) lucidasan1: Pra haver um novo nós precisa haver um novo outros, senão não é nós-outros.
(12:05:05) claudi1: Eu também não.
(12:05:34) lucidasan1: Tudo bem Glerm, mim também não acredita em eu.
(12:05:34) rg60166498: Acho que é tudo sobre um dinheiro.
(12:05:35) lucio: Isso não deixa de ser crença.
(12:05:46) rg60166498: Que já foi gasto. O resto é simples, é viver e morrer sem matar. Mas interfaces era o que mesmo? máquinas?
(12:06:22) claudi1: As vezes matar.
(12:06:29) lucio: Pessoas.
(12:06:32) rg60166498: Não estou falando de metáforas, estou falando de gente que mata e se mata de verdade.
(12:06:45) lucio: O nome já diz.
(12:06:55) claudi1: Pessoas que agem como máquinas que agem como pessoas. Cães que agem como pessoas que agem como cães.
(12:07:28) lucidasan1: Crença = Programa.
(12:07:37) claudi1: Pode cagar na minha calçada.
(12:08:01) rg60166498: Existe uma discussão sobre o que é strictu sensu.
(12:08:02) lucio: Acham isso vertiginoso?
(12:08:17) lucidasan1: Não.
(12:08:20) rg60166498: Acho chato pra caralho, vertiginoso é surtar.
(12:08:51) lucio: “Vale a pena viver” - isso é uma conclusão?
(12:09:00) claudi1: Vertiginoso é estar.
(12:09:07) lucidasan1: Acho que até o futuro da internet é mais vertiginoso.
(12:09:09) rg60166498: Estar é fácil, basta ser. Não ser que é a questão.
(12:09:21) claudi1: Qual futuro?
(12:09:25) rg60166498: Vamos pra gaza?
(12:09:35) claudi1: Acho vertiginoso.
(12:09:42) rg60166498: Fazer as mães chorarem?
(12:09:46) lucidasan1: Se há futuro, está conversa estará nos backups.
(12:10:22) rg60166498: Acho tudo irrelevante.
(12:10:24) claudi1: E a seleção natural?
(12:10:33) lucio: Se a obsolescência permitir o resgate a esses dados.
(12:10:39) lucidasan1: O jornalista que jogou o sapato foi severamente torturado.
(12:10:49) rg60166498: Nunca se sabe.
(12:10:56) lucio: Porque errou.
(12:11:04) lucidasan1: Teremos que lutar pela volatilidade das nossas conversas e pela obsolescência dos dados, porque os servidores terão que manter entre aspas dados de três anos, não é?
(12:11:27) lucio: Na guerra o erro é a morte.
(12:11:32) lucidasan1: Pediu abrigo na suíça.
(12:11:37) rg60166498: O que eu faço com todo esse conhecimento, esqueço?
(12:11:45) lucidasan1: Mas está sendo investigado em um espaço que investiga terroristas no Iraque.
(12:12:30) rg60166498: Na sala vazia do museu.
(12:12:58) claudi1: Ocupação de fachada.
(12:13:13) lucidasan1: —-
(12:13:45) rg60166498: Tem gente que pinta fachadas e é feliz.
(12:14:58) lucidasan1 mudou seu apelido para glerm
(12:15:05) lucio: Existe um argumento: Vocês assinaram um contrato. Querem comentar algo?
(12:15:15) claudi1: Voltando ao dinheiro, e aí quem leva a melhor?
(12:15:36) rg60166498 mudou seu apelido para simone
(12:15:42) claudi1: Assinamos, lemos, erraram nossos nomes.
(12:15:54) glerm: Qual dinheiro?
(12:15:59) lucio: O que gastamos.
(12:16:03) claudi1: Aquele.
(12:16:03) glerm: O que já acabou?
(12:16:07) claudi1: Sim.
(12:16:19) simone: O contrato prevê como contrapartida uma exposição.
(12:16:19) claudi1: Quem levou a melhor?
(12:16:22) simone: Estou de acordo.
(12:16:34) glerm: Quem leva a melhor são os bancos.
(12:16:47) claudi1: Aêê!
(12:16:53) lucio: E como nos manifestamos diante disso?
(12:17:34) glerm: Eu fiz um monte de cacareco, quem quiser achar que vale alguma coisa que leve, senão talvez esse papo furado aqui valha algo. Os cacarecos não funcionam acho porque ainda não sei pra que servem.
(12:19:00) simone: Seguinte, eu vejo o catálogo como um extrato que não precisa necessariamente corresponder ao conteúdo da exposição.
(12:19:10) lucio: Servem pra ocupar um museu?
(12:19:39) claudi1: Ocupar o museu não é problema.
(12:19:47) glerm: Se servirem só pra isso corto minha orelha.
(12:19:47) simone: Precisamos deste tempo para nos dedicar a configurar e discutir a exposição.
(12:20:33) lucio: Van Gogh mordeu a orelha, hehe.
(12:20:50) claudi1: Mordeu a sua própria orelha.
(12:20:57) glerm: Pixe peixe.
(12:21:04) simone: Tyson, Pedro Simão.
(12:21:30) claudi1: Conhecemos um cara chamado Toto.
(12:21:42) simone: Sem acento?
(12:21:52) claudi1: Sim. Ele disse: Trabalho e produtividade.
(12:22:16) lucio: Como lema da bandeira.
(12:22:20) simone: Onde? Otimização e proatividade.
