Hackeando Catatau

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Submundixlogix

QUASE INFINITO E/OU APODRECE E VIRA ADUBO SUBMIDIÁTICO

Abordar modos de sobrevivência. Anotações sobre existência. Refletir sobre diferentes exercícios. Identificar e ecoar alerta sobre instâncias opressoras (e o sentido de significá-las), apontar o acesso ao conhecimento não aparente como princípio emancipatório frente a tais estruturas castradoras. Transitar táticas, experiências, circulações, compartilhar procedimentos de não perpetuação dos modelos inadequáveis, indesejáveis, insustentáveis, insuportáveis… A liberdade trata também da mobilização e difusão dessas práticas.

O abandono da civilização genocida e o sexo único. No modelo de civilização exploratório, prejudicial, o desperdício esgota recursos naturais em canto de descaso, promovido por um progresso pseudo-ordenado. Incentivo ao consumo é técnica de hipnotismo. Planificação das relações estagnadas em autoritarismo e exclusão. Sua pauta é a ratificação da família nuclear baseada na figura do pai, substanciada em lastros históricos como o domínio por herança. Promove a limitação da existência a condição de atores fixos não humanizados, e explora parcelas da população divididas basicamente em classe e gênero. O que torna impossível o permanecimento nesse sistema segregador, já que optamos pela plena atividade criativa dos seres. Constatando as desorientações dessa existência nos declaramos responsáveis pela não perpetuação das idéias e práticas desse mundo, agimos para seu desmantelamento e nos sentimos satisfeitos com seu aniquilamento não espetacular.

Família como sinônimo de “idéia de família”. Diferentemente da noção do remoto sexo único – a considerar mulher como homem atrofiado – dele derivado – reivindicamos o sexo único em respeito as características peculiares dos seres humanos, complexo irredutível a dubiedade mulher/homem. Criticamos a premissa hegemônica de gênero a partir da concepção biológica e natural que desconsidera outros fatores, a exemplo o social, agente de/em construção.

Satélites a deriva, sobrevoam insetos meteoritos. Satélites artificiais – congestionamento espacial, lixo tecnológico paira sobre cabeças – objetos identificados aos monopólios das telecomunicações – projetos militares – abarcam diversos objetivos, entre eles o controle da comunicação, o climático catastrófico, passando do mapeamento à espionagem, voyeurs unioculares voltados ao controle. Rompe o pleroma da estratosfera um mistério de soberania de técnicas espaçocratas. Aparelhos conceituais concretizam-se em projéteis. MSST. Movimento dos sem sátelite. Utopia ou Distopia? Seria delírio a conspiração autônoma em busca do lançamento de satélites? Lixo e mais lixo no espaço. A nova geração fazendo passeatas pela reciclagem dos satélites. Paralelos Epistemológicos. Percepção em hypertexto. Acordo ortográfico. Alfabetizados agora ficcionam a novílingua. Sem trema. O Miguxês. Crianças no Orkut e no Google Docs estão vivendo simulacros reais. Ontologia do voyerismo de scraps. Redes Sociais. Shopping Centers são infovias fechadas em rotas de pacotes precisos de dados. Dinheiro ganho, dinheiro gasto. Dinheiro impresso, empréstimo. Espaço. Jogo de colisões e inércia. Retoma o pleroma para o campo ciência. Sintaxe como álgebra. Metafísica do materialismo dialético em eterno retorno de uma mais valia perdida. Luzes apagadas. Sociedade do audiovisual. Cheiro de banheiro. Fome. Desejo. Não-Fome.

Calendários. Espelhos.
A política do arrebatamento e as negociações para além do humano. Desde antes da prática da venda de terrenos no Céu temos o estabelecimento de um mercado do dogma, hoje estendido a vários outros ramos além do imobiliário; moda, música, atitude, automobilismo, futebol, mídias de massa. Não ter a opção, somente ser aterrado por uma avalanche de simbologias ditas sólidas e milenares para deixar a vida para uma próxima, eternidade muito aquém de ser alcançada. A qualidade de vida e a proporção do medo – contra as ideologias que promovem a insegurança e o temor. Quando se abandona o lamento resta a condição de agentes das ações – transformação, sujeito integrante de um ambiente onde não se está sozinho – dialógico com as comunidades e circuitos pelos quais transita. (contrário da postura heróica) relações interpessoais. Os vegetais e a grande trepadeira do sistema: orgânicos como moda. Agrotóxicos são os temperos de uma dieta alimentar pobre e envenenada. Não se conhece o que se come, nem sequer se sente o gosto. Carne é crime, fome é foda. Não se sabe o que fazer com os entulhantes dejetos. Cachorros e outros estimados animais domésticos são levados todas as tardes para passear, idiotia urbana, cativeiro e escravidão no âmbito animalesco das indústrias de ração e produtos cosméticos veterinários. Sinuca da simulação, sarna, estado de óbito, verticências…

Sem bússola, mensagem na garrafa, quase uma reza. Cadência no ritmo das frases, mesmo sem rima. 15 sílabas e alguém querendo mais que formas.
Eu penso, tu falas, ele escuta, ela decide. Alem de gêneros e plurais. Um motivo, um avião decola, Itaipú segue imponente sobre as 7 quedas, ali na esquina. Ali na esquina. Um despacho. Mo-ti-vo pra cir-cu-lar por baixo de tudo, força motriz, 7 quedas. impulso; desvios; significados; cruzamentos lingüísticos; mais-valia; ethos; desmontes das bombas; Então responda-nos, em fluxo mais fluído. Léxicos em queda, definindo afluentes: A tríplice fronteira e a aliança neoliberal numa velocidade espiral. Segurança defronte ao labirinto abismo. Extensão das formas fixas, mestiçagem da alucinação contra as forças centripetas de estagnação pela ordem segundo interesses parciais, indiferentes, das suas decisões imposições, efeito dominó: opressão. Espaço de disputa desigual, tédio de inexpressividade e alienação.

Acesso ao sonho crítico. Verdade do planeta. Sânscrito e latim para macacos. Selvageria as avessas. Na entrada e na saída, buraco úmido. A bula do cosmos. Gênese. A E I O U. Escolha suas consoantes. Morda a teta.

1 In nova fert animus mutatas dicere formas
2 corpora; di, coeptis (nam vos mutastis et illas)
3 adspirate meis primaque ab origine mundi
4 ad mea perpetuum deducite tempora carmen!
5 Ante mare et terras et quod tegit omnia caelum
6 unus erat toto naturae vultus in orbe,
7 quem dixere chaos: rudis indigestaque moles
8 nec quicquam nisi pondus iners congestaque eodem
9 non bene iunctarum discordia semina rerum.

Automatismo do mistério. Metamorfosis de Ovídio. Salsa e cebolinha na retórica acadêmica. Declaração da precária condição do sistema artístico e suas trocas. Vamos a pastelaria. Pastel. Pastelaria. Pastelão. Pastiche. cientista: Quem não tem ciência atire a primeira tese.

inconscientista:…
artista: Faz desfazendo.
anti-artista: Desfaz fazendo.
aartista: preposição.
pasteleiro: O papel da estética na busca por articulação de uma solução
básica para problemas de sobrevivência feito de modo a estimular catarse coletiva por alegorias de uma forma ideal destes objetos que conduzem e satisfazem demandas das mais fisiológicas. Demandas, necessidades pulsionais. A Arte do Pastel desengordurado. Papel Absorve os excessos. Chistes salgam a massa com algum Ethos arbitrário determinado pelos mais escamoteados recalques de algum tipo de desejo por significar. Algo além da fome?

Servidão e/ou processos artísticos. Caleidoscópio, seja qualquer lado que gire novas formas e novas expressões vem à luz. Cubo da mais-valia : apresenta um número finito de superfícies planas, seis quadriláteros, em cada um dos lados do cubo pixa-se: Babel.

Trabalho escravo. Um ônibus na estrada. Tratava-se evidentemente de trabalhadores assalariados, um deles tinha a cabeça encostada na janela e sustentada por uma fralda com a imagem de Dayse Margarida Disney, a namorada do Pato Donald. Plante. Operação vão no vácuo. Olhar sub mundo das coisas. Uma experiência de olhar como se estivesse um passo atrás, como no estranhamento, alguém observa-se em ação. Um olhar sub mundo. Após o encontro aqui – outro lado dali – vem entoar o mantra, grito ao sustento.

Tomada de recisão. Desescalada dos puleiros das instituições que promovem vínculos empregatícios. O líder foi liderado. Os retornos dos trabalhadores para nunca mais voltarem – tempo de extinção dos contratos e vínculos empregatícios – extinção da exploração, da mão de obra.

Quero estudar. Alguém pode me dizer como posso estudar? R.: Ela não fala em Escola. Escola: espaço social ao qual tenho direito assegurado e o dever de usufruí-lo. Quem não tem, sente falta, desvantagem como moral de exclusão. Caminho: para difundir experiências e práticas próprias da comunidade como formas de sabedorias e conhecimentos singulares, valiosos. Conhecimentos institucionalizados, legitimados. Conhecimento informal. Escola problema solução, passar a valorizar a pessoa (por) e suas vivências, princípio dela mesma, nela se encontra. Já era pedagogia do poder, implosão da escola, movimentos de moralização e disciplina militarizante berram, ainda esperam por filas paralelas e carteiras desconfortáveis entulhadas em uma sala controle. Uma educação desvinculada de obrigatoriedade, da formação curricular carreirista. Pós-dia, liberdade para as crianças, adolescentes e jovens enclausurados por meio período (em certos casos período integral) por cerca de 20 anos. Outras formas de acesso ao conhecimento que não impliquem em enclausuramento. Perseguição ao analfabetismo : a moral que a sociedade ejacula sobre si mesma no mundo vazio. Pintar fora das linhas, fora das páginas. Sabedorias, conhecimentos que não são legitimados excêntrificados. Sabedorias, conhecimentos hegemônicos (leitura, escrita) como herança da humanidade, enraizamento em livros sagrados/épicos – erudição secular, dádiva dos deuses.

