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3/7/2009

Objetos Desejosos: Uma entrevista com o Antropólogo Lawrence Jakimo Pokot

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Por Marcelo Coutinho

Dedico esta entrevista ao raciocínio nômade
e sempre generoso de Clylton Galamba.

Em publicação anterior, meu texto a respeito de Lawrence Jakimo Pokot foi amplamente mutilado e o pouco que sobreviveu dele ainda sofreu sérios erros de editoração[1]. Naquela ocasião, apresentei-o como sendo um “místico” que muito havia influenciado a construção de minha obra. Aplicar a ele tal definição, porém, não tratou-se de qualquer erro editorial: foi de minha inteira responsabilidade.

Não conhecia o suficiente as atividades deste homem, e tentava vê-lo, compreendê-lo sob a curta ótica e o parco instrumental que naturalmente nos caracteriza, nós, cristãos, ocidentais. Para culturas tão estranhas à nossa, tão mais antigas e tradicionais como aquelas que hoje compõem o Quênia, o termo “místico”, tal qual o entendemos, precisaria englobar outras áreas do saber, como a medicina, a química, a psicologia e a filosofia. Levando em conta que este, digamos, sábio, é consultado para aprovar ou vetar o traçado urbano, indicar a cor das portas e a melhor combinação de vizinhos na aldeia, somos levados a pensar que este homem poderia também ser considerado urbanista, arquiteto e assistente social, ao mesmo tempo.

Quando encontrei L.J. Pokot aqui, no Recife, durante o carnaval de 1998, hospedado no Hotel Central, foi este termo, “místico”, indevidamente aplicado à ele, que deu início a nossas conversas. Eu passava por um dos períodos mais difíceis de minha vida. Os ruídos vindos da rua em orgia só tornavam minhas dores mais desproporcionais. Eram dores do espírito, aparentemente imateriais, mas que por vários momentos manifestavam-se nas juntas de meu corpo e em vertigens inauditas.

Foi quando recebi na casa de meu amigo, o crítico literário Anco Márcio Tenório Vieira, o telefonema de um outro velho amigo, o físico Vinícius do Vale Navarro, paraibano de João Pessoa, hoje professor de astrofísica na Universidade de Cambridge: Pokot chegara ao Recife duas semanas antes do início do carnaval.

Nas condições em que me encontrava, mergulhado em uma estranha e macabra euforia, sinal típico de uma vindoura depressão, não seria de espantar que a imagem de Pokot tivesse sido tão recorrente em mim, mesmo que não soubesse deste seu novo arroubo em visitar o Brasil. Afinal, era este homem que tratava em suas palestras da necessidade de voltarmos a ver na dor e na adversidade não o fim, mas a oportunidade de verificar a passagem. Porém, o fato é que quando soube da presença física, real, de L.J. Pokot na cidade, atribuí a isso uma aura mágica. Um doce ditame do acaso. “Deus não joga dados”, pensei.

Pokot já havia estado no Brasil por várias vezes. Por mais que houvesse conhecido figuras ilustres da intelectualidade brasileira e internacional, manteve-se a parte de um conhecimento público mais vasto. Ainda jovem, acompanhou Claude Lévi-Strauss em terras Nambiquaras, como colaborador de língua inglesa à expedição[2].Desta experiência, surgiu sua primeira publicação: Entre os Olhos – O que não foi visto por uma expedição européia entre os Nambiquara da América do Sul[3], datada de 1942,vinda a público antes da publicação de Tristes Trópicos, obra do ilustre antropólogo francês. Nos anos cinqüenta, participou, ao lado dos irmãos Villas-Boas, de outra expedição, esta no Pará, para estudar os Ravé-Potí. Seu interesse era verificar os laços entre os ritos e imagens de passagem dos Ravé-Potí e sua tribo natal, no Quênia. Publicou em 1964 o ensaio O Oriente de Lá – Estudo Comparativo do Devir entre os Ravé-Potí e os Kummah[4].Esta tornou-se sua última publicação e o último registro de seu pensamento naquilo que ele hoje chama de “dialeto acadêmico” ou de “pornografia intelectual”, referindo-se ao gosto universitário em “transmutar todo pensamento, livre e fluxo por natureza, em papel e pedra”. Após a publicação de “O Oriente de Lá”, sentiu-se profundamente cansado em tentar conciliar a natureza “pequena e tribal” de seu raciocínio, gerado no Quênia, com a grandiloqüência da ciência ocidental que havia lhe chegado através dos filtros ingleses de Cambridge.

De volta à África, abandonou seu emprego de professor na Universidade de Nairobi e montou bases em sua terra natal de onde sai periodicamente para divulgar suas idéias na forma de palestras ou de conversas individuais demoradas com “aqueles que detecto como micro-partículas de algumas modificações lentas do que virá”.

Foram ao todo, entre nós, quatro encontros. Sempre na varanda do pequeno restaurante do Hotel Central, na Boa Vista. Eu chegava em torno das três da tarde, como havíamos marcado antecipadamente. Sentado sempre na mesma poltrona de aparência muito confortável, mais assemelhada a um útero, de tão profundo era o seu acomodar, estava Lawrence Jakimo Pokot, fumando lentamente seu já terceiro maço de cigarros com filtro. Afundado nesta poltrona, seu corpo negro e franzino, já enrugado, alternava gestos ágeis e nervosos, com uma calma e silêncio tumulares. Em duas de nossas conversas, instalou-se um silêncio profundo. Silêncio este tão persistente que não o suportando, por duas vezes levantei de minha cadeira e parti. Quando cheguei a calçada do hotel, ouvi sua voz vinda da varanda: “Não foram vocês que criaram o tempo lógico? Por que tanto espanto? Estarei aqui amanhã, na mesma hora”.

Nestes encontros, Pokot falou-me de sua afeição especial por esta região específica do Brasil, o Nordeste, e de seu deleite pelo carnaval negro do Recife. Contou-me ainda de como tomou conhecimento da obra do filósofo Evaldo Coutinho, através de A Visão Existenciadora, que lhe chegara as mãos numa edição pirata impressa na Argélia. Além de ouvir os tambores que rufavam no bairro de São José, Pokot tinha como intenção encontrar-se com este homem que, para ele, tinha construído um dos mais belos sistemas de “para-filosofia” e “para-literatura” da língua portuguesa.

Em seu pensamento, parcialmente expresso aqui, reparam-se traços do que seria para nós uma análise antropológica. Porém, naquilo que a antropologia possui em comum com a filosofia: a busca por uma análise básica do Homem. Cá e acolá etnográfico, Pokot impõe sua noção peculiar de espaço e tempo nos ritos de passagem, francamente baseada na experiência específica de seu povo de origem, os Kummah. Se Van Gennep vê nos ritos de passagem a função de mudança de status social do indivíduo[5]; se a psicóloga Monique Augras, inspirada no próprio Gennep, sugere que na passagem “vai-se de um ponto para outro”, que “é uma imagem altamente espacial”[6], Pokot irá sugerir uma outra visão: “a passagem não é objetual, não é verificável através dos olhos”[7]. Utilizando-se do caso Kummah, nos diz que a passagem desdobraría-se indefinidamente durante todo o correr da vida, entre dois pontos: nascimento e morte.