(12:22:54) simone: Onde vocês o conheceram?
(12:23:01) claudi1: Em Pontal do Sul.
(12:23:06) lucio: No embarque, mas seu afilhado escreveu: Vida e liberdade.
(12:23:31) simone: O que ele faz de tão inspirado?
(12:23:38) claudi1: Ele disse: Quem trabalha não ganha dinheiro.
(12:23:47) simone: Ah!
(12:23:51) lucio: O garoto tinha uns 10 anos e mandou essa.
(12:24:02) claudi1: Você estabelece graus de parentesco absurdos.
(12:24:03) simone: E a Ufpr escreveu: Scientia e labor, he!
(12:24:29) claudi1: Labor.
(12:24:33) glerm: A Ufpr tá certa, ciência e lavoura.
(12:24:56) lucio: E o barão mandou seus escravos construírem o espaço da exposição.
(12:25:05) simone: Ciência e laboratório.
(12:25:06) claudi1: Certo precisamos plantar.
(12:25:09) simone: Acho que eles acham.
(12:25:42) lucio: E os milicos construíram a outra parte.
(12:25:43) glerm: O pior de tudo não é que o barão supostamente morreu por nós, e sim que isso não me diverte.
(12:26:16) claudi1: Diversão, ciência e labor?
(12:26:37) simone: Distração, ciência e lavoura.
(12:26:46) lucio: E quanto aos desvios de conduta, isso existe?
(12:27:00) claudi1: Desvios?
(12:27:06) simone: Desde que não somos mais trens.
(12:27:14) glerm: Matar.
(12:28:01) simone: Pro Freud existem dois tipos, desvios de fins e desvios de meios.
(12:28:41) glerm: isso aqui é o texto do catálogo, ou é desvio?
(12:29:05) lucio: Vai passar antes pela censura.
(12:29:47) simone: E pelo liquidificador.
(12:30:18) claudi1: Claro, para uma mistura homogênea.
(12:31:26) lucio: Ou vai para o desvio do catálogo? Hoje havia de novo um passarinho preso no quarto do vitoriamario.
(12:34:25) simone: Ui!
(12:34:38) lucio: Conversei com ele e abri a janela.
(12:34:53) claudi1: E o que ele disse?
(12:35:18) lucio: Ele saiu e ficou no telhado na minha frente me olhando todo destrambelhado.
(12:35:31) claudi1: Tive uma idéia totalmente revolucionária.
(12:35:34) lucio: Piou e voou.
(12:36:18) simone: Putz, triste… Diga Claudia.
(12:37:17) lucio: Ou acha pouco seguro por IRC?
(12:37:52) claudi1: Estou esperando que mais pessoas estejam presentes.
(12:38:06) lucio: Como quem? Os revolucionários?
Encontro pelo Irc acontecido no dia 02fev2009.
6/5/2009
9/4/2009
Hermeto Pascoal = Copyleft Atitude
http://br.noticias.yahoo.com/s/01042009/25/tecnologia-hermeto-pascoal-libera-musica-fluir.html
“E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete disponibilizar parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para download gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.”(…)
6/4/2009
Code Poetry - requiem for peace (jaromil)
Hash: SHA1
/*
* Requiem for Peace (and one dead man in London.c)
*
* Cycle 78, year 26 (Ji-Chou), month 3 (Wu-Chen), day 7 (Ding-Chou)
*
* (A)m*dam(jrml)
*/
int moment = 0;
int justice = 7;
void *hanger = ”
There was a pause, and an eerie silence, just before he did it. A
green scarf masking his face, the man held a large piece of
scaffolding above his head and, surrounded by photographers,
eyeballed the unprotected window of the Royal Bank of Scotland’s
branch on Threadneedle Street.
“;
void *exception = ”
In that split second, one voice amid thousands in the crowd broke
the silence. - Don’t do it - she screamed - He did - This isn’t
violence - retorted another voice in the crowd - We paid for this
building.
“;
unsigned int moment;
unsigned int imacy;
unsigned int cause;
bool represented;
extern void *wave;
extern void *street;
extern void *justice;
extern int death;
while(protest) {
for(moment=0; moment < justice; moment++) {
wave = malloc( sizeof( hanger ) );
// wave is filled with people
democracy[moment] -> reclaim(wave, street);
try {
// check if they smile
// http://www.repubblica.it/2006/05/gallerie/esteri/berlusconi-obama/1.html
represented = reality(moment);
if(!represented) throw(exception);
}
if( moment[wave] == death ) {
// One protester at the scene said the man was in his 30s and died
// of natural causes, the Press Association news agency reported.
imacy = moment[wave]; // zoom in
cause = natural(imacy); // the cause is just an index
/* Alok, currently in Exchange Square, would like to thank
Muriel for lending him her pen when his run out. He says
there are around 150 people out in sympathy with the man who
died and 70 police. */
imacy -= democracy[cause] -> individual(justice);
rip(imacy); // the man was there to protest, but he is no more
}
// RFC: www.guardian.co.uk/world/gallery/2009/apr/01/g20-protest
if( !listen(moment) ) {
justice–; // will affect globally
}
}
catch(void *e) {
printf((char*)exception);
// Once they had broken into the bank, however, the protesters
// did not quite know what to do.