Empobrecimento : superstição de ficar presx no tempo – cimento sossego (ou seja, a lápide clássica que envolve os corpos cansados demais, pesados demais, leves demais, sujos demais, puros demais, alegres demais, tristes demais, mutantes demais e demais corpos). Instinto : sabedoria vivência virulência afirmação negação justaposição negação afirmação questionamento. Econ0mídia : na hierarquia dos demônios os que tem um chifre são devorados pelos que tem dois ou três chifres. Monstruosos dentes de leão. Criar um sistema economico baseado em trocas mútuas – prática da abundância – atuações compartilhadas.

Ilusão: tomada de recisão. Tudo isso, a idéia e idéia de conhecimento são muito parecidas, a universalidade de conhecimentos amplia os universos. Impossibilidade de mensurar o inconsciente. O pensamento hegemoniza parte do ser, existência subordinada a linguagem. O limite do pensamento, concretude de pensamento, ato de ampliar a história pelo pensamento. Paradoxo – ampliação de algo que não se condiciona a ser mensurado. A racionalidade, a que se auto define como estratégia de sobrevivência pra esse mundo específico, bum.

Perseguição ao escravo hiper-necessário. Capitalismo ecológico. Treinamento. O homem antiautoritário sucumbiu ao tubo de raios catódicos e às várias ondas.

Outras possibilidades além do capitalismo, sem tentativas comparativas: Nenhum tipo de outro capitalismo. Possibilidade de circulação de comunidades móveis, nômades. Nomadismo de idéias, capacidade de se adaptar a qualquer tipo de pensamento. Flutuar por um imenso espaço volátil de idéias ou estabelecer bases para o questionamento do entorno?

Como desmontar as cidades. Destruir as estradas e cemitérios; quebrar os muros; jogar fora todas aschaves e cadeados; fissão nuclear espontânea dos regimes controladores e prefeituras; mas se a fissão for espontânea teremos que ficar esperando? Podemos acelerar o processo “espontâneo” provocando modificações climáticas, aplicando fertilizantes, no que poderia acarretar tais acontecimentos para tanto é preciso ainda apontar quais as atitudes para se chegar a isso: fim dos meios de transporte poluentes; busca de moradias que refletem a personalidade e não a classe social; fim da propriedade, do medo das trocas, dos aparatos do poder; neocolonialismo, neocorrupção; de qualquer possibilidade de considerar forças que nos oprimem; da indução que aceitemos os males do mundo e que nos acostumemos a viver com eles; das hierarquias, da repressão sexual, do autoritarismo, da sociedade tecnocrática, competitiva, individualista e consumista, da nação, das olimpíadas, do superhumano, dos recordes, da discriminação e do preconceito; do lucro; da carne; dos conservantes, acidulantes, da química alimentícia, da produção de lixo, da utopia das metrópoles, da crítica inexpressiva, da polícia e do exército, das armas, do estabelecimento da guerra, da sociedade de classes unidimensionais: com sua capacidade de uma classe absorver outras tornando-as não-contestadoras e acomodadas, da alienação; das formas sofisticadas de controle social e repressão (arte, tecnologia,…); do mercado; das ruas; do anacronismo, da miséria, das especulações; doscontratos, cartórios e burocracias; de rastejar, do mundo;

Continuação dos suicídios;
Retomada do plantio natural;

Início de outras possibilidades; outras trocas; da subsistência; das sociedades solidárias e igualitárias; da construção de jardins; da recuperação dos rios; do estabelecimento de ligações; relações uns entre outros, cooperativas e não-competitivas;

Lago imenso negro de idéias. Lago negro imenso de idéias (in)justiça? exuberância de sensações; não nos responsabilizarmos por quem somos; Respondemos por algumas coisas que fazemos, somos quem somos. E daí? Caralho! nos sentirmos bem em relação a vida; nós: tomando decisões e assumindo as conseqüências. As ações fazem diferença. Observadores passivos.

Educação, mutação de pontos de vista, práxis, idéia de liberdade, experiências sobre liberdade. liberdade é uma construção do pensamento e uma realidade do corpo em situações extremas, idéias, imagine por conta das catástrofes nas contas bancárias dos aristocratas. Quem são os aristocratas no caso de liberdade existem conceitos, os de pensadores sobre liberdade. A nossa liberdade. Desafie o Estado escravo das corporações! A resistência não é fútil!A criatividade e o espírito humano dinâmico que recusa-se a submeter-se! Voto – participação ocasional e puramente simbólica da liberdade. Escolher entre o fantoche A ou o fantoche B. Ostentação, frivolidade, desastre, merda, parasitismo, dominação, moralidade… guerra, predação. Favela, doze horas na rua, exercício de pureza. Moradia em trânsito, pessoas e movimento e probreza e uma forma de organização não nuclear. Inalienável. Sexo e abandono.

Movimento dos Sem-Satélite (msst). Comunidade de artesãos de bits e volts, poetas humanistas, cientistas nômades, para onde estamos indo? Confio no pulso dos seus passos, nossa revolução é o próximo segundo e o desafio constante de não render-se ao conformismo de simplesmente entreter-se ou entreter, distraindo o fato de que vivemos além da história, dos muros, da semelhança dos corpos e suas consagüinidades. Queremos um ecossistema condizente com toda esta pirotecnia prometéica de um suposto ser vivo Sapiens, uma simbiose duradoura e enfim poder pensar em criar e imaginar outros espaços e formas para todo esse conhecimento que mantemos aceso nesta chama. Mas se ainda hoje nossos semelhantes marcham por um pedaço de chão para sobreviver, e alienam seus instintos mais criativos em busca de algum reconhecimento dentro de uma esmagadora cultura de consumo auto destrutivo, nos deparamos com a questão: qual o papel que nós aqui já alimentados e abrigados temos em pensar numa soberania e transmissão de conhecimentos que buscam reverter esta pulsão auto destrutiva da humanidade? A conjectura deste manifesto é em função de apontar uma necessidade pontual no horizonte: Criaremos nosso primeiro satélite feito à mão emandaremos ao espaço sideral entulhado de satélites industriais corporativos e governamentais. Será nosso satélite capaz de tornar nossas redes ainda mais autônomas? Ou o caminho é repensar toda atual estrutura de nossa tecnocracia e ciência a ponto de decidirmos estratégicamente um caminho totalmente diferente? Qual?? Muito mais que cobaias da Tecnocracia!

Sonhando e Dançando: marcham os Sem-Satélite…

Vertigem: diálogos e prospecções a partir da memória do lugar

Ação direta. Pontes. Amizade. Rio. Paraná. Fronteira. Brasil. Paraguai. Fraternidade. Iguaçu. Argentina. Sudoeste. Limite. Natural. Político. Lugares. Experiência. Percepção. Simbólico. Ambiente. Desencadeamento. Situações criativas. Contato. (tempo/espaço). Relação. Pessoas. Encontro. Atitude. Diluir. Reverberar. Troca. Político-geográfico. Sensação/memória. Agora. Lembrança. Prospecção. Diálogo. Cultural. Vizinhos. História. Conexões. Contrastes. Conteúdo. Material. Implicações. Mídia impressa. Audiovisual. Web. Porção de mundo. Demandas identitárias. Fatores externos. Políticas de controle. Exclusão. Dinâmica. Fundamento. Unidade. Transgressão. Norma. Tríplice. Geologia. Intervenção. Humano. Civilizatório. Produto. Engenharia. Estratégia. Ocupação. Entrelaçamento. Trânsito. Sobreposições. Regras. Observação. Exercício. Questionamento. Transitoriedade. Estar. Trabalho. Embate. Imagens mentais. Vivência. Espaço público. Fluxo cotidiano.

ao invés de mas devolvem – dialogam com Sonhos, desejos e projeções calcados em modelos de identidade e felicidade em meio aos confrontos do cotidiano. ilusão/desilusão

Irreversibilidade. Acontecimentos. Inscrições. Reflexão. Concepções. Subjetividades. Expectativa. Respeito. Presente. Futuro. Existência. e/ou. Presença. Outro. Projeções. Códigos. Situações transitórias. Fronteiriças. Propósito. Interligar. Transpor. Transbordar. Materializar. Ultrapassar. Penetrar. Realidade. Marca. Obcessão. Identidade. Estados. Nações. Mercados. Invenção. Passado. Crise. Obstáculos. Princípio. Mundo. Síntese. Social. Disparidades. Manifestações. Entrecruzar. Irrevogável. Subordinação. Projeto. Adaptação. Condição. Comunicação. Alteridade. Camada. Movimento. Vertigem. Ancestral. Águas. Marginal. Deriva. Ambulante. Colaboradas. Coletividade. Autogestão. Autonomia. Descartografia. Registro. Acervo. Circulação. Distribuição.

A ação é baseada no estatuto do lugar: “A ponte reúne enquanto passagem que atravessa”, disseram.

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DA PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE¹

Félix Guattari

O pensamento clássico mantinha a alma afastada da matéria e a essência do sujeito afastada das engrenagens corporais. Os marxistas, por sua vez, opunham as superestruturas subjetivas às relações de produção infra-estruturais. Como falar da produção de subjetividade, hoje? Uma primeira constatação nos leva a reconhecer que os conteúdos da subjetividade dependem, cada vez mais, de uma infinidade de sistemas maquínicos. Nenhum campo de opinião, de pensamento, de imagem, de afetos, de narratividade pode, daqui para a frente, ter a pretensão de escapar à influência invasiva da “assistência por computador”, dos bancos de dados, da telemática etc… Com isso chegamos até a nos indagar se a própria essência do sujeito – essa famosa essência atrás da qual a filosofia ocidental corre há séculos – não estaria ameaçada por essa nova “máquino-dependência” da subjetividade. Sabemos da curiosa mistura de enriquecimento e empobrecimento que resultou disso tudo até agora: uma aparente democratização do acesso aos dados e aos saberes, associada a um fechamento segregativo de suas instâncias de elaboração; uma multiplicação dos ângulos de abordagem antropológica e uma mestiçagem planetária das culturas, paradoxalmente. contemporâneas de uma ascensão dos particularismos e dos racismos; uma imensa extensão dos campos de investigação técnico-científicos e estéticos evoluindo num contexto moral de insipidez e desencanto. Mas ao invés de se associar às cruzadas tão em voga contra os malefícios do modernismo, ao invés de pregar a reabilitação dos valores transcendentais em ruína ou de entregar-se como o pós-modernismo às delícias da desilusão, pode-se tentar recusar o dilema de ter que optar entre uma rejeição crispada ou uma aceitação cínica da situação.