Já no primeiro de nossos encontros expus-lhe meu projeto, já em andamento, de nomear com palavras criadas por mim, sensações íntimas, complexas que, exatamente por serem absolutamente pessoais, carecem de uma denominação e, por conseqüência, de uma dicionarização. Trata-se de um trabalho lento, disse-lhe. Em um ano de trabalho havia escrito não mais que três verbetes. Falei-lhe da palavra que exporia em breve, em forma de vídeo-instalação, naquela que seria a minha primeira exposição individual. Foi ele que alertou-me do caráter votivo e do desejo de passagem que estavam evidentes em Aveclo.

O que levo a público agora é apenas o conteúdo de nossa primeira tarde juntos. Tendo este encontro versado sobre passagem, sobre o desejo latente que habita objetos e palavras e, por conseqüência, sobre arte, achei conveniente separá-lo dos outros assuntos abordados por ele e por mim em nossos encontros.

Foi ele que deu início a esta nossa primeira conversa, com seu português só não perfeito por ser levemente contaminado por um estranho sotaque, mistura de inglês britânico e tacuch, sua língua natal.

Pokot: Estou contente que esteja aqui, que tenha me tornado uma referência constitutiva para você. Mas, porquê quis ligar meu nome ao termo “místico”, quando citou-me naquela publicação? Publicação, diga-se de passagem, difícil de dignificar a presença do nome de qualquer indivíduo…

Marcelo: Ingenuidade minha. Desculpe-me. Não encontrei o termo exato para defini-lo. O senhor bem sabe que entre nós, para nos sentir compreendendo, precisamos isolar os fatos e nomeá-los.

Pokot: Sei, meu amigo. Vocês batizam as coisas se utilizando de nomes velhos, pré-existentes. Nomes firmes perante o texto histórico que vocês aceitam como legitimador. Mas, chamar-me de místico seria reduzir-me a uma nomenclatura que vocês próprios desrespeitam. Trata-se de uma palavra que um dia referiu-se a algo existente. Porém, dela pouco ou nada sobreviveu. Vocês preferiram optar – se é que é dada ao homem qualquer opção – por uma espécie de realismo, que de tão real, tornou-se fantástico. Creio que daí, deste realismo estriônico, podem surgir outros fluxos, ainda inauditos.

Marcelo: O que o senhor quer dizer com “outros fluxos”?

Pokot: Tudo se comporta como sopros que oferecem aos nossos olhos a possibilidade de ver, simultaneamente, a parte de dentro da pele de um leopardo e a parte de fora desta mesma pele felina. Elas não se apresentam como duas superfícies diversas. São uma. O aprimoramento desta vontade de capturar a realidade acabou por levar seu povo para um lugar exatamente oposto a concretude dos fatos e das coisas. E, consequentemente, acabamos por nos encontrar num ponto deveras comum, nós representantes das chamadas “sociedades primitivas” e vocês, mantenedores desta dita “sociedade complexa”: a presença onipresente da imagem. A imagem, como você bem sabe, é o idílio da coisa real. Apoiados na imagem, levados pelas mãos, por seus caminhos, podemos chegar muito longe. Para além daqui. Assim, podemos antever o que virá, caso sejamos sensíveis a tais sopros.

Marcelo: O senhor parece estar sugerindo que é possível antever o futuro…

Pokot: O que é o futuro?

Marcelo: Bem, aquilo que ocorrerá daqui há, digamos, vinte e quatro horas.

Pokot: E quando não se usa relógio?

Marcelo: Ora… pode-se usar o sol, a lua ou a alternância das estações do ano.

Pokot: Vocês pensam no tempo como algo que corre e escorre por nossos corpos, meu bom amigo… Vêem a ilusão do tempo quando os cabelos rareiam, as peles enrugam, os descendentes crescem, morrem, quando algo ou alguém se afasta de vocês. Nestas tipologias de visão, vocês se imaginam como algo pertencente a um lugar anterior ou posterior ao atual. Mas, para nós Kummah, como disse, isto não existe: trata-se de uma ilusão. E, vale a pena dizer: uma ilusão infernal, verdadeiramente o haliob. Em nossa estrutura pessoal e, por extensão cultural, não nos verificamos como uma mesma pessoa durante muito tempo. Podemos ser batizados e ganhar um nome diferente quantas vezes for necessário, neste período que vai do jahamkat ao kathamjah[8].

Marcelo: A mudança de nome representa a finalização de uma passagem…

Pokot: Sim… De forma geral podemos pensar em passagem como um movimento, um movimento filiado ao tempo e nada devedor do espaço. Um movimento que leva alguém de um estado temporal a outro. Mas o tempo, como já lhe disse, é uma noção condicionada. Ele não é objetual. Por mais que reparemos nele impresso nas coisas, o que vemos não é o tempo em si, imaterial por essência, mas os rastros de sua ação que já efetuou-se. Assim, ele possuirá as mais variadas conformações. Van Gennep tenta descrever para vocês como a noção de tempo se comporta nos ritos de passagem de alguns lugares da África Ocidental. São ritos de geração e morte. Que duram um período de tempo freqüentemente longo. E que ao fim deles é assegurada a mudança necessária. Mas entre nós, Kummah, a passagem se efetua como sentido desdobrado e perene, não como sentido fixo e temporalmente localizado. Por assim dizer, estamos vivendo um longo e ininterrupto processo de passagem… A nossa heteronomia ostensiva nos garante a manutenção da situação de mobilidade da passagem. O nome é prescrito por uma autoridade específica, que diagnostica a necessidade do indivíduo livrar-se de um objeto do passado. Prender-se a uma das feições desta ilusão, pode oferecer o haliob ao pobre sofredor.

Marcelo: Eu poderia traduzir haliob como “inferno”?

Pokot: Creio que não.

Marcelo: O senhor poderia me descrever o conceito desta palavra?

Pokot: Nada de conceitos, meu jovem, nada de conceitos… Você experimentou parte desta visão. Quando se detém a imagem, não necessita-se de conceitos.

Marcelo: Eu experimentei ? Como assim?

Pokot: [ Silêncio]

Marcelo: Quantos nomes uma pessoa pode assumir durante a vida?