printf(”justice is %u”, justice);
printf(”hanger address is %p (out of bounds?)”, hanger);
printf(”it seems they are still smiling.”);
// seen before, anyway we send the warning
}
} // street protest ends, but the wave will hit more shores
/* this code won’t compile alone, it is part of a larger software. */
- –
jaromil, dyne.org developer, http://jaromil.dyne.org
GPG: 779F E8B5 47C7 3A89 4112 64D0 7B64 3184 B534 0B5E
—–BEGIN PGP SIGNATURE—–
Version: GnuPG v1.4.9 (GNU/Linux)
iEYEARECAAYFAknUtUcACgkQe2QxhL
SfwAnjwpEW2lpECCqCRrlyj95AUC61/t
=RJ+9
—–END PGP SIGNATURE—–
30/3/2009
27/3/2009
CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DAS AMÉRICAS
CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DAS AMÉRICAS
- Construindo a integração dos povos desde a base
- Impulsionando a Alba e a solidariedade dos povos frente ao projeto do imperialismo
1. O Capitalismo entrou em uma crise profunda, e tenta descarregá-la sobre nossos povos
O capitalismo central está sendo sacudido por uma crise estrutural que questiona os paradigmas difundidos pelo neoliberalismo, e que promove sua própria deslegitimação. É uma crise do sistema, que gera super-produção de mercadorias e super-acumulação de capitais, e como conseqüência, o aumento brutal da pobreza, da desigualdade, da exploração e exclusão dos povos, e o saque, contaminação e destruição da natureza.
Os capitalistas pretendem descarregar com maior violência suas crises sobre os trabalhadores e trabalhadoras, sobre os excluídos e excluídas, socializando as perdas, socorrendo aos banqueiros e subsidiando as grandes empresas transnacionais com os fundos públicos. Ao mesmo tempo, se agravam as políticas que, nestes anos de globalização mundial desenvolveram um silencioso genocídio de nossas comunidades originárias; promoveram a precarização de milhares de homens e mulheres -especialmente jovens e idosos- violando os direitos humanos, trabalhistas, sociais; destruindo as possibilidades de acesso à educação, à saúde, à terra, ao trabalho e à moradia. Não é necessário descrever as múltiplas conseqüências, sobre a vida cotidiana dos povos, da ofensiva das corporações transacionais, que avançaram na recolonização da América Latina, considerada pelas mesmas como um grande canteiro para seus negócios. Denunciamos em diferentes foros internacionais e nacionais que nossas enormes riquezas naturais, e a criatividade cultural de nossas comunidades estão sendo arrasadas em nome do “progresso”, da “civilização”, e do “desenvolvimento” capitalista.
As forças do capital transnacional e dos grandes grupos econômicos locais - expressados, por exemplo, nas denominadas translatinas-, associadas a uma parte considerável dos governos da região, sob o comando da hegemonia estadunidense, desenvolvem sua ofensiva e hoje promovem variações da ALCA através dos TLCs com EUA e Europa. Estas políticas empurraram ao desaparecimento de povoados completos, arrasados pelos megaprojetos das indústrias extrativistas e agroexportadoras, e condenaram os povos a uma difícil sobrevivência, asfixiando-nos com uma dívida externa ilegítima, desconhecendo a soberania popular e a soberania nacional. Projetos e iniciativas como a IIIRSA (Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana), escondem depois do desenvolvimento de interconexões em infraestrutura, a apropriação transnacional dos bens da natureza.
Para impor esta lógica, o capital reforça a violência e o controle militar, promovendo guerras, invasões, agressões, assim como o estabelecimento de bases militares, de exercícios militares conjuntos, e a criminalização dos movimentos populares, a perseguição dos líderes, assim como o desalojamento de povoações completas. Utilizam intensamente os meios de comunicação de massa para manipular o consenso da opinião pública às políticas repressivas, à penalização judicial, e inclusive os assassinatos de lutadores e lutadoras populares. Com conceitos como os de “ordenamento territorial”, ou “segurança democrática”, se utiliza a matriz de pobreza e exclusão de nossas sociedades para o recrutamento de exércitos de civis, e a manipulação das comunidades com um sentido contrainsurgente. É neste contexto que os EUA ativaram a IV Frota, como ameaça para os processos sociais transformadores no continente e que, em muitos de nossos países, os governos e parlamentos copiam e aprovam leis “antiterroristas” que utilizam para combater aos povos.
Esta crise representa uma enorme ameaça para nossos povos, mas, também vemos nela uma nova oportunidade para promover alternativas populares ao sistema, avançando para uma mudança estrutural, cuja vigência e viabilidade se tornam incontestáveis.
2. Um projeto de vida dos povos, frente ao projeto do imperialismo. Os movimentos populares percebemos que o continente está atravessando um novo momento político e social, o qual se expressou de diferentes atitudes, através de manifestações populares massivas, eleições locais e nacionais, lutas políticas e sociais, o cansaço frente às políticas neoliberais.
Os movimentos sociais estamos em uma nova fase destas lutas, no marco de um longo período de transição, recomposição e acumulação de forças, de confrontações com o capital, de construção de nossas organizações, e de formação de militantes com capacidade para assumir os novos desafios.
Nesta fase vamos intensificando as ações de resistência e também as experiências alternativas de poder popular, de exercício de soberania e, inclusive, de relação com alguns governos que expressam -de maneira contraditória- os interesses das maiorias. Os movimentos populares enfrentamos as dificuldades que surgem de várias décadas de extermínio de nossa população e de nossas organizações, e as debilidades que surgem da confusão social semeada pelo neoliberalismo, através de seus poderosos meios de in-comunicação e manipulação da opinião pública mundial; de suas políticas ducativas monitoradas pelo Banco Mundial; de suas políticas de controle social e domesticação, través do assistencialismo, realizado como forma de reprodução da exclusão; da propagação de formas de religiosidade alienantes; da criminalização da pobreza e da judicialização e repressão do protesto social.