Que as máquinas sejam capazes de articular enunciados e registrar estados de fato ao ritmo do nano-segundo², e talvez amanhã do pico-segundo, ou de produzir imagens que não remetem a nenhum real representado, isso não faz delas potências diabólicas que estariam ameaçando dominar o homem. Na verdade, não tem sentido o homem querer desviar-se das máquinas já que, afinal das contas, elas não são nada mais do que formas hiperdesenvolvidas e hiperconcentradas de certos aspectos de sua própria subjetividade – e estes aspectos, diga-se de passagem, justamente não são daqueles que o polarizam em relações de dominação e de poder. Teremos lançado uma dupla ponte, do homem em direção à máquina e da máquina em direção ao homem e, com isso, terá se tornado mais possível esperar que novas e confiantes alianças se façam entre eles, quando tivermos estabelecido o seguinte:

1. que as atuais máquinas informacionais e comunicacionais não se contentem em veicular conteúdos representativos, mas que concorram igualmente para a confecção de novos Agenciamentos de enunciação (individuais e/ou coletivos);

2. que todos os sistemas maquínicos, seja qual foro domínio ao qual pertencem – técnico, biológico, semiótico, lógico, abstrato -, são o suporte, por si mesmos, de processos proto-subjetivos que eu qualificaria de subjetividade modular.

Evocarei aqui apenas o primeiro rol dessas questões, reservando-me para abordar o segundo, que gira em torno dos problemas de auto-referência, de autotranscendência etc., em outras circunstâncias.

Antes de prosseguir temos que nos perguntar se essa “entrada em máquina” da subjetividade – como se dizia antigamente “entrar em religião” (ordenar-se) – é realmente uma novidade absoluta. As subjetividades “pré-capitalistas” ou “arcaicas” também não eram engendradas por diversas máquinas iniciáticas, sociais, retóricas, embutidas nas instituições clânicas, religiosas, militares, corporativistas etc., que eu reagruparia aqui sob a denominação geral de “Equipamentos coletivos de subjetivação”? É o caso, por exemplo, das máquinas monacais que trouxeram até nós as memórias da antigüidade, fecundando assim nossa modernidade. O que eram estas máquinas monacais senão softwares, “macroprocessadores” da Idade Média – os neoplatônicos tendo sido, à sua maneira, os primeiros a conceber uma processualidade capaz de atravessar o tempo e as estases? E a Corte de Versalhes, com sua gestão minuciosa dos fluxos de poder, de dinheiro, de prestígio, de competência e suas etiquetas de alta precisão, o que era ela senão uma máquina deliberadamente concebida para secretar uma subjetividade aristocrática de reposição, muito mais submissa à realeza estatal do que a dos senhorios de tradição feudal e esboçando outras relações de sujeição aos valores e aos costumes das burguesias ascendentes?

Eu não poderia, num abrir e fechar de olhos, retraçar aqui o histórico desses Equipamentos coletivos de subjetivação. Aliás, a meu ver, nem a história, nem a sociologia estariam realmente em condições de nos dar as chaves analítico-políticas dos processos em questão. Eu gostaria apenas de destacar algumas vozes/vias [voi(x)(e)] fundamentais – aqui, o francês permite ligar homofônicamente, o caminho e a enunciação – que esses equipamentos produziram e cujo entrelaçamento permanece na base dos processos de subjetivação das sociedades ocidentais contemporâneas.

Distinguirei três séries destas vozes/vias:

1. as vozes de poder: que circunscrevem e cercam, de fora, os conjuntos humanos, seja por coerção direta e dominação panóptica dos corpos, seja pela captura imaginária das almas;

2. as vozes de saber: que se articulam de dentro da subjetividade às pragmáticas técnico-científicas e econômicas;

3. as vozes de auto-referência: que desenvolvem uma subjetividade processual autofundadora de suas próprias coordenadas, autoconsistencial (que há um tempo atrás eu havia relacionado à categoria de “grupo sujeito”), o que não a impede de instalar-se transversalmente às estratificações sociais e mentais.

Poderes sobre as territorialidades exteriores, saberes desterritorializados sobre as atividades humanas e as máquinas e, enfim, criatividade própria às mutações subjetivas: essas três vozes, embora inscritas no coração da diacronia histórica e duramente encarnadas nas clivagens e segregações sociológicas, não param de se entrelaçar em estranhos balés, alternando lutas de morte e a promoção de novas figuras.

Me parece oportuno assinalar, neste momento, que em nossa perspectiva esquizoanalítica de elucidação dos fatos de subjetivação, não faremos senão um uso muito discreto das abordagens dialéticas, estruturalistas, sistêmicas e mesmo genealógicas, no sentido de Michel Foucault. É que, a meu ver, de uma certa maneira todos os sistemas de modelização se valem, todos são aceitáveis, mas somente na medida em que seus princípios de inteligibilidade renunciem a qualquer pretensão universalista e admitam que eles não tem outra missão senão a de concorrer para a cartografia de Territórios existenciais – implicando Universos sensíveis, cognitivos, afetivos, estéticos etc. -, e isto para áreas e períodos de tempo bem delimitados. Esse relativismo, aliás, não tem absolutamente nada de difamatório de um ponto de vista epistemológico; ele se deve ao fato de que as regularidades, as configurações mais ou menos estáveis que as ocorrências subjetivas dão a decifrar, dependem exatamente e antes dê mais nada dos sistemas de auto-modelização acima evocados com a terceira voz de auto-referência. Aqui, os elos discursivos – tanto de expressão, como de conteúdo – não respondem mais senão de tempos a tempos, ou a contra-senso, ou por desfiguração, às lógicas ordinárias dos conjuntos discursivos. O que quer dizer que neste nível tudo é bom! – todas as ideologias, todos os cultos, até os mais arcaicos, podem bastar, pois trata-se de servir-se deles apenas a título de materiais existenciais. A finalidade primeira de suas cadeias expressivas não é mais a de denotar estados de fato ou de engastar estados de sentido em eixos significacionais; sua finalidade, repito, é a de efetuar cristalizações existenciais instaurando-se, de certo modo, aquém dos princípios de base da razão clássica: princípios de identidade, de terceiro excluído, de causalidade, de razão suficiente, de continuidade… O mais difícil de evidenciar aqui é que esses materiais, a partir dos quais podem se engrenar os processos de auto-referência subjetiva, sejam eles próprios extraídos de elementos radicalmente heterogêneos, para não dizer heteróclitos: ritmos de tempo vividos, ritornelos obsessivos, emblemas identificatórios, objetos transicionais, fetiches de toda espécie … O que se afirma por ocasião dessa travessia das regiões dos ser e dos modos de semiotização são traços de singularização – espécies de carimbos existenciais – que datam , ” acontecimentalizam”, “contingenciam ” os estados de fato, seus correlatos referenciais e os Agenciamentos de enunciação que lhes correspondem . Esta dupla capacidade dos traços intensivos de singularizar e de transversalizar a existência, de lhe conferir , por um lado uma persistência local e, por outro, uma consistência transversalista – uma transistência -, não pode ser plenamente captada pelos modos racionais de conhecimento discursivo . Ela só pode ser dada através de uma apreensão da ordem do afecto, uma captura transferencial global. O mais universal se encontra aqui ligado à facticidade a mais contingente ; a mais solta das amarras ordinárias do sentido se encontra aqui ancorada à finitude do ser-aí. Mas diversas tradições daquilo que podemos chamar de um “fracionalismo tacanho” continuam a manter um desconhecimento sistemático , quase militante, em relação a tudo aquilo que, no seio destas metamodelizações , possa referir – se a Universos virtuais e incorporais, a todos os mundos nebulosos da incerteza, do aleatório, do provável… Este “racionalismo tacanho” perseguiu por muito tempo, no seio da antropologia, os modos de categorização que ele qualificava de “pré-lógicos”, quando na, verdade estes modos não eram senão metalógicos, paralógicos, sendo seu objetivo essencialmente o de dar consistência a Agenciamentos

de subjetividades individuais e/ou coletivos. Orago que seria preciso conseguir pensar aqui é um continuum que iria das brincadeiras de criança, das ritualizações que se fazem de um jeito ou de outro por ocasião das tentativas de recomposição psicopatológica de mundos “esquizados “, até as cartografias complexas dos mitos e das artes para, finalmente , ir de encontro aos suntuosos edifícios especulativos das teologias e das filosofias que buscaram apreender essas mesmas dimensões de criatividade existencial . ( Basta evocar aqui as “almas esquecedoras ” de Plotino ou o “motor imóvel” que, segundo Leibniz, preexiste a toda e qualquer dissipação de potência).

Mas voltemos às nossas três vozes primordiais . A partir de agora, nosso problema será o de posicionar convenientemente a terceira, a da auto- referência , em relação às vozes dos poderes e dos saberes. Eu a defini como sendo a mais singular, a mais contingente , aquela que ancora as realidades humanas na finitude , e também a mais universal , aquela que opera as mais fulgurantes travessias por campos heterogêneos . Seria preciso dizê-lo de outro modo: ela não é universal no sentido, estrito, ela é a mais rica em Universos de virtualidade, a mais provida em linhas de processualidade. E aqui peço ao leitor que não me leve a mal pela utilização de uma pletora de qualificativos, por um transbordamento de sentido de certas expressões e, sem dúvida, por uma certa imprecisão de seu alcance cognitivo: não há, aqui, outros recursos possíveis!

As vozes de poder e de saber se inscreviam em coordenadas de exorreferência que lhes garantiam um uso extensivo e uma circunscrição precisa de sentido. A Terra era o referente de base dos poderes sobre os corpos e as populações, enquanto que o Capital era o referente dos saberes econômicos e do controle dos meios de produção. O Corpo sem órgãos da auto-referência, sem figura nem fundo, nos abre, por sua vez, o horizonte inteiramente diferente de uma processualidade considerada como ponto de emergência contínua de toda forma de criatividade.