Pokot: Quantos se fizerem necessários. Vou lhe relatar um caso desta nossa estrutura de heteronomia ostensiva. Existiu um velho homem entre nós que manteve-se inviolável por boa parte de sua vida. Durante uma noite de inverno teve um sonho pavoroso onde um mensageiro vindo do Katham-huruk[9] lhe avisava dos malefícios de manter-se casto durante muito tempo. Seu pênis iria penetrar-lhe as vísceras e fundir-se numa única estrutura de carne que lhe cobriria inclusive o ânus e nenhuma substância ou produto poderia ser expelido de seu corpo. Enxergou-se como um balão inflado até o limite de estourar e, finalmente, viu-se estourando e de si jorrando grandes quantidades de esperma, fezes, urina e sangue. Acordou naturalmente apavorado com a mensagem de alerta que lhe viera dos céus e resolveu consultar-me.

Marcelo: E como o senhor agiu?

Pokot: Ora, não sou homem diante do qual um sonho passa despercebido… Prescrevi-lhe um novo nome. Nome este, aliás que, reconheço, já deveria ter-lhe prescrito a muito mais tempo. Eu ainda era um novato na função. O fato é que estruturado pela liberação do nome anterior, que funcionava como um terrível objeto que o ancorava naquilo que vocês chamam de “passado”, o homem floresceu e novamente entrou no fluxo. Passou a experimentar todas as formas possíveis de liberação de seu sêmen. Para aquele homem, nenhuma diferença existia entre uma palmeira, um ser humano e um hou-hou[10].E cada uma destas experiências certamente o modificaria. Iriam torná-lo, de alguma forma, outro, deixando-o com muita rapidez, dono de periódicas novas estruturações e, consequentemente, detentor de novos nomes. Entrou em kathamjah já muito velho, tendo passado por cerca de cinco mil nomes, com o crânio rachado por um gorila.

Marcelo: Caso eu tenha entendido bem, o senhor está dizendo que vocês Kummah não possuem qualquer marcação cronológica?

Pokot: O tempo para vocês é externo. Ele lhes é ditado a sua revelia, montado sobre esta estranha estrutura que vocês chamam de trabalho e produto. Para nós, o tempo não é linha: é ponto. Não existe a conjugação pretérita do verbo ser, tampouco a futura. Quando nos referimos a idéia de Ser como indivíduo, apenas seria possível aplicarmos a forma de gerúndio. Trata-se de uma estrutura interna, baseada nesta bela palavra de sentido perene: sendo.

Marcelo: Mas o senhor referiu-se a esta figura de autoridade que prescreve os novos nomes para os indivíduos. Esta figura não funcionaria como um marcador de tempo externo, tal qual um relógio?

Pokot: Não. Não quando já se visitou o Haliob. Esta figura de autoridade, o puckotoch, está aqui e acolá. Nesta peculiar situação, vemos tudo. Vê esta marca em minha nuca? [ Pokot vira-se e apresenta uma profunda incisão de forma oval que mesmo os cabelos crespos não conseguiam esconder]

Marcelo: É uma marca muito profunda. O que isto significa?

Pokot: Esta forma amendoada tenta reproduzir a forma de um olho. Esta incisão foi feita com o pucko, instrumento ritual de ferro que penetra e calcina a pele até a estrutura óssea do crânio. Eu ainda era jovem quando foi passada para mim a função de manter fluida e assegurada a nossa heteronomia ostensiva. Foi esta marca que me dotou de um nome fixo, este que ainda hoje carrego e que representa a posição de puckotoch.

Marcelo: Puckotoch seria o homem que, tendo experimentado a visão do Haliob, foi alçado socialmente a esta posição de guardião da mobilidade nominal, estou certo?

Pokot: Quase isto, quase isto. Nasce-se predestinado a tal visão. Esta marca em minha nuca representa a integração das três formas de tempo conjugadas em mim e gravadas em meu corpo. De uma forma ou de outra todo homem possui, por natureza, a inscrição destas três formas na própria configuração de seus corpos. Pense em seu corpo caminhando por uma vereda… Existe o andar dos pés que experimenta as texturas da areia, as variadas temperaturas que o solo nos oferece, o conforto de pisar a terra fria, que estava à sombra de uma árvore. O corpo instala-se no presente absoluto. Nele, sentimos dores, prazeres, confortos e desconfortos, frios e calores que são manifestações sólidas da mais absoluta presentificação das coisas. Através destas sensações nos é revelado o teor do instante. Já a presença dos olhos, que vara vereda à dentro, nos retira do instante e nos oferece as possibilidades de configuração daquilo que virá: as curvas, a escuridão, o sol que se põe frente aos nossos olhos e nos ofusca, um possível lago a atravessar. Os olhos, sempre mirando para frente, nos oferece o símbolo do futuro, muito longe do agora. Mas ainda temos as costas. E, em especial, a nuca: esta nossa parte tão vulnerável. Este é nosso ponto cego. É o que deixamos para trás. É aquilo que nos permitiu chegar e estar experimentando o instante desta nossa caminhada pela vereda, mas que não mais avistamos. O passado e a configuração frágil e cega da nuca poderiam funcionar como uma boa imagem do Haliob.

Marcelo: O olho gravado na nuca teria o significado de enxergar todo o trajeto da vereda que ficou para trás, ou seja, ver o passado…

Pokot: É estar instalado todo o tempo, simultaneamente, nos três lugares. Por isso, à mim e a nós puckotoch é vetada a heteronomia. Foi-me reservada esta posição. Não posso experimentar a graça reservada aos comuns. Próximo da morte, quando transferir a chaga para a nuca de meu filho, poderei por fim ganhar outro nome e entrar em kathamjah.

Marcelo: Trata-se de um cargo passado de pai para filho, pelo que o senhor disse. Sempre é escolhido o primogênito para tal responsabilidade?

Pokot: Não. Tudo depende da cor dos ventos que envolveram o momento do nascimento da criança. Só aqueles que nasceram soprados por ventos róseos claros poderão assumir o posto.

Marcelo: O senhor quer dizer que os ventos possuem cores? Trata-se de uma simbologia ou…

Pokot: … ou concretude? Veja, meu jovem, é impossível medir ou estabelecer fronteiras firmes entre as duas coisas. Lembre-se de Cassirer, por exemplo, que já há tanto tempo esforçou-se para convencer vocês das incertezas na diferenciação entre estas duas coisas. Mas, o que interessa é que hoje, poucos são capazes de ver este fenômeno das cores do ar. Porém, mesmo entre vocês do mundo ocidental existem aqueles que perseveraram nesta percepção e tentaram defendê-la. Lembra do irlandês De Selby?

Marcelo: Nunca o li diretamente. Sempre através de Le Fournier ou de Hatchjaw & Basset.