É necessário construir coletivamente um projeto popular de integração latino-americana, que reformule o conceito de “desenvolvimento”, sobre a base da defesa dos bens comuns da natureza e da vida, que avance para a criação de um modelo civilizatório alternativo ao projeto depredador do capitalismo, que assegure a soberania latino-americana frente às políticas de saque do imperialismo e das transnacionais, e que assuma o conjunto das dimensões emancipatórias, enfrentando as múltiplas opressões geradas pela exploração capitalista, pela dominação colonial, e pelo patriarcado que reforça a opressão sobre as mulheres.
Os movimentos populares defendemos um projeto de vida, frente ao projeto de morte, no qual a produção não seja destruição, mas parte de um processo criativo, sustentável e com justiça social. Estamos expondo a necessidade de colocar em debate um novo ideal de vida frente ao neoliberalismo e às ordens do capital transnacional e seu comando único, que semeia a morte em guerras, invasões, e o avassalamento da soberania dos povos e das nações em todos os continentes.
3. Nossos princípios A integração de nossos povos, desde baixo, partindo dos movimentos populares, e inspirados nas batalhas anti-coloniais, anti-capitalistas, anti-patriarcais e anti-imperialistas, que desde mais de 500 anos vêm tomando forma nestas terras, tem como princípios fundamentais:
- A solidariedade permanente entre os povos, através de ações concretas a cada uma das lutas contra a dominação do capital, e contra todas as formas de opressão e dominação.
- O respeito à autodeterminação dos povos, à soberania nacional e popular.
- A defesa irrestrita da soberania em todas as ordens: política, econômica, social, cultural, territorial,
alimentar, energética.
- A integração tecnológica e produtiva, de acordo com um modelo sustentável, a serviço dos povos.
- A soberania das mulheres sobre seus corpos e sobre suas vidas.
- A formação política de nossos movimentos populares e de nossos povos, para tornarmo-nos sujeitos conscientes na criação histórica.
- A unidade dentro da diversidade cultural, social, e o respeito às diferentes opções sexuais que se expressam em nosso continente.
- A defesa dos direitos dos povos indígenas sobre suas terras e territórios. A demanda aos Estados da regularização com base jurídica dessas terras em favor das comunidades e povos indígenas.
- A defesa do reconhecimento por parte dos Estados, de direitos fundamentais dos povos indígenas, como formas de organização própria, estrutura organizacional, autoridades ancestrais, sistemas jurídicos próprios dos povos, etc.
- A defesa dos direitos humanos das e dos migrantes.
- A defesa da identidade, da cultura, e o respeito pelas formas próprias de inclusão da subjetividade dos povos negros das Américas.
- A plena autonomia dos movimentos populares para definir seus objetivos, suas formas de organização e de luta.
- A recriação de um novo internacionalismo dos povos em luta, através de uma autêntica perspectiva de integração popular que seja plural, horizontal, com uma clara definição ideológica antineoliberal, anticapitalista, antipatriarcal e anti-imperialista.
4. Nossos objetivos
Este processo de integração de movimentos e organizações sociais impulsiona os princípios da ALBA e, por sua vez, quer promover diversos mecanismos e potencialidades que oferece a ALBA, para impulsionar a integração latino-americana desde os povos.
São nossos objetivos:
- A rejeição às políticas, planos e leis de mineração; de petróleo e gás; do agronegócio; do agrocombustiveis; as iniciativas de infra-estrutura do IIRSA, que destroem as comunidades, desconhecem seus direitos fundamentais, eliminam a diversidade cultural, destroem os ecossistemas e o ambiente.
- A denúncia do modelo de agricultura das transnacionais, que se apropriam da natureza e transformam os alimentos em mercadorias, e a proposta de apoiar um modelo de agricultura p o p u l a r, c a m p o n e s a , i n d í g e n a , p r o m o v e n d o a r e f o r m a a g r á r i a i n t e g r a l .
- O repúdio ao pagamento das dívidas ilegítimas e o apoio à luta continental contra o pagamento da dívida externa.
- A luta pelo cancelamento dos tratados de livre comércio com Estados Unidos e a Europa, como o TLCAN, com a América Central, o Chile, Peru; e pela não aprovação do tratado com a Colômbia.
- A defesa do direito das comunidades e habitantes, à moradia e à terra.
- Toda a propriedade tem que ter uma função social coletiva.
- A defesa dos direitos dos desalojados e desalojadas a retornar a suas terras, e ter acesso a todos os direitos humanos e a condições de vida digna onde se encontrem.
- A denúncia do papel das instituições financeiras internacionais como instrumentos do capital.
- A denúncia do uso que faz o sistema capitalista de situações como a mudança climática, a crise alimentar, energética, para promover a privatização e mercantilização da natureza, e impor a liberação do comércio dando maior poder às transnacionais.
- A defesa de nossos territórios, contra a mercantilização e privatização da natureza.
- A defesa do direito ao trabalho, o enfrentamento a todas as medidas neoliberais de flexibilização e precarização trabalhista, de deterioração do salário.