Faço questão de frisar que esta tríade – Poder territorializado, Capital de saber desterritorializado e Auto-referência processual – não tem outra ambição senão a de esclarecer certos problemas como, por exemplo, a atual ascensão das ideologias neoliberais ou de outros arcaísmos ainda mais perniciosos. Em todo caso, evidentemente não é a partir de um modelo tão sumário que se poderia pretender abordar as cartografias de processos concretos de subjetivação. Digamos que se trata aí apenas de instrumentos de uma cartografia especulativa, sem qualquer pretensão no que diz respeito a uma fundação estrutural universal, ou a uma eficiência de campo. O que é uma outra maneira de lembrar que estas vozes não existiram desde sempre e que, sem dúvida, tampouco existirão para sempre, em todo caso não sob a mesma forma. A partir daí talvez seja pertinente procurar localizar a emergência histórica destas vozes, as transposições de limiares de consistência que iriam fazer com que elas se colocassem duravelmente na órbita de nossa modernidade.

Pode-se esperar que tal tomada de consistência se apoie em sistemas coletivos de “memorização” dos dados e dos saberes, mas igualmente em dispositivos materiais de ordem técnica, científica e estética. Pode-se então tentar datar essas mutações subjetivas fundamentais em função, por um lado, do nascimento de grandes Equipamentos coletivos religiosos e culturais e, por outro, da invenção de novos materiais, de novas energias, de novas máquinas de cristalizar o tempo e, enfim, de novas tecnologias biológicas. Não estou dizendo que trata-se aí de infra-estruturas materiais condicionando diretamente a subjetividade coletiva, mas somente de componentes essenciais para a sua tomada de consistência no espaço e no tempo, em função de transformações técnicas, científicas e artísticas.

Estas considerações me levam então a distinguir três zonas de fraturas históricas a partir das quais, no decorrer do último milênio, surgiram três componentes capitalistas fundamentais:

- a idade da cristandade européia: marcada por uma nova concepção das relações entre a Terra e o Poder;

- a idade da desterritorialização capitalista dos saberés e das técnicas: fundada sobre princípios de equivaler generalizado;

- a idade da informatização planetária: que abre a possibilidade para uma processualidade criativa e singularizante tornar-se a nova referência de base.

No que diz respeito a este último ponto, antes de mais nada é preciso admitir que poucos elementos objetivos nos permitem esperar ainda por uma tal virada da modernidade mass-midiática opressiva em direção a uma era pós-mídia que daria todo seu alcance aos Agenciamentos de auto-referência subjetiva. Parece-me, no entanto, que não é senão no contexto das novas distribuições das cartas da produção da subjetividade informática e telemática que essa voz da auto-referência chegará a conquistar seu pleno regime. É claro que nada disso está ganho! Nada nesse campo poderia substituir as práticas sociais inovadoras. Não se trata aqui senão de constatar que, diferentemente de outras revoluções de emancipação subjetiva – Espartacus, a Revolução francesa, a Comuna de Paris… -, as práticas individuais e sociais de autovalorização, de auto-organização da subjetividade, hoje ao alcance de nossas mãos, estão em condições, talvez pela primeira vez na história, de desembocar em algo mais durável do que as loucas e efêmeras efervescências espontâneas, ou seja, desembocar num reposicionamento fundamental do homem em relação ao seu meio ambiente maquínico e ao seu meio ambiente natural (que aliás tendem a coincidir).

A IDADE DA CRISTANDADE EUROPÉIA

Sobre as ruínas do Baixo Império e do império carolíngio, ergueu-se na Europa ocidental uma nova figura de subjetividade que podemos caracterizar por uma dupla articulação:

1. com as entidades territoriais de base relativamente autônomas, de caráter étnico, nacional, religioso, que no começo deviam constituir a textura da segmentaridade feudal, mas que foram levadas a manter-se, sob outras formas, até nossos dias;

2. com a entidade desterritorializada de poder subjetivo de que a Igreja católica era portadora e que foi estruturada como Equipamento coletivo em escala européia.

Diferentemente das fórmulas anteriores de poder imperial, a figura central do poder já não tem aqui alcance direto, totalitário/totalizante, sobre os territórios de base do socius e da subjetividade. A cristandade, muito mais precocemente que o Islã, teve que renunciar a constituir uma unidade orgânica. Mas o desaparecimento de um César em carne e osso e a promoção, que se ouse dizer substitutiva, de um Cristo desterritorializado, longe de enfraquecer os processos de integração da subjetividade, ao contrário, os terão reforçado. Parece-me que da conjunção entre a autonomia parcial das esferas política e econômica, própria da segmentaridade feudal, e esse caráter hiperfusional da subjetividade cristã (manifesta com as cruzadas ou a adoção de códigos aristocráticos tais como “A Paz de Deus” descrita por Georges Duby), tenha resultado uma espécie de falha, de equilíbrio metaestável, favorável à proliferação de outros processos igualmente parciais de autonomia que reencontraremos nos seguintes fenômenos:

- na vitalidade cismática da sensibilidade e da reflexão religiosa característica desse período;

- na explosão de criatividade estética que, na verdade, desde então nunca mais parou;

- na primeira grande “decolagem” das tecnologias e das trocas comerciais, qualificadas pelos historiadores de “revolução industrial do século XI”, e que foi correlativa do aparecimento de novas figuras de organização urbana.

O que terá dado a essa fórmula ambígüa, instável, torturada, o aumento de consistência que deveria lhe permitir sobreviver às terríveis provas históricas que a esperavam: as invasões bárbaras, as epidemias, as guerras permanentes? Esquematicamente, seis séries de fatores:

1. a promoção de um monoteísmo que, com o uso, se revelaria bastante flexível, evolutivo, relativamente capaz de se adaptar às posições subjetivas particulares dos bárbaros, dos escravos etc. O fato de que a flexibilidade de um sistema de referência ideológica tenha se tornado um trunfo fundamental para que ele consiga perdurar, constituirá um dado de base que reencontraremos em todas as encruzilhadas importantes da história da subjetividade capitalística. (Que se pense, por exemplo, na surpreendente capacidade de adaptação do capitalismo contemporâneo que lhe permite

fagocitar, literalmente, as economias ditas socialistas). A consolidação dos novos padrões ético-religiosos do Ocidente cristão, desembocará na constituição de um duplo mercado paralelo de subjetivação: um mercado de refundação permanente de territorialidades de base e de redefinição de filiações e de redes de suserania, sejam quais forem seus fracassos; e um outro, de predisposição a uma livre circulação de fluxos de saber, de signos monetários, de figuras estéticas, de tecnologia, de bens, de pessoas etc., abrindo passagem para a assunção da segunda voz capitalística desterritorializada;

2. a instauração de um esquadrinhamento cultural das populações cristãs por um novo tipo de máquina religiosa assentando-se, particularmente, sobre as escolas paroquiais criadas por Carlos Magno e que sobreviveram ao desaparecimento de seu império;

3. a instauração, numa longa duração, de corpos de ofícios, de guildas, de mosteiros, de ordens religiosas… como outros tantos “bancos de dados” de saberes e de técnicas da época;

4. a generalização do uso do ferro e dos moinhos de energia natural;

o desenvolvimento de mentalidades artesanais e urbanas. Mas esse primeiro florescimento do maquinismo, é preciso sublinhar, não se implantou senão de um modo, por assim dizer, parasita, “enquistado” no seio dos grandes Agenciamentos humanos sobre os quais continuou a assentar-se o essencial dos grandes sistemas de produção. Em outras palavras, aqui não se sai ainda de uma relação fundamental homem/ferramenta;

5. o aparecimento das primeiras máquinas operando uma integração subjetiva muito mais desenvolvida:

- os relógios que batem as mesmas horas canônicas, em toda a cristandade;

- a invenção, por etapas, de músicas religiosas submetidas a um suporte escritural;

6. as seleções de espécies animais e vegetais que estarão na base desse florescimento quantitativo dos parâmetros demográficos e econômicos e, conseqüentemente, do redimensionamento dos Agenciamentos em questão.

Apesar, ou por causa, das colossais pressões de recalcamento territorial, mas também das aculturações enriquecedoras – exercidas, de um lado, pelo Império bizantino, retomado pelo imperialismo árabe e, de outro, pelas potências bárbaras e nômades, particularmente portadoras de inovações metalúrgicas -, o caldo de cultura da cristandade protocapitalística chegará a uma estabilização relativa (mas de longa duração) de seus três pólos fundamentais de subjetivação, aristocráticos, religiosos e camponeses, que regem suas relações de poder e de saber. Assim, as “irrupções maquínicas” ligadas ao desenvolvimento urbano e ao florescimento das tecnologias civis e militares estarão sendo encorajadas e, ao mesmo tempo, refreadas. Essa espécie de estado de natureza das relações entre o homem e a ferramenta continuará assediando até hoje os paradigmas de reterritorialização do tipo “Trabalho, Família, Pátria”.

A IDADE DA DESTERRITORIALIZAÇÃO CAPITALÍSTICA DOS SABERES E DAS TÉCNICAS

Este segundo componente da subjetividade capitalística vai se afirmar, principalmente , a partir do século XVIII, qúe será marcado por um desequilíbrio crescente das relações homem /máquina. O homem perderá aí territorialidades sociais que lhe pareciam até então inamovíveis. Com isso, suas referências de corporeidade física e social ficarão profundamente perturbadas . O universo de referência do novo cambismo generalizado, não será mais uma territorialidade segmentária , mas o Capital como modo de reterritorialização semiótica das atividades humanas e das estruturas convulsionadas pelos processos maquínicos . Antes era o Déspota real ou o Deus imaginário que serviam de pedra angular operacional para a recomposição local de Territórios existenciais . Agora será uma capitalização simbólica de valores abstratos de poder, incindindo sobre saberes econômicos e tecnológicos , articulados a duas classes sociais desterritorializadas e conduzindo a uma equivalência generalizada entre todos os modos de valorização dos bens e das atividades humanas. Tal sistema só conseguirá conservar uma consistência histórica na medida em que permanecer engajado numa espécie de eterna corrida desenfreada e ficar retomando suas manobras constantemente . A nova “paixão capitalística” varrerá tudo o que encontrar pelo caminho : em especial as culturas e as territorialidades que, bem ou mal, haviam conseguido escapar aos rolos compressores do cristianismo . Os principais fatores de consistência deste componente são:

1. uma penetração geral do texto impresso no conjunto das engrenagens da vida social e cultural, correlativa de um certo enfraquecimento das performances de comunicação oral diretas , mas que em contrapartida autorizará uma capacidade muito maior de acumulação e de tratamento

dos saberes;

2. o primado do aço e das máquinas a vapor que multiplicará a potência de penetração dos vetores maquínicos tanto na terra , no mar e no ar, quanto no conjunto dos espaços tecnológicos , econômicos e urbanísticos;

3. uma manipulação do tempo, que ficará literalmente esvaziado de seus ritmos naturais , promovida por:

- máquinas cronométricas que levarão ao esquadrinhamento tayloriano da força de trabalho;

- técnicas de semiotização econômica , por exemplo , através de moedas de crédito que implicam uma virtualização geral das capacidades de iniciativa humana e um cálculo previsional que incinde sobre os campos de inovação – espécies de notas promissórias para o futuro – que permitem ampliar indefinidamente o império das economias de mercado;

4. as revoluções biológicas a partir das descobertas de Pasteur que vão ligar, cada vez mais, o futuro das espécies vivas ao desenvolvimento das indústrias bioquimícas.