Pokot: Em um livro seu intitulado “Álbum de Campo”, De Selby fala da presença de um “ar negro” que envolvia a Europa pouco antes da primeira grande guerra. A princípio, pensou que fosse o acúmulo de poluição das nascentes fábricas e indústrias. Mas logo se deu conta de que só ele vislumbrava tal coloração peculiar. Cor sempre premonitória de alguns eventos que estão por ocorrer a nível do corpo social. Seguindo este raciocínio que, como você vê, também foi percebido por um pensador ocidental, nós observamos a predominância da cor dos ventos que envolvem o recém nascido. Caso sejam róseos, ele terá uma vida longa e a fortaleza necessárias para ocupar o posto de puckotoch. A propósito, o próprio De Selby, em “Horas Douradas”, comenta a variação das cores de nascimento e também aponta para o róseo como a cor da longevidade.

Marcelo: Desviando um pouco o assunto, se o senhor me permitir, gostaria de falar de seus vínculos com nossa cultura. O senhor foi professor na Universidade de Nairobi, possuiu fortes vínculos com a antropologia e especificamente com a etnografia. Estudou em Cambridge, fala diversas línguas e ainda faz questão de viajar freqüentemente pelo mundo…

Pokot: [ Interrompendo]…já foi mais freqüente. Hoje prefiro estar entre os meus…

Marcelo: Mas, de qualquer forma, ainda faz este movimento, de estar lá e cá, não é? Como é possível coligar uma educação formal inglesa com o fato tão fundamental de o senhor ser um puckotoch?

Pokot: Este é um traço do caráter Kummah. Aos olhos estrangeiros, conciliamos, fundimos. Você deve saber o quanto somos diferentes de nossos vizinhos, os Nuer, descritos pelo meu colega Pritchard. Ao contrário deles, sempre violentos e ariscos com seus visitantes, nós somos receptivos. Não é difícil, para aqueles que possuem olhos argutos, desconfiar de gentileza e receptividade em excesso. Elas contém em si uma voz oposta. A nossa defesa, no que diz respeito a nossas relações com a alteridade, é baseada na mentira. É possível que sejamos o povo mais mentiroso, lúbrico e dissimulado da África Central.

Marcelo: Como aconteceu? Me fale destes primeiros contatos com o ocidente…

Pokot: Nos apresentamos, a princípio, como um povo mudo. Provavelmente seríamos o primeiro povo geneticamente mudo da face da terra. Éramos, portanto, duplamente interessantes para nossos colonizadores. Assim, sendo uma cultura “só ouvidos”, a palavra de Jesus nos emprenharia com mais voluptuosidade. Durante o primeiro ano de presença dos missionários, nada falávamos. Só ouvíamos. Apenas balançávamos nossas cabeças em sinal negativo, acompanhado de um som gutural assemelhado a um “humrrum”. O gesto era dúbio, não restava dúvida. Mas a ânsia por uma imensa platéia, finalmente só ouvidos para a “palavra”, fez os missionários darem mais atenção ao “humrrum” do que ao negativo pendular de nossas cabeças. Eles se apaixonaram por nossa aparente docilidade. Porém, não estavam satisfeitos com o negativo pendular. Com muito trabalho, tentaram modificar o movimento da esquerda para a direita, indicativo de “não”, e substituí-lo por um mais adequado, que desloca a cabeça de cima para baixo, reforçando o “humrrum”. Quando finalmente o movimento de nossas cabeças aprumou-se, eles choraram de emoção. Mas tal foi a surpresa da missão quando verificou que o som gutural havia se transformado também. Enquanto nossas cabeças balançavam afirmando, das gargantas saía um outro muxoxo, um tanto quanto desalentador, um ruído lingual assemelhado a “tss, tss, tss”.

Marcelo: Povo ardiloso os Kummah…

Pokot: Trata-se de uma bela tradição. Eles ficaram muito impressionados quando já no segundo ano de mudez, falamos em conjunto a palavra yêh-zhúch. Eles imaginavam que haviam nos curado de nossa mudez orgânica, através da ação da fé e da aceitação de Jesus em nossos corações. O parentesco fonético entre yêh-zchúch e Je-sus, tornou-se um emblema da conversão para eles. O que eles demoraram a descobrir foi que em dialeto tacuch, esta palavra assemelhada ao nome de seu salvador, tinha o significado de “impotência sexual”, ou “homem que não cumpre com seus deveres de marido”.

Marcelo: A estrutura mentirosa de defesa cultural dos Kummah ajudou o senhor em sua carreira universitária em Cambridge?

Pokot: O fato é que a dissimulação e a mentira como traço de defesa cultural nos foi, e ainda é, elemento de grande utilidade. Através dela, passamos a dialogar mais altivamente com quem quer que fosse. Em Cambridge, fui considerado um dos mais próximos seguidores do método de campo do professor Malinowsky. Ele próprio, já um tanto esquecido, imputava a mim o título de herdeiro. Minhas qualidades Kummah qualidades de enorme plasticidade diante da alteridade, me credenciavam a experimentar o método de campo de Malinowsky com mais profundidade. Chamei meu método de “imersão aguda” e freqüentemente o apelidei de “método de compaixão etnográfica”, para me fazer mais claro aos ouvidos ocidentais. Mas, voltando a sua questão primeira, foi a plasticidade Kummah que agiu sobre mim e me dotou da possibilidade de trafegar entre povos os mais díspares. Somos uma cultura plástica, maleável, receptiva, mas a dissimulação e a mentira nos manteve a integridade. Trata-se de pensar a mentira não como traço de mal caratismo, como um lado assombreado da alma humana. Trata-se de reparar que os homens preferem ouvir “sins” do que “nãos”. Pode-se facilmente fazer alguém crer que estamos inteiramente convencidos, ou ainda, convertidos, de seus argumentos repetindo, durante uma conversa, periódicos “humrrum”, “certamente”, “claro, claro”. Este artifício enche de vaidade aquele que compulsivamente fala e que tenta convencer o mundo de suas magníficas percepções. O lado mal, a deformidade de caráter, sempre será do falador compulsivo, daquele que tenta engendrar a vastidão do mundo em sua teia particular de leituras. Me utilizei da vaidade alheia, do falador compulsivo, através de meus ouvidos bastante generosos. Em tacuch existe um termo que em muito pode elucidar as relações que travamos com outras tradições culturais. Este termo se aplica às crianças. Chamamos aquelas que desobedecem em silêncio seus pais de tantuo-hou[11]. O meu método de compaixão etnográfica, surpreendeu meu velho professor, que me imaginava um de seus últimos e derradeiros cúmplices absolutos. Ele me aconselhava algo, eu dizia sim, mas continuava trilhando meu próprio caminho.

Marcelo: O fato de descrever os Kummah como o povo mais mentiroso da África Central e sendo o senhor um Kummah, nós poderíamos desconfiar de todas as suas palavras nesta entrevista. Isto não o incomoda?