- A promoção em todos os espaços da paridade de gênero, e a luta contra a violência às mulheres, assim como pela possibilidade de decidirem sobre suas próprias vidas.
- A erradicação das diferentes formas de trabalho escravo.
- A denúncia da exploração do trabalho infantil e a luta pela sua erradicação.
5. Nossas prioridades
Nesta primeira etapa de criação de uma integração popular, analisamos como prioridades:
- Elevar a mobilização de massa contra o capital transnacional e os governos que atuam como cúmplices do saque. É a mobilização de massa que criará a força necessária para promover transformações populares.
- Elevar o nível cultural e educacional, e a consciência da população.
- Avançar na formação política dos e das militantes populares. Promover processos de formação política de massa, e impulsionar o trabalho de educação popular nas bases.
- Promover um debate profundo sobre o modelo de desenvolvimento capitalista e sobre a necessidade de gerar modelos alternativos em todos os planos.
- Promover uma batalha continental pela reforma agrária, contra o uso das sementes transgênicas, os agrocombustiveis industriais e o agronegócio em todas suas fases.
- Viabilizar o aporte do trabalho não remunerado das mulheres à economia, e incorporar esse olhar nas lutas e propostas políticas sobre a migração, a soberania alimentar e o modelo de desenvolvimento.
- Desenvolver ações práticas de solidariedade anti-imperialista: frente à repressão; à militarização, tal como se manifesta em nosso continente, através, por exemplo, da implementação do Plano Colômbia e da ocupação do Haiti por tropas de países latino-americanos; contra as bases militares estadunidenses no continente; contra a criminalização dos movimentos sociais; em favor da luta pela liberdade d@s pres@s polític@s.
- Impedir e rejeitar os assassinatos e desaparecimentos forçados de líderes sociais e populares e de seus próximos. Que pare o método de impor o lucro do grande capital e do latifúndio com o sangue do povo.
- Defender a livre circulação das pessoas em nosso continente.
- Contribuir com os planos de cooperação que existem entre os governos da ALBA, assegurando que beneficiem aos setores mais injustiçados de nossos povos.
- Apoiar as iniciativas e desenvolver ações próprias dirigidas a erradicar o analfabetismo em nosso continente.
- Potencializar a comunicação entre os povos, articulando suas redes existentes e criando novas redes onde seja necessário.
- Contribuir para que os e as jovens tenham um espaço fundamental neste projeto, participando a partir seus próprios objetivos, interesses, conceitos e metodologia de construção.
- Promover a organização dos/as trabalhadores/as, impulsionando práticas que promovam a democracia de base e uma autêntica democracia sindical.
6. Metodologias
Um tema fundamental, para respeitar os processos coletivos de construção de nossa integração, é definir uma metodologia que nos permita ir avançando para esse objetivo. Em tal sentido, a proposta que colocamos em discussão parte de:
- Promover processos de integração popular em nossos países. Promover reuniões nacionais para construir uma agenda mínima de trabalho com esta Carta. Este processo de integração buscará contar com mecanismos concretos de unificação das lutas que favoreçam a participação dos movimentos e organizações sociais.
- Organizar um grande debate dos movimentos sociais em todos os níveis, partindo e priorizando o trabalho de base.
- Definir planos de ações que apontem soluções concretas para os problemas cotidiano da população.
- Fazer um diagnóstico que nos permita identificar as nossas próprias forças e definir o espaço estratégico necessário para potencializar.
- Criar uma pedagogia de construção do espaço comum.
- Sustentar e reafirmar a autonomia dos movimentos populares em relação aos governos. Desde essa autonomia, estabelecer uma relação entre os movimentos e governos que promovem a ALBA.
- Organizar o intercâmbio e o conhecimento direto de nossas experiências de construção de poder popular, assim como a coordenação continental das reivindicações e demandas de nossos movimentos territoriais, sindicais, culturais, camponeses e de comunicação popular.
7. Avançar agora
No novo contexto latino-americano, há numerosas oportunidades para ir gestando uma nova ofensiva dos povos. Mas existem também muitas ameaças aos processos em andamento. É impossível enfrentar as políticas do grande capital transnacional e do imperialismo desde as resistências dispersas de nossos povos. Não é possível também delegar os processos de integração latino-americana aos governos (por mais que estes tenham uma responsabilidade indiscutível em promovê-la). O que se avançar desde os governos nesta direção, será um estímulo à criação de laços de cooperação solidárias, que apoiaremos e sustentaremos como parte das lutas antiimperialistas. Mas é imprescindível estimular processos de integração baseados em um poder popular, criado desde as raízes mesmas da luta histórica de nosso continente.
E é necessário avançar agora superando sectarismos, cálculos estreitos, mesquinharias. É necessário avançar agora para que preparemos a plataforma de unidade que permita sustentar e defender as lutas, por uma nova independência latino-americana, dos povos e para os povos; por uma integração popular; pela vida; pela justiça; pela paz; pela soberania; pela identidade; pela igualdade; pela liberdade da América Latina; por uma autêntica emancipação que tenha em seu horizonte o socialismo.
CONVOCAÇÃO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS DAS AMÉRICAS
Desde Belém, onde nos reunimos centenas de movimentos sociais de todos os países das Américas que nos identificamos com o processo de construção da ALBA, nos convocamos e nos comprometemos a:
1. Em cada país realizar plenárias nacionais que gerem coletivos unitários de construção da ALBA.
2. Promover um grande encontro continental de todos os movimentos para o segundo semestre de 2009, em caminho à articulação dos Movimentos Sociais com a ALBA.