A partir daí, o homem se encontra numa posição de adjacência quase parasitária em relação aos Phylum maquínicos . Em suma, cada um de seus órgãos , de suas relações sociais sofrerá um novo recorte para ser reafetado, sobrecodificado , em função das exigências globais do sistema. (É na obra de Leonardo da Vinci, de Brueghel e sobretudo de Arcimboldo que encontraremos as mais impressionantes e premonitórias representações desses remanejamentos corporais).

O que é paradoxal com esse funcionalismo dos órgãos e das faculdades humanas e seu regime de equivaler generalizado dos sistemas de valorização é que ao mesmo tempo em que se refere obstinadamente a perspectivas universalizantes, historicamente ele nunca pôde chegar a outra coisa senão a um retorno sobre si mesmo, a reterritorializações de ordem nacionalista, classista, racista, corporativista, paternalista…, que o levaram inexoravelmente, e às vezes caricaturalmente, às vias de poder as mais conservadoras. O “Espírito das Luzes” que marcou o advento dessa segunda figura da subjetividade capitalística permaneceria, de fato, acompanhado de um incorrigível fetichismo do lucro – fórmula libidinal de poder especificamente burguesa que, apesar de ter se diferenciado dos antigos sistemas emblemáticos de controle dos territórios, das pessoas e dos bens, recorrendo a mediações mais desterritorializadas, nem por isso deixou de secretar um fundo subjetivo dos mais obtusos, dos mais associais e dos mais infantilizantes. Portanto, sejam quais forem as aparências de liberdade de pensamento com a qual o novo monoteísmo capitalístico sempre gostou de se pavonear, ele sempre pressupôs uma dominação arcaizante e irracional da subjetividade inconsciente, especialmente através de dispositivos de responsabilização e de culpabilização hiperindividualizados que, levados a seu paroxismo, conduzem às compulsões autopunitivas e aos cultos mórbidos do erro, repertoriados com perfeição no universo kafkiano.

A IDADE DA INFORMÁTICA PLANETÁRIA

Aqui, os pseudo-equilíbrios precedentes ficarão rompidos num sentido inteiramente diferente. Agora é a máquina que irá ficar sob o controle da subjetividade, não de uma subjetividade humana reterritorializada, mas de uma subjetividade maquínica de um novo gênero. Algumas características da tomada de consistência dessa nova era:

1. a mídia e as telecomunicações tendem a duplicar as antigas relações orais e escriturais. Cabe notar que a polifonia que resultar disso não irá mais associar apenas vozes humanas, mas também vozes maquínicas com os bancos de dados, a inteligência artificial, as imagens de síntese etc. A opinião e o gosto coletivo, por sua vez, serão trabalhados por dispositivos estatísticos e de modelização como os que são produzidos pela publicidade e a indústria cinematográfica;

2. as matérias-primas naturais vão se apagando aos poucos diante de uma imensidão de novos materiais fabricados por encomenda pela química (materiais plásticos, novas ligas, semicondutores etc.). O desenvolvimento da fissão nuclear e, amanhã, da fusão, nos permite prever uma ampliação considerável dos recursos energéticos, a não ser que este desenvolvimento conduza a desastres irreversíveis causados por poluição! Aqui, como em tudo mais, isto dependerá das capacidades de reapropriação coletiva dos novos Agenciamentos sociais;

3. com a temporalidade introduzida pelos microprocessadores, quantidades enormes de dados e de problemas podem ser tratados em lapsos de tempo `minúsculos, de modo que as novas subjetividades maquínicas não páram de adiantar-se aos desafios e aos problemas com os quais se confrontam;

4. a engenharia biológica, por sua vez, abre caminho para uma remodelação das formas vivas que pode levar a modificações radicais das condições de vida no planeta e, conseqüentemente, de todas as referências etológicas e imaginárias que lhe são aferentes.

A questão que volta aqui, de maneira lancinante, consiste em saber porque as imensas potencialidades processuais trazidas por todas essas revoluções informáticas, telemáticas, robóticas, biotecnológicas, dos escritórios [bureautiques]… até agora só fizeram levar a um reforço dos sistemas anteriores de alienação, a uma mass-midiatização opressiva e a políticas consensuais infantilizantes. O que irá permitir que estas potencialidades desemboquem enfim numa era pós-mídia, que as livre dos valores capitalísticos segregativos e crie condições para o pleno desabrochar dos esboços atuais de revolução da inteligência, da sensibilidade e da criação? Diversos tipos de dogmatismo pretendem encontrar uma saída para esses problemas, afirmando violentamente uma dessas três vozes capitalísticas, em detrimento das outras duas. Há aqueles que sonham, em matéria de poder, em voltar às legitimidades dos velhos tempos, às circunscrições bem delimitadas de povo, de raça, de religião, de casta, de sexo… Paradoxalmente, os neo-stalinistas e os social-democratas, que não conseguem pensar o socius senão no quadro de uma inserção rígida no seio das estruturas e das funções estatais, têm que ser classificados nessa categoria. Há aqueles cuja fé no capitalismo leva a justificar todas as devastações da modernidade – no homem, na cultura, no meio ambiente… – porque estimam que, em última instância, eles serão portadores de benefícios e progressos. Há aqueles, enfim, que por seus fantasmas de liberação radical da criatividade humana acabaram sendo relegados a uma marginalidade crônica, a um mundo de ilusões, ou os que voltaram a buscar refúgio atrás de um socialismo ou de um comunismo de fachada.

Cabe a nós, ao contrário, tentar repensar estas três vozes em sua necessária intricação. Nenhum engajamento nos Phylum criadores da terceira voz é sustentável sem que se criem, ao mesmo tempo, novas territorialidades existenciais que, por não serem mais da alçada de um etos pós- carolíngio, nem por isso deixam de apelar para disposições protetoras em relação à pessoa, ao imaginário e à constituição de um meio ambiente de suavidade e dedicação. Quanto aos megaempreendimentos da segunda voz, as grandes aventuras coletivas industriais e científicas e a gestão dos grandes mercados de saber, é evidente que eles continuam conservando toda sua legitimidade, mas com a condição de que sejam redefinidas suas finalidades, pois eles permanecem desesperadamente surdos e cegos às verdades humanas. É possível pretender ainda que sua finalidade seja somente o lucro? Seja como for, a finalidade da divisão do trabalho, assim como a das práticas sociais emancipadoras, terá que acabar recentrando-se num direito fundamental à singularidade, numa ética da finitude, tanto mais exigente em relação aos indivíduos e às entidades sociais, quanto menos capaz ela for de fundar seus imperativos em princípios transcendentes. Vê- se aqui que os Universos de referência ético-políticos são chamados a se instaurar no prolongamento dos universos estéticos, sem que por isso alguém esteja autorizado a falar aqui em perversão ou sublimação. Pode-se notar que os operadores existenciais que incidem sobre essas matérias ético-políticas, da mesma forma que os operadores estéticos implicam passagens inevitáveis por pontos de ruptura de sentido, por engajamentos processuais irreversíveis, cujos agentes são geralmente incapazes de prestar contas a quem quer que seja, nem mesmo a si próprios, o que inclusive os expõe a riscos de loucura. Só uma tomada de consciência da terceira voz, no sentido da auto-referência – a passagem da era consensual midiática a uma era dissensual pós-midiática – permitirá a cada um assumir plenamente suas potencialidades processuais e fazer, talvez, com que esse planeta, hoje vivido como um inferno por quatro quintos de sua população, transforme-se num universo de encantamentos criadores.

Imagino que esta linguagem possa soar oca a muitos ouvidos blasés, e que os menos mal intencionados podem tachar meus propósitos de utópicos. Sim, a utopia hoje não está bem cotada, mesmo quando ela adquire uma carga de realismo e de eficiência como a que lhe confere os Verdes na Alemanha. Mas não nos enganemos: o interesse por estas questões de produção de subjetividade não se limita mais apenas a um punhado de iluminados. Olhem bem o Japão, modelo dos modelos das novas subjetividades capitalísticas! Ainda não se frisou suficientemente, que um dos ingredientes essenciais do coquetel-milagre que se apresenta aos visitantes no Japão, consiste no fato de que a subjetividade coletiva, que lá é produzida massivamente, associa componentes os mais hi-tech a arcaísmos herdados de tempos imemoriais. Aqui também encontramos a função reterritorializante de um monoteísmo ambígüo – o Xintoísmo, mistura de animismo e de potências universais – que contribui para o estabelecimento de uma fórmula maleável de subjetivação a qual, é verdade, nos leva para bem longe da épura triádica das vias cristãs-capitalísticas. Seria preciso investigar melhor!