Pokot: [risos] É temerário, devo admitir. Mas cabe a vocês me julgar, não a mim. Entre

A mentira e a loucura existe uma delicada fronteira. Nós não acreditamos em nossas mentiras e isto nos faz apenas cínicos e gaiatos aos olhos alheios, mas nunca aos nossos próprios olhos. Vocês, ao contrário, acreditam em suas próprias mentiras, se desestruturam quando finalmente elas não podem ir à frente e isso faz de vocês um povo esquizofrênico. Esquizofrênico aos olhos de outros povos e até mesmo aos seus próprios olhos.

Marcelo: Diz um amigo meu, ex-seminarista Hilton Lacerda: “que a platéia acredite na mágica que se efetua no palco, nenhum problema. Porém, o mágico que acredita em sua própria mágica…”

Pokot: … existe uma grande diferença. Exatamente. Seu amigo está correto. Além do mais, a dissimulação entre nós é um elemento de defesa cultural.

Marcelo: Mudemos de assunto, senhor Pokot. Em uma de suas palestras, publicadas nos Anais de Psicologia Social da Universidade de Salamanca, tive a oportunidade de tomar contato com suas idéias sobre “objetos desejosos”. Caso eu não esteja enganado, o senhor iniciava falando de objetos simples que seriam presentificações do desejo de vir a ser e, posteriormente, falava de grandes edificações sociais que possuiriam o mesmo princípio desejoso. O senhor poderia expor mais uma vez estas idéias?

Pokot: Sim, claro, com muito prazer. Mas lembre-se que em Salamanca eu tive dois dias para expô-las.

Marcelo: Tenho todo o tempo necessário para o senhor…

Pokot: Obrigado, obrigado. Sua juventude é benevolente, como toda juventude. Sempre pensam que tem todo o tempo mundo… Mas, vamos adiante, não é ?

As palavras são a presentificação da ausência, estou certo? Quando eu falo: “ontem eu fui trabalhar”, estou evocando uma situação que já não existe. Estou presentificando uma ausência. Quando digo “gostaria de amar novamente” também estou presentificando o vazio físico de uma dada situação, que não está mais aqui, que apenas poderá vir a estar um dia. Existe uma marca fundamental na linguagem que é a eterna e constante construção e reconstrução daquilo que um dia existiu, e daquilo que um dia existirá. A linguagem se constrói aqui e agora, quando se fala, quando se escreve. Porém aquilo que a move, que a faz efetuar-se, não está aqui nem agora. Está antes ou depois do instante. A linguagem é instrumento desejoso, por tanto. É desejo de presentificação daquilo que, por natureza, é impossível de presentificar. Linguagem é evocação. Evocação e reconstrução. O elemento desejoso da linguagem pode ser verificado quando, periodicamente, olhamos um fato passado de nossas vidas e construímos um discurso qualquer, para nós mesmos, que justifique uma condição presente. Logo mais adiante, nossa vida muda novamente. Então olhamos para o mesmo fato passado e, estranhamente, enxergamos nele outra coisa e recontamos para nós mesmos uma outra história que dote de sentido a condição atual. Por ser desejosa, a condição natural da linguagem e do discurso é de reconstrução e construção. E de clara evocação daquilo que não existe.

Marcelo: Ludwig Wittgenstein se refere a linguagem como instrumento que tenta expressar aquilo que não é passível de ser expresso. Porém, é exatamente aquilo que não possui possibilidade de ser expresso é o que move, que movimenta a linguagem…

Pokot: Sim, sim. Gosto da idéia de Wittgenstein sobre o que movimenta a linguagem. Este lugar estranho e inacessível à comunicação. Esta fenda escura, aberta sob nossos pés, que funda todas as narrativas míticas da “origem” e do “sentido”…o “sentido das coisas”… o que dá sentido a uma proposição é algo imaterial, que não está na objetividade das palavras, dos fatos e dos objetos. Os fatos representados, os signos, são em si mortos, desprovidos de sentido. O sentido do signo não está no signo, está na imaterialidade da mente. De fato, o que move o dizer da linguagem é sua impossibilidade de tudo dizer.

Marcelo: E quanto aos “objetos desejosos”?

Pokot: O que vale para o discurso da palavra, vale para aquele dos objetos. Portanto, nos objetos está contido o desejo de ser. Eles são indicadores da ausência, assim como as palavras. Vê-se isso muito claramente quando pensamos na lógica dos “objetos votivos”, que vocês ocidentais abandonaram quando foram obrigados a escolher a lógica da arte como linguagem autônoma. Mas o que rege o objeto votivo é o mesmo núcleo que rege a obra de arte. E, provavelmente, vocês tenham esquecido disso. Vi aqui, na região Nordeste do Brasil, desde que estive aqui pela primeira vez antes de me juntar a equipe de Lévi-Strauss no mato Grosso, uma forte presença do objeto votivo. São os chamados “ex-votos”, não é?

Quando um homem esculpe em madeira seu tumor na cabeça, ele retira de si o tumor. Ele efetua seu desejo de livrar-se da doença, construindo-a em madeira, ou cera. O objeto não possui nenhuma autonomia lingüística. Ele não é “belo”, não é “feio”. Ele não é equilibrado plasticamente, e isto não é levado em conta como elemento essencial. Ele é desejo. Desejo latente. O objeto, no caso o ex-voto, que é um remanescente do objeto votivo e das estruturas pagãs de religião, é um receptáculo da ligação direta entre o crente e a divindade. Em si, ele nada é. Ele apenas é, para o crente e para a divindade a qual ele travou contato. O ex-voto é um exemplo claro da idéia de um objeto desejoso.

Marcelo: E o que vale para o ex-voto valeria para todo e qualquer objeto?

Pokot: De forma mais ou menos contundente, sim. Porém, para vocês ocidentais isto seria uma idéia difícil de defender e argumentar. Salamanca já aconteceu há muito tempo…

Quando penso no volume de tempo e dinheiro que o ocidente gasta preocupado com comunicação entre indivíduos, quando vejo a pulverização do corpo geral da sociedade em grupos e subgrupos étnicos, econômicos, religiosos, sexuais, sou levado a crer que a Internet e a informática são objetos desejosos. Eles são indicadores da ausência. E a ausência é a matéria construtora deste sentimento motriz, o desejo. Quando não há ausência, não há desejo.

Marcelo: Lembro-me do senhor se referir a arte ocidental como “um mal necessário”, que poderia alertar para a lógica dos objetos desejosos. O senhor poderia se estender um pouco a este respeito?