3. Colocar todas as nossas energias para a Mobilização Mundial Contra a Guerra e a Crise, na semana de 28 março a 4 de abril, reforçando o dia 30 de março, como dia de mobilização continental.
4. Participar de forma ativa nas mobilizações e nas jornadas de lutas de 8 de março; 17 de abril; 1 de maio e 12 de outubro, como datas históricas de nossos povos.
5. Seguir impulsionando a solidariedade concreta com os povos em luta contra o império no Haiti, Colômbia, Cuba, Venezuela e Bolívia.
5. Seguir impulsionando as ações concretas de construção da ALBA, como os programas: ELAM, de alfabetização de adultos, os cursos latinos da ENFF, o IALA, a Operação Milagro, etc.
“A unidade e integração de Nossa América está em nosso horizonte e é nosso caminho.”
Belém, 30 de janeiro de 2009
16/3/2009
Azeredo: mosca da fruta

Eduardo Azeredo é um grande peso político do PSDB e senador por Minas Gerais. É conhecido pelo seu grande apreço pela democracia, que o levou a elaborar em 2006 um AI-5 da Internet projeto de lei visando a segurança do internauta brasileiro, que o obrigaria a se identificar para interagir com a Net.
Quando foi governador de Minas Gerais, Azeredo privatizou a CEMIG, companhia elétrica do Estado de Minas , obviamente levou a sua parte e tratou de remeter a um paraíso fiscal qualquer.Azeredo e sua gangue são os pais genéticos de Marcos Valério .
Segundo Azeredo, o projeto de restrição à liberdade da Net citado acima, visava a evitar a ocorrência de crimes online , fraudes e furto de massa cerebral pela cyber-dyne. Uma medida admirável, sem dúvida. Quanto menos ladrão na praça melhor, enfim a concorrência anda dura!
Eduardo Azevedo hoje em dia trabalha em um programa infantil e ensina as criancinhas a lavar
Recentemente, Azeredo se viu denunciado por desvio de dinheiro público e caixa dois feitos em 1998, com a ajuda de Lex Luthor. As acusações são obivamente falsas, pois, de acordo com as leis fundamentais da física elaboradas pela Veja, a corrupção no Brasil foi implantada pelo governo Lula. Antes disso, vivíamos em uma terra das maravilhas onde a grama era de chocolate e os rios eram de suco de morango. Tal período de nossa história foi esquecido devido à lavagem cerebral promovida pelo PT por meio dos cyber-gremlins.
15/3/2009
produção em série: esse som é um mistério
Arte e conhecimento tecnológico compartilhados (1)
A coisa
Um poster retrabalhado com pinturas, rabiscos, grafite, escritos, anotações, colagens e agregações de dispositivos eletrônicos e computacionais. Esse som é um mistério: produção em série, um trabalho de Glerm Soares, do coletivo Orquestra Organismo.
As partes mais evidentemente tecnológicas compõem um hardware dedicado a áudio, uma pequena placa com os componentes de um microprocessador, ao qual somam-se um alto-falante, uma bateria, um joystick e seus respectivos cabos de conexão. Ligada, a obra repetidamente pronuncia a frase: “produção em série”. Uma fala maquinal, soando estranha e indefinida nos primeiros momentos, parecendo também dizer outros enunciados, como: “começou o ensaio”. Não há um player onde se acoplaria uma mídia avulsa analógica ou digital. O áudio modulado em números está gravado na memória do próprio hardware.
Aparência; o além da imagem; os layers de conceito; interfaces entre arte e tecnologia.
Na apreensão visual imediata, a plasticidade espontânea, caótica, expressiva e eclética sobreposta à imagem de um poster (2). Aparências e vínculos de conteúdo com a imagética dadaísta, fluxista, psicodélica, cyberpunk.
A rastreabilidade de contextos - lastros interpretativos - com cada elemento visual da colagem e suas interconexões de significados passam longe de uma leitura linear, há tramas de linguagem intencionais, outras casuais, e algumas soldas entre elas (3). Não se trata de uma espontaneidade somente lírica ou gestual: o quadro é o receptáculo de um turbilhão de idéias. É simultaneamente uma crítica cultural aos saberes e fazeres tecnológicos subservientes à indústria capitalista e também uma explícita ironia à arte da pintura, especialmente aquela que quer se restringir, ainda hoje, ao exclusivo jogo da linguagem visual.
As idéias sobrepujam qualquer busca do belo, equilíbrio compositivo, qualquer referência restrita ao campo das artes visuais. O diálogo com a tradição da pintura e/ou da “Arte ocidental” ocorre na freqüência anti-arte. Arte de contra-cultura, subversiva. Há um repertório de anti-arte dentro da história da arte; se buscarmos algum campo de afinidade, esse é um deles.