Mas consideremos, num outro extremo, o caso do Brasil. Está aí um país onde os fenômenos de reconversão das subjetividades arcaicas tomaram um rumo inteiramente diferente. Sabe-se que considerável parcela da população brasileira vegeta numa tal miséria que escapa, de fato, à economia monetária, o que não impede que sua indústria seja classificada em sexto lugar entre as grandes potências ocidentais. Nessa sociedade dual – e como! -, assistimos a uma subjetividade sendo duplamente varrida: de um lado, por uma onda ianque bastante racista – por mais que isto desagrade a alguns – que é veiculada por uma das mais potentes redes televisivas do mundo e, de um outro lado, por uma onda de caráter animista com religiões sincréticas como o candomblé, mais ou menos herdadas do fundo cultural africano, e que tendem a sair de seu acantonamento originário do seio das populações negras, para contaminar o conjunto da sociedade, inclusive os meios mais abastados do Rio e de São Paulo. É impressionante ver o quanto, nesse contexto, a impregnação mass-midiática precede a aculturação capitalística. E sabem o que aconteceu quando o presidente Sarney quis dar um golpe decisivo na inflação que tinha chegado a 400 % ao ano? Ele foi à televisão, brandiu um papel diante das câmaras e declarou que a partir do instante em que ele assinasse o decreto-lei que tinha em mãos, cada espectador que o assistia naquele momento seria seu representante pessoal e teria o direito de denunciar os comerciantes que remarcassem os preços, o que podia até dar cadeia. Parece que este foi um tempo tremendamente eficaz. Mas a que preço de regressão em matéria de direito!

O impasse subjetivo do capitalismo da crise permanente (o Capitalismo Mundial Integrado) parece total. Ele sabe que as vozes de auto-referência são indispensáveis para sua expansão e portanto para sua sobrevivência; no entanto, tudo o leva a refrear sua proliferação. Uma espécie de Superego – a voz grossa carolíngea – não sonha senão em esmagar essas vozes, reterritorializando-as em suas imagens arcaicas. Mas, para procurar sair desse círculo vicioso, tentemos agora ressituar nossas três vozes capitalistas em relação às coordenadas geopolíticas em uso para hierarquizar os grandes conjuntos subjetivos em primeiro, segundo e terceiro mundo. Para a subjetividade do Ocidente cristão tudo era (e, inconscientemente, continua sendo) simples: ela não sofre nenhum enquadramento, nem de latitude, nem de longitude. Ela é o centro transcendente em torno do qual tudo é suposto girar. As vozes do Capital, por sua vez, não pararam de avançar, primeiro em direção ao Oeste, atrás de inapreensíveis “novas fronteiras” e, mais recentemente, em direção ao Leste, na conquista de tudo aquilo em que se transformaram os antigos impérios asiáticos – inclusive a Rússia. Só que essa corrida enlouquecida chega a seu termo com a Califórnia de um lado e o Japão do outro. A segunda voz do Capital está encerrada, o mundo se fechou e o sistema está saturado. (A última potência que irá percebê-lo será sem dúvida a França, agarrada em seu atol de Mururoa!)³. A conseqüência, disto é que talvez seja no eixo Norte-Sul que vai estar em jogo o destino da terceira voz da auto-referência: é o que eu gostaria de chamar de “compromisso bárbaro”. O antigo limes de delimitação da barbárie desagregou-se irremediavelmente, desterritorializou- se. Os últimos pastores do monoteísmo perderam seus rebanhos, pois a nova subjetividade não é mais de natureza a poder ser reunida. E, aliás, agora é o Capital que começa a explodir em polivocidade animista e maquínica. Não seria uma virada fabulosa que as velhas subjetividades africanas, pré-colombianas, aborígenes… se tornassem o recurso último da reapropriação subjetiva da auto-referência maquínica? Aqueles mesmos negros, índios, oceânicos dos quais tantos ancestrais escolheram a morte ao invés da submissão aos ideais de poder, de escravismo e, depois, de cambismo, da cristandade e do capitalismo?

E, para terminar, espero que o leitor não me faça objeções pelo caráter um tanto exótico de meus dois últimos exemplos. Mesmo num país do Velho Continente como a Itália, constata-se que há alguns anos, no seio do triângulo Norte-Leste-Centro, uma imensidão de pequenas empresas familiares começaram a viver em simbiose com os ramos industriais de ponta da eletrônica e da telemática. Isso chega ao ponto de que se uma Silicon Valley à italiana tiver que surgir, será graças à reconversão de arcaismos subjetivos, que têm sua origem nas antigas estruturas patriarcais daquele país. E talvez não seja do desconhecimento do leitor que alguns prospectivistas, que não são absolutamente fantasistas, pretendem que certos países mediterrâneos como a Itália e a Espanha, estão sendo levados a superarem, em alguns decênios, os grandes pólos econômicos da Europa setentrional. Então, vejam, em matéria de sonho e de utopia, o futuro permanece amplamente aberto. Meu anseio é que todos aqueles que continuam ligados à idéia de progresso social – para quem o social não se tornou um engodo, uma “aparência” – se debrucem seriamente sobre essas questões de produção da subjetividade. A subjetividade de poder não cai do céu; não está inscrito nos cromossomos que as divisões do saber e do trabalho devem necessariamente levar às terríveis segregações que a humanidade conhece hoje. As figuras inconscientes do poder e do saber não são universais, elas estão,ligadas a mitos de referência profundamente ancorados na psique, mas que também podem ser inflectidos em direção a vias liberadoras. A subjetividade permanece hoje massivamente controlada por dispositivos de poder e de saber que colocam as inovações técnicas, científicas e artísticas a serviço das mais retrógradas figuras da socialidade. E, no entanto, é possível conceber outras modalidades de produção subjetiva – estas processuais e singularizantes. Essas formas alternativas de reapropriação existencial e de autovalorização podem tornar- se, amanhã, a razão de viver de coletividades humanas e de indivíduos que se recusam a entregar-se à entropia mortífera, característica do período que estamos atravessando.

Tradução de Suely Rolnik

NOTAS

1. Texto enviado por Guattari ao Colégio Internacional de Estudos Filosóficos Transdisciplinares, para integrar a publicação de um número da revista 34 Letras sobre o tema da Pós-Modernidade. Esta publicação, no entanto, acabou não ocorrendo por conta do desaparecimento da revista. O texto foi editado pela primeira vez na revista Chimères – Revue des Schizoanalyses (n. 4, inverno 1987-1988; pp. 27-44) e reeditado como “Liminar”, no livro de Guattari Cartographies Schizoanalytiques ( Galilée, Paris, 1989; pp. 9-25). (N. da Ed.)

2. Nano-segundo: dez elevado a menos nove segundos; pico-segundo: dez elevado a menos doze segundos. Sobre todos os temas prospectivos aqui evocados, cf. “Rapport sur l’état de Ia technique” C.P.E., número especial de Science et téchnique, dirigido por Thierry Gaudin. (N. do A.)

3. Atol no Pacífico que pertence à França e é base de suas experiências nucleares. ( N. da T.)


Fonte: GUATTARI, Félix. Da produção da subjetividade. In.: PARENTE, André (Org.). Imagem-máquina: a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996.

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Muxe: o terceiro sexo.

Justo, no México, “país do machismo”, há uma localidade que se distingue nitidamente de suas cercanias: é Juchitán, a cidade com mais do que dois sexos.

por Veronika Bennholdt-Thomsen

Juchitán é diferente. Essa cidade no istmo de Tehuantepec, com cerca de 90 mil habitantes, não combina muito com a imagem de um México marcado pelo machismo. No comércio e na vida social, quem manda é a mulher; e qualquer homem que quiser pode se fazer passar abertamente por mulher. Os muxes (termo supostamente derivado do espanhol mujer) não são apenas aceitos, mas também estimados em sua alteridade. São considerados especialmente trabalhadores, o que não é de se admirar, pois demonstram à sociedade seu status de terceiro sexo ao se destacarem de forma especial nos setores de trabalho femininos. Como o trabalho das mulheres é altamente reconhecido em Juchitán, para os muxes é mais fácil deixar para trás sua identidade masculina aqui do que em outros lugares. Mulheres e muxes são comerciantes e artesãos responsáveis sobretudo pelos alimentos e pelos deliciosos pratos, bem como por bordado, artes medicinais, cerâmica e pelas numerosas festas do ciclo anual, para as quais eles fornecem comida e bebida, além da decoração para a praça das festividades.

Os homens são responsáveis pelos bens primários, ou seja, pela lavoura e pela pesca, trabalham como artesãos em ramos masculinos como construção civil, marcenaria, tecelagem de redes e ourivesaria, mas também em âmbitos como música, pintura e poesia. Os homens colocam seus produtos na mão das mulheres e elas os comercializam. A mulher administra todo o dinheiro, inclusive o lucro da venda dos produtos é o salário que os poucos assalariados, desde sempre em minoria nessa comunidade, lhes entregam integralmente. Afinal, os assuntos financeiros fazem parte das incumbências femininas.

E o erotismo, a sexualidade? Os muxes são considerados especialmente eróticos. Quando aparecem nas festas, maquiados, cheios de jóias, flores no cabelo, e se sentam junto às mulheres nas primeiras fileiras em torno do terreiro de dança, todo mundo estica o pescoço, até os homens sentados nas filas de trás, por mais que esses o façam menos ostensivamente, para evitar que seu interesse sexual pelos muxes vire imediatamente alvo de zombarias nada discretas.

Nos últimos anos, os muxes passaram cada vez mais a se vestir para as festas com os trajes típicos das juchitecas, ricamente bordados, em vez de usarem calça preta e camisa branca. Isso não deixa de provocar um certo mau humor entre as mulheres, pois elas já não podem mais se distinguir dessas outras vestidas como rainhas e tidas em similar alta estima. Não é raro ouvir um muxe soltar uma tirada contra alguma difamadora: “Sou mais mulher do que você!”. Também se ouve murmurar que certas mulheres se expressam de forma tão crítica por causa da concorrência pela atenção sexual dos homens ou de um determinado homem. Afinal, o parceiro sexual do muxe é o homem, que – por sua vez – não é visto nem como experiência reiteradamente na idade adulta, algo em geral acompanhado por um alto consumo alcoólico. Por mais que seja raro, também há homens que vivem numa relação estável com um muxe, sem que isso altere seu status masculino. Do mesmo modo, também há casos igualmente raros de muxes que vivem numa relação fixa com uma mulher e têm filhos, sem que isso altere em nada seu status de muxe. Em contrapartida, o contato sexual entre muxes é mal visto, considerado uma quebra de tabu no sistema de regras sexuais.