Pokot: É um mal necessário. Não gosto do que vocês chamam de arte. De nenhum tipo de arte. O que fazemos em minha aldeia é reverenciar a presença do mundo, não a ausência dele. E o que vocês fazem é um cultivo mórbido da ausência. Vocês perderam o elo com a transcendência e se lastimam disso, construindo uma estética. Estética é a tentativa de construção de um sucedâneo para o sentimento de orfandade que a modernidade lhes impôs. Quem crê não precisa de arte. Vocês estão a deriva. E, se saio do conforto de minha cultura secularmente imóvel, satisfeita, para me encontrar com vocês é por compaixão. É preciso reconstruir esta ponte. E penso que posso ajudar. Mas, quando entro neste lugar que para vocês possui o valor de um templo, o museu, e vejo esta multidão de almas desesperadas jogando grandes quantidades de tinta sobre tecidos e papeis; quando vejo um homem jogar-se no chão e, pateticamente, esfregar a mão em placas de metal em busca de concentração de energia, fico melancólico e penso que ainda levará muito tempo para vocês chegarem a alguma conclusão objetiva sobre o problema do “religare”.

Marcelo: O senhor referia-se ao artista alemão, Joseph Beuys?

Pokot: Sim. Tive a oportunidade de vê-lo efetuando uma solitária manifestação de fé na transcendência, com uma ação física. Ele agia como um pajé. Creio que batizou seu trabalho com um nome em latim, “Vitex Agnus Castus”, se não estou enganado. Mas para que um pajé se justifique, ele precisa de crentes. Por isso este artista agia para platéias, através de aulas, palestras, ou atividades grupais. Mas, confesso, era melancólico ver aquele homenzarrão, prostrado no chão, esfregando a mão besuntada de óleo em barras de ferro, tentando convencer a audiência da necessidade de transcender.

Marcelo: A arte como “mal necessário” possui, portanto, para o senhor, o sentido de que nela, na arte, existiria o princípio do objeto desejoso…

Pokot: A ação desesperada destes homens de tanta boa vontade indica uma ausência. Uma ausência fundante para seu povo. Quando a função imaginativa cedeu lugar para a função racional, a cultura cristã começou a adoecer. É possível que todo o desenvolvimento da função racional, e da crença absoluta na verdade da matéria, já estivesse contida no nascedouro da ética cristã em seus primórdios. Poucos povos possuíram um deus que efetivamente viveu, que se fez carne, e que deixou rastros concretos de sua vida terrena. Se Deus fez-se homem, naturalmente o passo seguinte seria: Deus não está no além, está entre nós, é o próprio homem, feito de carne e osso. Quando Deus é idéia, imagem inefável, pura transcendência, é provável que a materialidade das coisas continue sendo um dado insignificante da existência. Pois a Verdade estaria sempre para além daqui.

A arte para vocês funcionou e ainda continua funcionando como mecanismo compensatório para o excesso de carne e osso que impregnou suas idéias e seus corações. Se a cultura cristã é insaciavelmente desejosa, esta atividade que vocês crêem ser autônoma, a arte, acabará por catalisar pesadamente a ausência. Através dela, vocês teriam a oportunidade de enxergar seu ruído com a transcendência, seu desejo de escapar deste mundo de carne e osso que criaram para si próprios.

Um dia, é possível que vocês se livrem da estética. Por enquanto, ela é um dos pouquíssimos indícios, um dos raros canais de religare que resta a vocês. Por isso a arte é um mal necessário. Por enquanto, apenas existem pastores sem rebanho. Homens descabelados a beira de uma síncope nervosa.

Marcelo: Poderíamos dizer que todo objeto de arte possuiria algo básico de ex-voto, de objeto votivo. Toda obra de arte seria um objeto desejoso…

Pokot: Sim. Direta ou indiretamente, todo objeto de arte é desejoso e, portanto, indicador da ausência. Alguns artistas manifestam um tipo de desejo de expurgo. Certa feita, nos anos setenta, em Londres, visitei uma exposição que em muito me nauseou. Era um pintor que lembrava muito o expressionismo do início do século. Porém, concentradamente mais mórbido. Eram figuras humanas despedaçadas, em sangue…

Marcelo: Era Francis Bacon ?

Pokot: Não sei. Não gravei o nome desta pobre alma. Saí da exposição entre enauseado e preocupado não só com a saúde mental do pintor, porém com a fratura cultural que tinha forjado tal mente e, fundamentalmente, a doença social que ele acusava.

Marcelo: Certamente era Francis Bacon.

Pokot: De qualquer forma, a lógica do objeto desejoso estava lá. Ele retira de si, e por conseqüência, da sociedade, o tumor e materializa-o fora do corpo. Depois ele oferece a imagem materializada deste tumor para o templo sagrado, que no caso de vocês é o museu ou a galeria. Já o tal alemão pensa menos no tumor e mais no sucedâneo, na cura. A ação de esfregar as mãos nas barras de metal tentava divinizar ações as mais banais. Além de criar, obviamente, um cerco energético entre ele, o “pontífice”, a audiência e aquilo que está para além daqui. Creio que era ele que dizia “eu sou uma bateria”, referindo-se a idéia de que continha em si radiador de energia. Chegou-me através de amigos que freqüentaram a Sorbonne informações sobre uma xamã brasileira que trabalhava com um princípio mais propriamente curativo que o deste alemão. Creio que os germânicos tenham uma natural dificuldade de lhe dar com tais idéias… Para vocês brasileiros, sempre será mais fácil.

Marcelo: Creio que o senhor se refere a Lygia Clark, uma artista brasileira. Ela trabalhou com arte durante boa parte de sua vida, quando então passou a chamar o que fazia de “terapia”.

Pokot: Quem bom que esta senhora tenha tido a lucidez de trocar o nome de sua profissão. Não posso garantir que o novo batismo que ela escolheu seja dos melhores. Normalmente o nome, quando já é muito antigo, carrega muito peso sobre si. Acaba por esvaziar-se, ou ser incapaz de denominar ou conter novos fenômenos. O fato é que existem determinados fenômenos que falam do lado de fora das fronteiras disciplinares, que estão, por assim dizer, fora dos nomes. Sei que vocês costumam chamar de arte até produtos provindos dos manicômios…

Marcelo: Sempre tive dúvidas sobre a validade de denominar objetos produzidos por doentes mentais utilizando o termo “arte”.