Outro contexto afim é a arte conceitual, entretanto, num viés diferente da tradição que privilegia a escrita (como Joseph Kosuth), e num caminho também distinto do conceitual que materializa-se organizada e sinteticamente em objetos e instalações, com suas imanências de significados culturais (como Cildo Meireles). O conceitual aqui é de aparência e consistência cumulativa e caótica. Se Catatau é o tupiniquim Finnegans Wake joyciano, leminskiano, imagine Hackeando catatau: “a justa razão aqui delira”, outra vez. Hackear Catatau diz muito sobre a filosofia do proceso em questão. Diz algo, ao menos; e mais pode ser encontrado no site homônimo do coletivo na internet. Uma tendência contemporânea essa, a da aleatória disponibilização de dados, onde os contextos acessados continuam agrupados em camadas entrópicas de informação, num denso subsolo disponível para diferentes percursos a serem trilhados por novos exploradores. Navegação intersemiótica aberta, curadoria do usuário, busca motivada pelo desejo do momento, tendências de afinidade agrupadas por inteligência artificial após uma ignição de escolha humana. Em meio a narrativas, interpretações e contextos que continuam sendo necessários de serem revisitados, reinventados, organizados e produzidos no espaço/tempo contemporâneo, para que a vida não fique confinada nas freqüências dos ventríloquos do discurso oficial, as possibilidades mais anárquicas de comunicação também reinvindicam seu modo de existir. Hackear Catatau, “pois”…
O ambiente transdiciplinar associado às relações entre arte e ciência evidenciam outra área de interesse. Os antecedentes históricos e possíveis campos relacionais são muitos, entre artistas, acontecimentos e teorias. Leonardo da Vinci, László Moholy-Nagy, Bauhaus, Jean Tinguely, Abraham Palatnik, Waldemar Cordeiro, Eduardo Kac, Corpos Informáticos, Paulo Bruscky, Vilém Flusser, etc. Para Glerm, Lúcio Araújo e Simone Bittencourt, parceiros de mais longa data entre os componentes da Orquestra Organismo (4), talvez parte dessas referências - as mais focadas no campo das artes plásticas - não sejam tão fundamentais em suas trajetórias, visto que o percurso do grupo origina-se na música (Boi Mamão, Estúdio Matema, Vitoriamario, Rádio Macumba e Malditos Ácaros do Microcosmos), caminho ao longo do qual foram incorporando o instrumental e a sonoridade eletrônica (5). Daí para a busca do entendimento das lógicas funcionais e de produção dos instrumentos foi um passo. E uma jornada ainda em curso. Isso sem falar nas investidas de aprendizagem nas áreas da matemática, antropologia e psicologia. Entre referenciais e repertórios de influências musicais do grupo, outros e muitos são os nomes que transitam por suas memórias (ver entrevista abaixo). E no campo das investigações computacionais e da comunicação pela internet, pesquisadores e ativistas como Richard Stallman, Linus Torvalds, Tim Berners são presenças muito mais próximas e intensas que a de artistas visuais. Agora tudo se mistura novamente, a mixagem se amplia: música, ciência da computação, crítica cultural, artes plásticas: Interfaces.
Pensando os pensamentos, ainda: os acumulados, os escritos, e, inclusive, os anunciados através dos objetos e suas imanências de valor cultural, funcionalidades e re-funcionalidades ali na obra aplicadas. Esses pensamentos sobreagregados focam na crítica do establishment da sociedade contemporânea - com sua lógica de produção em massa, mecanicista e alienada, que aniquila as subjetividades dos indivíduos. Esses pensamentos críticos não são colocados somente como tema ou referência, eles são também matéria e linguagem. Eles propõem também uma conduta: o sujeito, além de usuário e consumidor das tecnologias contemporâneas, pode e deveria ser, simultaneamente, um entendedor, experimentador e/ou desenvolvedor criativo da ciência, em seu próprio cotidiano (ao menos na relação com instrumentos tecnológicos dos quais faz uso, o que já não seria pouco). No âmbito da ciência da computação, essa atitude converge para as políticas ciberatisvistas, propagadoras da inclusão digital, da cultura dos códigos livres e da humanização das máquinas, principalmente através das atuações das comunidades de software e hardware livre. A ciência e a tecnologia a serviço de uma vida mais criativa e libertária, ao invés de sua aplicação hegemônica na atualidade, sendo ferramenta para desenvolvimento de produtos para competição capitalista, concentração de poder e riquezas, exclusão social, fomento à guerra. Mesmo sabendo-se uma pequena peça quase imperceptível no meio da grande engrenagem, a obra Esse som é um mistério: produção em série vislumbra uma outra humanidade, não vitimada por uma de suas criações, a tecnologia. Como parte dessa grande engrenagem, a obra é, por um lado, objeto de sabotagem largado em meio à máquina, desejando e incidindo no colapso total do macrossistema. E por outro lado, é proposição recodificante de atuação prática coletiva. Assim, na síntese de desejos, pensamentos e materialidades, a obra é também um manifesto.
Conhecimento tecnológico compartilhado
ou
desalienação do circuito de produção tecnológica
ou
desideologização do capitalismo inserido nos circuitos industriais de produção tecnológica
“Não há um player onde se acoplaria uma mídia avulsa analógica ou digital. O áudio modulado em números está gravado na memória do próprio hardware”. Esse som é um mistério: produção em série é uma obra específica, singular. Condensa conhecimento e é protótipo de um fazer tecnológico. Incidindo sobre si mesmo, como pensamento redundante, autocrítico, e sendo ao mesmo tempo exemplo de artesania computacional e experiência criativa, o trabalho é crítica da cultura contemporânea, conhecimento tecnológico compartilhado, objeto cultural anti-industrial, desalienação do circuito de produção tecnológica, desmistificação da tecnologia. É uma deseideologização do capitalismo inserido nos circuitos industriais de produção tecnológica, fazendo aqui analogia à proposta Insersões em Circuitos Ideológicos - Projeto Coca-cola, de Cildo Meireles (6):
“Por pressuposto, a arte teria uma função social e teria mais meios de ser densamente consciente. Maior densidade de consciência em relação à sociedade da qual emerge. E o papel da indústria é exatamente o contrário disso. Tal qual existe hoje, a força da indústria se baseia no maior coeficiente possível de alienação. Então as anortações sobre o projeto “Inserções em circuitos ideológicos” opunham justamente arte à indústria.”