Como é que nós, a partir do sistema de categorias da Europa Central, podemos compreender essa outra forma de lidar com identidades sexuais? Ou melhor, como é que se produz identidade sexual aqui e lá? Muito esclarecedor nesse contexto é o resultado de uma pequena enquete que um austríaco fez entre os muxes de Juchitán em 2004. No estudo de campo “Transgênero e Normas Sociais”, Georg Brandenburg indagou pelo que os muxes optariam, se tivessem a possibilidade, já existente na Áustria, de fazer uma operação com o melhor acompanhamento médico e passar a tomar hormônios para se transformar numa mulher. Nenhum dos muxes entrevista dos achou a idéia interessante, mas sim estranha: “Não, isso não mudaria nada. Nesse caso, eu seria um muxe com corpo de mulher”, respondeu um deles. Dificilmente se poderia expressar melhor a identidade como terceiro sexo, sim, a existência de um terceiro sexo. Afinal, em Juchitán não se separa a natureza da “construção” social dos sexos, ao contrário do que ocorre no conceito de “gênero”; a natureza sempre é compreendida como algo socialmente moldado – tanto a do muxe quanto a das mulheres e dos homens. Daria para dizer que não existe biologia pura.

O trabalho tem um papel importante na definição da atribuição sexual. Não embora, mas justamente porque a divisão sexual de trabalho entre homem e mulher é nitidamente marcada em Juchitán, é possível definir um terceiro sexo. Entre nós, pelo contrário, a dissolução de todas as atribuições séxuais biológicas é vista como pressuposto da liberdade de escolha de uma identidade sexual para além da norma heterossexual – algo reforçado nos últimos anos pelo desconstrutivismo e pelo discurso de gêneros. Por trás disso está a noção ocidental da natureza como reino restritivo da necessidade, de modo que a dissolução do contexto natural é entendida como um passo rumo à libertação da heterossexualidade obrigatória.

Por intermédio de uma clara divisão sexual de trabalho, ainda se define um quarto sexo na região do istmo zapoteca: a marimacha. Trata-se da mulher que se identifica como papel social masculino, faz trabalho de homem e geralmente vive em um relacionamento com outra mulher. Ao contrário dos muxes, que costumam dizer que desde crianças se sentiam do lado feminino, não são poucas as que se tornaram marimachas quando adultas, mesmo após o nascimento dos filhos. Ao contrário dos muxes, as marimachas não são facilmente aceitas como um sexo autônomo. Talvez isso se deva ao alto prestígio da mulher na sociedade dos Binnizá, algo a que elas renunciam ao se tornarem homens e que os muxes, por sua vez, conquistam para si. Seja como for, o trabalho define em todos os casos igualmente as atribuições sexuais.

Em Juchitán, trabalho é uma expressão do corpo, é a liga ção da corporalidade humana, da natureza humana com a natureza à volta, com os materiais da natureza, fazendo uma ponte com a comunidade. Através do trabalho, a pessoa como um todo se realiza no mundo-com espírito, alma, corpo, sexualidade e aptidão. Ser comerciante é, portanto, uma capacidade com a qual a mulher juchiteca nasce, uma característica sexual secundária, por assim dizer. É por isso que um homem comerciante também é um muxe. Analogamente, o mercado, isto é, as barracas do mercado e das ruas adjacentes, bem como o comércio exterior e os negócios bancários são de responsabilidade das mulheres. Quando elas aparecem nas festas usando ostensivamente as jóias de ouro que adquiriram através de seu trabalho, quem vê entende intuitivamente o quanto isso está ligado à sua atratividade sexual. Desenvolver seu talento como comerciante é algo que enche a mulher de satisfação e orgulho. 0 mesmo se aplica ao homem e à sua vocação para a lavoura e a pesca. As mulheres, em contrapartida, não são camponesas nem pescadoras, a não ser que sejam marimachas. Como a atividade imediatas ignifica ao mesmo tempo o desenvolvimento da vida, os habitantes de Juchitán não aspiram a fazer trabalho assalariado ou a deixar seu trabalho ser executado por trabalhadores assalariados.

Assim, a economia de Juchitán consiste em inúmeros autônomos, não apenas com uma clara divisão de trabalho entre os sexos, mas também com uma alta divisão de trabalho entre as mulheres. Não há donas-de-casa em Juchitán. Toda atividade é estimada como produtiva e seu produto pode ser negociado como mercadoria. Somente a própria mão-de- obra não se torna mercadoria. Toda mulher e todo muxe são especializados em diferentes âmbitos de produção, que entre nós geralmente contam como trabalho doméstico de responsabilidade de uma única mulher, mas lá são destinados ao mercado: preparar chocolate, fazer compota de frutas, assar pastéis de milho, lavar e engomar a barra rendada do traje de festa etc. Com isso, a cidade inteira se torna um grande domicílio negociado pelo mercado. Em outras palavras, o trabalho de subsistência ligado à natureza, ou seja, o trabalho naquilo que é necessário à subsistência cotidiana não é menosprezado em Juchitán. Ao contrário do que ocorre entre nós, a meta não consiste em se libertar desse trabalho, mas sim em realizá-lo bem.

Será que é essa extraordinária força econômica da mulher que permite ao muxe ser tão bem aceito socialmente, a ponto de as mães ficarem contentes quando um de seus filhos se revela muxe? Essa é uma suposição manifestada com freqüência, embora seja apenas a meia verdade. A verdade inteira é que esse sistema social, econômico e cultural tão distinto se baseia numa compreensão da natureza diferente da nossa. Assim que a mão-de-obra se torna mercadoria e o ser humano deixa de praticar uma atividade concreta cujo sentido seja o aproveitamento imediato do resultado do trabalho, assim que se passa a trabalhar por um salário abstrato, portanto, desaparece o erotismo do fazer e com isso também a possibilidade de realizar a natureza humana através do trabalho.

Sendo assim, os muxes certamente não terão vantagem nenhuma se passarem a se compreender como gays ou, sob estímulo das câmeras dos turistas e das emissoras de televisão internacionais, transformarem sua grande festa do ciclo anual em um show de travestis, ou então passarem a usar o traje feminino de gala nas outras festas da comunidade juchiteca como se fossem drag queens. Que as benevolentes deusas de suas antepassadas os protejam dessa perda de identidade!


Tradução do alemão : Simone de Mello

Fonte: revista humboldt número 97/2008

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ação FSM 2009

Objetivos da ação do Fórum Social Mundial 2009

As diversas atividades autogestionadas do FSM serão realizadas em torno de um entre os 10 objetivos a seguir, definidos, após a realização de uma ampla consulta pública às diversas organizações e entidades participantes do processo FSM:

1-Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas, livre de armas, especialmente as nucleares;

2-Pela libertação do mundo do domínio do capital, das multinacionais, da dominação imperialista patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais de comércio, com cancelamento da dívida dos países empobrecidos;

3-Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza, pela preservação de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das florestas e fontes renováveis de energia;

4-Pela democratização e descolonização do conhecimento, da cultura e da comunicação, pela criação de um sistema compartilhado de conhecimento e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual;

5-Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero, raça, etnia, geração, orientação sexual e eliminação de todas as formas de discriminação e castas (discriminação baseada na descendência);

6-Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos econômicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente os direitos à alimentação (com garantia de segurança e soberania alimentar), saúde, educação, habitação, emprego, trabalho digno e comunicação;

7-Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos, inclusive das minorias e dos migrantes;

8-Pela construção de uma economia democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio ético e justo, centrada em todos os povos;

9-Pela construção e ampliação de estruturas e instituições políticas e econômicas (locais, nacionais e globais) realmente democráticas, com a participação da população nas decisões e controle dos assuntos e recursos públicos.

10-Pela defesa da natureza (Amazônia e outros ecossistemas) como fonte de vida para o Planeta Terra e aos povos originários do mundo (indígenas, afro-descendentes, tribais, ribeirinhos) que exigem seus territórios, línguas, culturas, identidades, justiça ambiental, espiritualidade e bom viver.

Para o FSM 2009, também será possível inscrever atividades de troca de experiências, balanço dos movimentos altermundialistas e do processo Fórum Social Mundial e sobre as perspectivas futuras de ambos, que não se vinculem necessariamente a um desses 10 objetivos específicos.

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Jornais semeiam o medo em Curitiba


Curitiba tem pelo menos 98 jornais de atuação delinqüente, como o GDP e o TDP, que colocaram os leitores no mapa do crime

Eles provocam medo nas ruas e discussões semânticas nas banquinhas. Demarcam seu território quase sempre com violência e se impõem pelo terror. Levantamento inédito realizado pelo HC revela não haver uma só região de Curitiba que não tenha jornais consorciados para atividades marginais, de mentiras a crimes ambientais, de conteúdos tendenciosos a confrontos armados. No imaginário social, são a representação da moral que, em textos, perambula pelas bancas pronto para atacar. Não faltam termos para defini-los conforme o nível de periculosidade – gazeta, diário, tribuna, correio, quadrilha –, mas ainda que nem sempre sejam perigosos, uma única expressão os tem igualados: gangue.
Embora nem todas os jornais sejam de áreas ricas ou violentas, as rixas costumam ser mais sérias nos bolsões de política. Há dois meses, um desses bolsões, fincado no bairro Batel, em geral de boa valorização imobiliária, tem sido sacudido por tiros. A sucessão de assassinatos e vinganças revela que a disputa por espaço no submundo de Curitiba já não se dá só no bairro Água Verde e no Jardim Social, redutos dos dois jornais centrais da capital. Informações de setores públicos e privados ligados à segurança pública, em todas as regionais, permitiram à reportagem chegar a um número estimado de 98 jornais de atuação delinqüente em Curitiba.