Pokot: O problema nunca será do objeto. Ele precisa existir. Todos os objetos do mundo são necessidades, pois eles são conservadores do desejo de ocupar uma ausência. É claro que uma sociedade que produz objetos em excesso, que se desfaz muito facilmente daquilo que possui para pôr algo aparentemente novo no mesmo lugar, está indicando uma confusão qualquer. Pois esta compulsão pela renovação inscreve, indica, uma ausência, um vazio fundamental, de fato preocupante. Mas retornemos ao problema dos manicômios. Creio que os objetos produzidos por doentes mentais são objetos, tal qual são objetos aquilo produzido pelo pintor sanguinário de Londres. O problema sempre será daquilo que Lévi-Strauss chama de “grade”. Será sempre de disciplina do olhar. A questão sempre será: “o olhar que converge para o objeto vem de qual fronteira?”. Esta “grade”, que no caso do ocidente é uma grade de olhares disciplinados, oferecerá a possibilidade de abordagem e, consequentemente, de nomenclatura dos fatos e das coisas. Os doentes mentais, e seus primos segundos, os artistas e cientistas de fato criadores, estão apenas cumprindo a norma dialética entre ausência e desejo, estão construindo seus objetos. A esquizofrenia é, fundamentalmente, da grade, responsável que é pela possibilidade do olhar e da nomeação das coisas. É até mesmo triste reparar que os objetos sempre estarão no mundo. Basicamente eles sempre serão, se não os mesmos, porém muito próximos da forma que possuem hoje. O que definirá suas nomeações serão as novas conformações da grade. Aqueles, preocupados em nomeá-los, estão empreendendo uma tarefa marcada para morrer. Pois os objetos são sólidos, enquanto os nomeadores terão suas nomeações periodicamente alteradas.

Marcelo: É curioso… O senhor me falou sobre os objetos votivos e em janeiro deste ano tive acesso a um livro de Walter Burkert onde ele faz uma boa introdução aos credos pessoais, fora das religiões oficiais, existentes no mediterrâneo antes do cristianismo se tornar religião oficial de Roma. Estes credos pessoais tinham representações exatamente nos objetos votivos, nas dádivas oferecidas a certas divindades. Pensei que seriam objetos anti-estéticos, ou melhor dizendo, não-estéticos.

Pokot: Sim, sim. Conheço o livro. “Antigos Cultos de Mistério”. Para maiores aprofundamentos, procure informar-se sobre a obra do monge beneditino português Venâncio Pereira Alçadas. “Voz Votiva”: é este o título de seu livro. Nele, estão descritas grandes construções votivas no sul de Portugal e no norte da África. E uma bela história é lá contada. Existiu uma grande cidade construída para que ninguém morasse. Era absolutamente vazia. Foi destruída pelos mouros em 1350. Conta Pereira Alçadas que a cidade fora construída por um homem de grandes posses, Cabrita Vinhas, em 52 D.C., como oferenda para Afrodite. A dádiva pedida à deusa do amor e da fertilidade em troca da cidade erguida era, sem dúvida, de caráter amoroso. A construção esférica dos ladrilhos que pavimentavam as ruas vazias e os símbolos circulares esculpidos em cada uma das esquinas indicavam isso. Em 1158 um descendente deste mesmo homem teria pedido uma outra graça à mesma divindade, desta vez uma ação votiva e não um objeto. No meio da cidade vazia, construída pelo seu ancestral, ele faria uma longa confissão de seus pecados. Após todo o correr de um dia ter se desenrolado, ele destruiria com as próprias mãos a cidade com o auxílio de um martelo e de um escopo. Tendo em vista que a cidade só foi destruída pelos mouros, devemos concluir que o pobre parente de Vinhas não teve muito sucesso em sua empreitada votiva.

O “taurobóleo”, rito muito difundido no mediterrâneo, que perde-se no passado, que encontramos referências até mesmo no “Katokochimoi”, de Eupalino de Mégara, é especialmente interessante. Neste caso, a vontade votiva desprende-se do objeto e torna-se temporal, rito. O indivíduo que evoca a divindade deveria matar um boi e banhar-se em seu sangue. Num ciclo de vinte anos deveria refazer a ação para, assim, reconstruir a “capa protetora” que precisava renovar-se, desgastada que estava ao fim de cada ciclo. Trata-se de uma constelação de “symbolon eutychies”, presente no taurobóleo. E todos se ligam ao desejo de boa vida terrena. Tanto o sangue quanto o animal, o touro, são elementos característicos das pulsões de terra.

Marcelo: Nos anos sessenta surgiu um grupo de artistas plásticos chamado “O Grupo de Viena”. Eles utilizaram-se de sacrifícios animais, banhos de sangue, auto mutilações…

Pokot: Nunca ouvi falar. Mas, ao que parece, este grupo era um pouco mais desesperado que o artista estripador de Londres, não? [ risos]

Marcelo: Porém, dentro de seu próprio raciocínio, eles estariam manifestando uma “ausência”, tentando ocupá-la com suas ações físicas. O “Teatro de Orgia e Mistério”, de Herman Nitsch possuiria parentescos com o rito do taurobóleo que o senhor acabou de descrever.

Pokot: Sim, sempre existirão parentescos entre quaisquer que sejam os fatos humanos. Mas, como já disse, tudo variará dependendo da conformação do olhar que se debruça sobre os fatos e as coisas. Pois os fatos e as coisas sempre estarão como sempre foram. É possível que o olhar disciplinar, que caracteriza o ocidente esteja modificando-se. Por conseguinte, traçando novos parentescos entre fatos e coisas. Mas, é bom lembrar: o taurobóleo não possui vontade estética., apenas vontade de fé e diálogo com o divino. Não trata-se de um fetiche-objeto esvaziado, como é o caso da obra de arte. Ele, o taurobóleo, evoca forças reais. O elemento dionisíaco deste tipo de arte que você me descreve esboça um desejo de mistério, mas não creio que seja capaz de provocar o numinoso, esta estreita porta que conduz apenas um homem, individualmente, até a imagem do mistério. Estes fenômenos artísticos lembram os ritos por serem temporais. Por dissolverem o objeto ( por excelência o indicador do espaço) em movimento ( que é em si a representação do correr do tempo). Mas, como disse, ao meu ver, são ritos desapegados. São o desejo de numinoso. Além do mais o rito real possui um, digamos, “roteiro” cuja origem perde-se no passado de pais, avós e bisavós… Pelo fato do rito não possuir um criador-indivíduo e sim um criador-social, ele possui um caráter agregador. Tratam-se de códigos compartilhados. Não é o caso desse tipo de arte que você me descreve. E especificamente da arte do século XX, que caracteriza-se exatamente por ser desagregadora. Ela cinde a sociedade por criar códigos novos e descartar aqueles secularizados.

Marcelo: Vejo que o senhor está cansado…

Pokot: É possível. Como lhe disse, arte me cansa. Gostaria de preparar-me para o encontro de amanhã com o professor Evaldo Coutinho.

Marcelo: Antes que encerremos este encontro, gostaria que dissesse-me o que o fez visitar o Recife durante o carnaval.

Pokot: Antes de qualquer coisa lembre-se que este é um dos três berços onde nasceu sua nação. Não a toa os três berços tomaram para si a mesma auto-representação: o carnaval, o grito dionisíaco “euhai”. Assim, podemos conhecer um povo. Vai-se em direção à sua auto-imagem. Ela representará seu desejo de ser. Em torno dela, pode-se enxergar as cores do ar. Não vê ? [ Pokot olha em torno de si, mirando o vazio, e inspirando forte] São lilazes.