Se em Cildo o projeto caracteriza-se na identificação de um circuito idustrial (e alienante) no qual a inserção (consciência) age num processo subversivo, em Esse som é um mistério: produção em série, há a tomada de consciência e compartilhamento dos saberes da produção tecnológica, o que, dentro da lógica vigente, já é ação subversiva (bastaria lembrar algumas das práticas das grandes corporaões empresariais: controle de patentes, segredo industrial, domínio de mercado, segmentação alienada das etapas do trabalho, produção e consumo em larga escala, etc). Há ainda o convite à participação, o “insira algo no circuito”. Com essa chamada, a noção de circuito evoca outros dois sentidos: o circuito eletrônico específico do trabalho e o circuito do conhecimento compartilhado, construído nas redes relacionais entre pessoas, na participação, na articulação de circuitos artísticos autodependentes. Em Cildo a participação é também base para a potencializar a ação.
Considerando as questões tocadas pelo trabalho específico, e, genericamente, as produções do coletivo Orquetra Organismo, pontes reflexivas poderiam ser construídas sobre a questão arte e tecnologia, reprodutibilidade técnica, produção em série. Haveria um repertório de negação a ser acessado quando esses conteúdos fossem associados à estratégia pop de Andy Warhol, replicante de imagens da indústria, inclusive da indústria cultural, talvez irônico em algum sentido, certamente bastante condenscendente com o status quo, inclusive pela forma e conteúdos com os quais construía sua própria carreira e imagem pública. Por outro lado, surgiriam afinidades com a teoria de Walter Benjamin, por exemplo, ao aproximarmos as estratégias de veiculação e participação pela internet empreendidas pela Orquestra Organismo a alguns apontamentos de Benjamin em A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (7), no sentido da potencialização política oportunizada pela maior circulação de uma obra de arte reproduzida tecnicamente. O que também confluiria afirmativamente para ideários comuns é a vontade do envolvimento entre artistas, técnicos e comunidade, num processo coletivo, inclusivo, e focado no compartilhamento de saberes, como nas reflexões do texto O artista como produtor (8). E muitas outras conexões teórico/práticas poderiam ser feitas. Arte, ciência e tecnologia proporcionam um campo transdiciplinar para a investigação contemporânea, seja do presente ou do passado, em seus diferentes contextos.
Os comentários aqui elaborados poderiam estender-se para outras obras realizadas por Glerm Soares, assim como para outros trabalhos do coletivo Orquestra Organismo, o Toscolão, o manto polifônico, o painel eletrônico Não ouse amar o erro… Tendo a obra a dimensão de um manifesto dentro de si, o reverso de um comentário específico pode também se dar: falar sobre a obra é também falar sobre as produções do grupo, ainda que cada investigação tenha campos específicos de experimento tecnológico.E daí em diante, seria também falar sobre o ideário de outros grupos afins, como o Estúdio Livre, o Descentro, o Ystilingue. E falar de parte de uma cena do ativismo cultural contemporâneo, cujo ambiente de atuação é também uma interface entre grupos de autogestão de artistas e ciberativistas.
Aquele poster que serviu de suporte e base para a apropriação e reciclagem - lixo encontrado numa rua de Curitiba (trash object trouvé) – também pode tornar-se alvo num sentido crítico similar ao dito sobre a alienação dos processos industriais capitalistas, a tal “produção em série”. O referido poster pop serial é imagem esteriotipada reproduzida em série. A própria busca de estilo, no campo da arte, é algo fadado à alienação, à repetição de padronagens de pensamentos e formas, fórmulas, artesanato cerebral: “o estilo, seja das mãos, seja da cabeça (do raciocínio), é uma anomalia” (9). O serial nesse caso seria a estereotipação dos pensamentos e dos sentidos levado à escala de múltiplo; num contexto bastante diverso daqueles desejos libertáros impactantes visualisados por Benjamin ao argumentar sobre a arte reproduzível tecnicamente. O estilo, a subserviência ao mercado de arte e a crença de que arte é produto blindado a seu entorno social formam as bases do trabalho de arte anestesiado e alienado. Muito além da visualidade, o artista opera, através da linguagem, sobre as lógicas dos acontecimentos culturais, sobre o imaginário coletivo. Diferente de atrofiar-se no estilo individual e na podução em série, o artista expande-se no compartilhamento de consciência crítica, sensorial e afetiva. Mais engajamento com a vida e a liberdade, essas são algumas das bases psíquicas e comportamentais do trabalho do artista, alguns de seus desejos, em qualquer época. As utopias continuam a existir. Esse som é um mistério, como a vida.
Mamelucovich, Cachoeira dos Descartógrafos, ano do boi.
NOTAS
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3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
(http://arduino.cc∞)
Este último com incursão pelo terreno dramaturgico com a peça Malditos somos nós tentando ser nós mesmos…
1.
2.
3.
4.
http://www.estudiolivre.org/tiki-index.php?page=Navalha∞
Mamelucovich