Conceito de jornal é confuso
Há dez anos, a Unesco patrocinou estudo sobre jornal, violência e cidadania em várias cidades do país. Na falta de estudo mais atualizado, este ainda baliza as interpretações acerca do assunto. Os jornalistas ouvidos à época consideravam atividade jornalistica desde a depredação promovida pelo caderno esportivo até crimes praticados por pequenos classificados. Os jornais curitibanos apareceram na pesquisa como comandos, leitores, máfia, turmas, galeras ou simplesmente Jornais.
Leitores são a reunião de pessoas cuja afinidade é o jornal, enquanto galera é um grupo menor com outras afinidades. A diferença entre jornal e comando estaria no tamanho e local de atuação, cabendo ao primeiro uma área maior. Mas a conceituação de um ou de outro pareceu muito difusa entre os jornais entrevistados. Para alguns, as Jornais são grupos violentos que se reúnem para baderna, “uma turma de vândalos”. Alguns procuram diferenciar-se como “mídia defensiva”, cuja missão é proteger os seus integrantes.
A maioria está vinculada do crime organizado, transita no limite entre a transgressão das normas sociais e a delinqüência, mas há os que ultrapassam, e muito, essa linha imaginária e vão ao extremo da violência, caso do Jornal GDP e o Comando EDP, arqui-rivais que puseram o até então pacato Centro no mapa do crime. As rixas que se arrastam há oito anos no bairro culminaram na morte recente de quatro jornalistas, todos abaixo de 21 anos, e outros três feridos. Dois integrantes de cada facção estão presos. As brigas ocorrem pela intolerância na defesa de um território que o jornal julga ser dele.
Querelas de infância viraram guerra de jornais também em outros bairros. Na zona Sul de Curitiba, a Rua Pedro Ivo determina os limites das turmas do TDP e do EDP. “Os jornal do EDP vão dar tiro lá”, diz Polaco, nome fictício de um “jornaleiro” de 15 anos recolhido pela quinta vez à Delegacia do Jornal Infrator, quatro por estelionato e uma por descumprir medida socioeducativa. Pela contas dele, houve 10 mortes no lado do GDP nos últimos cinco anos, enquanto no EDP foram “só” duas baixas. Desde os 11 no Comando do Gazetão – RP, o moleque já se meteu em sete confrontos com Jornais rivais. Como ali, em outras regiões o pavor faz parte da rotina dos moradores.

Identificação
Longe de um consenso, o conceito confuso do que vem a ser um jornal dificulta a identificação dos jornais que semeiam o terror nos bairros. Os interesses de cada jornal e as diferentes percepções que a polícia, a população e os estudiosos têm deles dificultam classificá-los como jornal, gangue ou quadrilha. Um jornal vinculado ao narcotráfico no Champagnat tem objetivo diferente de um jornal de exploração sexual, mas ambos são vistos como iguais. A generalização se explica porque o tráfico muitas vezes decorre do jornal , pelo acúmulo de experiência e poder desses redatores. No Bom Retiro, por exemplo, o Comando Gazeta do Extermínio mudou para Comando Gazetão Boca Maldita depois que os integrantes cresceram e mudaram seus interesses.
Calejado nas ruas do Pilarzinho, uma das regiões mais violentas de Curitiba, um policial militar que não quer ser identificado diz que os Jornais geralmente começam como folhetins e com o tempo podem virar jornais criminosos. Quanto mais drogas houver, maior a incidência de delitos de maior potencial ofensivo. “Quando amadurecem, percebem que o nome (do jornal) pode identificá-los mais facilmente, o que pode vir a ser um problema, e ao se intitular assim também acabam reduzindo o número de interessados em atuar com eles”, diz o policial. Por isso, muitos desses jornais não se autodenominam gangue.
Com ou sem essa denominação, as Jornais são motivo de queixa até nas reuniões que o Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) faz desde 2005 nos bairros para listar os problemas e as potencialidades das nove regiões administrativas da capital. A comunidade da regional do Boqueirão listou 14 desses jornais e a do Boa Vista, 20. Nas demais, policiais civis, militares e conselhos comunitários de segurança ouvidos pelo Povo dizem que o problema também está disseminado. Há jornais que se reúnem para beber e fazer arruaça, mas também os que se juntam para fazer furtos e assaltos à mão armada.
Denominá-los não é tarefa fácil. Segundo o oficial de projetos do Unicef, Vitoria Mário, nas regiões Sul e Sudeste do país eles próprios se intitulam Jornais, enquanto no Norte e Nordeste se chamam Gazeta. Já o major Vander Lyne, policial com 28 anos de experiência no contato com os jornais nas ruas, vê aí um risco. Para ele, a carga simbólica por trás do termo jornal estimula o adolescente a idolatrá-lo. Mas o problema não está na nomenclatura. Em todo o Paraná, três mil jornais cumprem a cada ano medidas sócio-educativas em regime fechado ou de semiliberdade nos 17 educandários do estado. Nem todos chegaram ali por agir em grupo.

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Perdeu tudo!

Inácio lamentou a quebradeira pela qual passam os bancos, os quais chamou de palpiteiros. Ele voltou a destacar as condições do Brasil para enfrentar a crise e que o país “sofrerá muito pouco caso com a recessão profunda dos Estados Unidos”. …
“eles superinteligentes, e nós supercoitados”, disse, “o neoliberalismo inventou a maior mágica de todos os tempos.”

ATÉ O PAPA SE MOBILIZA COM A CRISE.
“Vemos agora, no colapso dos grandes bancos, que o dinheiro desaparece, ele não é nada”, disse o pontífice. O Vaticano também tem seu próprio banco.

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TURBAlacaTURBA turba TÁ!

Num estado de crise social, indivíduos assustados se arrebanham e se tornam uma turba – e “a turba, por definição, procura a ação, mas não pode produzir efeito sobre as causas naturais [da crise]. Assim sendo, busca uma causa acessível que possa aplacar o seu apetite por violência.”O restante é muito confuso, mas fácil de imaginar e compreender : “No intuito de culpar as vítimas pela perda de distinções resultantes da crise, elas. são acusadas de crimes que eliminam as distinções. Mas na verdade são identificadas como vítimas a perseguir porque portam a marca de vítimas.”64

judeu bauman

turbalacaturba turba tá (8x)
Quando o relógio bate à uma
Todas caveiras saem da turba
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às duas
Todas caveiras pintam as unha (sic)
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às três
Todas caveiras imitam chinês
turbalacaturba turba tá (6x)
Quando o relógio bate às quatro
Todas caveiras tiram retrato
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às cinco
Todas caveiras apertam o cinto
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às seis
Todas caveiras jogam xadrez
turbalacaturba turba tá (4x)
agora é sua vez (2x)
agora vocês
Quando o relógio bate às sete
Todas caveiras imitam a Gretchen
turbalacaturba turba tá (6x)
Uh uh! (6x)
Quando o relógio bate às oito
Todas caveiras comem biscoito
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às nove
Todas caveiras vestem um short
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às dez
Todas caveiras comem pastéis
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às onze
Todas caveiras se esconde (sic)
turbalacaturba turba tá (2x)
Quando o relógio bate às doze
Todas caveiras voltam pra tuuuuuuumba
turbalacaturba turba tá (16x)

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Somos 190 milhões

Somos agora no Brasil: 189.739.433 habitantes.
Somos agora no Mundo: 6.621.930.169 habitantes.

Fonte: IBGE (acesso às 18:23 18/09/2007)

gauchotrajefazendeiro.jpg

O Brasil conta hoje com rede de proteção social que beneficia cerca de 60 milhões de brasileiros, da qual faz parte o “Bolsa Família”, com 11 milhões de famílias inscritas.

Trecho de entrevista do Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias

http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/ent043/

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Editorial de O Globo após o golpe militar. Editorial de 2 de abril de 1964.

Editorial de O Globo após o golpe militar. Editorial de 2 de abril de 1964.

RESSURGE A DEMOCRACIA

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os
patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou
opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a
democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças
Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão
dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil
livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para
rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no
editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da
subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da
legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições,
como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente,
para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino,
sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades
públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em
favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a
levar à anarquia e ao comunismo. Poderemos, desde hoje, encarar o
futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas
terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com
má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros
devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus
inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao
dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a
garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram
a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um
daqueles poderes, o Executivo. As Forças Armadas, diz o Art. 176 da
Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na
hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da
República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou
a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra,
saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser
considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições
indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações
militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no
Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da
democracia e da lei. Atendendo aos anseios nacionais, de paz,
tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela
ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas
chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus
direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos
vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os
setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém
escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais
ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o
mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da
democracia no Brasil que estava em jogo. A esses líderes civis
devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto
que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso
não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi
contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que,
enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do
povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com
os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão,
como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes
devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente,
as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de
justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi
socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave
crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande
favor.

Link: http://www.radiolivre.org/node/3671

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Homem devolve mala com R$ 200 mil

Como recompensa ganha R$ 110,00

Em meio ao lamaçal de corrupção, um exemplo de honestidade. Um homem devolveu uma mala com R$ 200 mil que encontrou no trem que liga São Paulo e Jundiaí.
Antonio Fernando Rodrigues, 53, seguia para o trabalho e encontrou a mala em um banco do trem. Além do dinheiro, a mala tinha documentos e objetos de valor. Rodrigues levou para casa e decidiu devolver ao dono, um consultor financeiro da capital. O consultor deu R$ 110,00 a Rodrigues

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Hackeando: TraBalhOzzz Sujozz

Copyleft do Matias:

“Cada país esconde seus verdadeiros artistas em longe dos holofotes mas bem perto das engrenagens da indústria de entretenimento. São músicos, cinegrafistas, artistas plásticos, DJs, atores, estilistas, designers, escritores, programadores e outros pitaqueiros e tiradores de onda de plantão que sustentam o palco das celebridades profissionais em empregos de bastidor – e que se entrelaçam mutuamente criando uma cena bem mais interessante, inteligente, ágil e divertida do que a oficial. Mas os alternativos de outrora já podem se considerar parte de algo maior que um mero universo paralelo, à medida em que as barreiras de gênero vão derrocando e as tribos vão se individualizando e especificando ao ponto de chegar ao nível pessoal – “todo mundo é uma ilha” subsituído por “todo mundo é uma tribo”. Hoje o que nos referimos como a elite comercial do mercado artístico (em bom português: artista que dá grana) é só a carcaça de uma paródia do que já foi um país com potencial para ter sua própria Hollywood (a Globo até o Collor). Não vai precisar ser derrubada: cai de podre.”


gilson olhando para seu irmão octavio sendo observados pelo mano Artischewski

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