Marcelo: O que indicam ?

Pokot: [Silêncio] Procure nas “Horas Douradas”, de De Selby. Mas, voltando a falar sobre minha viagem, devo dizer-lhe que a leitura dos escritos solipsistas de Evaldo Coutinho moveram-me em direção ao Recife.

Marcelo: Faz idéia de como seus escritos chegaram à Argélia?

Pokot: Via universidade de Salamanca. “A Visão Existenciadora” foi traduzida por um jovem estudante de filosofia, Xeriar Meursault. Ao que parece, o conceito de “existenciação” do professor Evaldo Coutinho, goza de um prestígio crescente entre os jovens argelinos. No que diz respeito a mim, vejo-o como construtor de um sistema para-filosófico de grande sensibilidade. Sua narrativa não se curva à aridez típica de boa parte da prosa filosófica do século XX. Possui contornos estilísticos visionários, como que assemelhados à aqueles dos grandes místicos do passado cristão, como San Juan de la Cruz que versava sobre o indizível: “deve-se dizer, mas não dizer”. Porém, sua mensagem parece ser inversa. Quando nos diz que por mais resistentes e perpetuáveis que sejam as coisas elas se fatalizam à efêmera duração da vida consciente do indivíduo, ele deposita todo o Ser do mundo no homem. É possível que vejamos no professor Evaldo também algum parentesco com a idéia de Shopenhauer do “mundo como vontade e representação”. Porém seu estilo, sua forma de construção textual indica uma espécie qualquer de intertextualidade. Algo além do que é dito expressamente, habita sua obra. Este algo parece ser uma voz mítica, provavelmente de caráter heróico, como indica a tradição cristã. “Eu fundo o mundo” é uma idéia claramente cristã… e é esta a idéia base de “A Visão Existenciadora”. Interessa-me muito reparar que, normalmente, quando um homem é acometido por uma imagem mítica primordial e dispõe-se a dar-lhe voz, esta voz toma contornos estilísticos muito rebuscados, como que iluminados, com ares visionários. Veja o estilo apocalíptico, assemelhado a São João, que costura as frases de Nietzsche, no “Zaratustra”. É como se a voz de formas arcaicas de pensamento necessitasse de uma sonoridade sempre curvilínea e nunca retilínea. Muito provavelmente, o professor Evaldo Coutinho não concordará comigo. Porém, devo expor-lhe minhas percepções. Existem outros aspectos muito interessantes na idéia do homem como o existenciador do mundo. A “composição alegórica”, como nos diz o professor, de “rostos e entrechos”, que o Ser do mundo nos oferece é única para cada indivíduo. A idade desta “alegoria” oferecida é a minha idade. Eu morro, o mundo morre. Por conseqüência também somos sujeitos do mundo alheio, do mundo composto, “existenciado”, por cada consciência que nos vislumbrou. Então quando alguém que nos conheceu morre, uma das nossas conformações de existência também morre. Trata-se de uma concepção de existência que levanta várias outras questões: se somos seres de linguagem; se as linguagens criadas são filtros que nos distanciam e nos impossibilitam de tomar contato com a realidade natural; se o nosso universo e nossa única realidade é o símbolo; se o símbolo, base da linguagem, é convencionado socialmente; se lemos o mundo a partir destas convenções, qual seria a medida de nossa individualidade, qual seria a fronteira entre aquilo que é pessoal e intransferível e aquilo que, criado pelos limites impostos pela convenção, é social? Seria possível delimitar uma fronteira? A inflação aparente do ego, representada por “A Visão Existenciadora”, já não denunciaria o esgarçamento desta estrutura, o ego, neste final de milênio cristão? Inflacionando o ego, estrutura existenciadora do Ser do mundo, o professor Evaldo Coutinho não estaria, num movimento compensatório, alertando para o risco desta dissolução egóica que o ocidente vive? Pense que, mesmo de estilo aparentado ao de San Juan la Cruz, este filósofo brasileiro é contemporâneo da filosofia européia dos anos 60 e 70. Foi esta filosofia que desapropriou as dores do indivíduo, derramando-as no corpo social…

[1] Jornal que circulou nas cidades de Olinda e Recife, em agosto de 1997, como forma de divulgação do evento multi-mídia “Mônadas”, que teve como local a antiga fábrica de tecelagem Tacaruna.

[2] Em Tristes Trópicos ( São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 1996, pag. 248), Claude Lévi-Strauss não se refere nominalmente aos seus colaboradores na expedição Nambiquara. Apenas indica: “a expedição incluía de início quatro pessoas que formavam o pessoal científico, e sabíamos muito bem que nosso êxito, nossa segurança e até nossas vidas dependeriam da fidelidade e da competência da equipe que eu ia contratar”. O antropólogo Edmund Leach, em seu ensaio Lévi-Strauss ( São Paulo: Ed. Cultrix, 1970, pag. 12), nos diz sobre a expedição Nambiquara: “Os detalhes desta expedição são difíceis de determinar. Inicialmente, Lévi-Strauss teve dois companheiros científicos empenhados em outras espécies de pesquisa. O grupo deixou sua base em Cuiabá, em junho de 1938, e atingiu a confluência do rio Madeira e Machado no fim desse ano. Segundo parece, estiveram em movimento o tempo quase todo”. Não se sabe ao certo o motivo do ilustre antropólogo ter se furtado de dar o nome dos demais cientistas que compuseram esta expedição.

[3] Between the Eyes – What has not been seen by an European expedition among the Nambiquara in the South America (Cambridge Mass, 1942).

[4] The East There – A comparative study of the becoming between the Ravé-Potí and the Kummah

(Cambridge Mass, 1964).

[5] Ver Les Rites de Passage ( Paris: Nourry, 1909)

[6] Ver Passagem: Morte e Renascimento ( In “O Imaginário e a Simbologia da Passagem”, Danielle Perin Rocha Pitta (org.), 1984, Ed. Massangana Recife, PE, pag. 35).

[7] Em O Oriente de Lá – Estudo Comparativo do Devir Entre os Ravé-Potí e os Kummah (Cambridge, Mass. 1964, pag. 204), Pokot discorre sobre o tema da Passagem como fenômeno de ordem psíquica, individual, processado portanto dentro de uma outra ordem temporal. Diz-nos Pokot: “Passage as a rite is a social aggregator, a permission-obligation of change given to the individual by his group . However, the passage is not always really consolidated. Often, one verifies that the social arrangement was not enthroned at the psychic time of the individual who has been through the rite” E usando o exemplo dos Ravé-Potí, nos diz mais adiante: “In the cases of bodies emptied from a new order, that have made use only of the sacred rite’s appearance, the Ravé-Potí usually make the individual in question swallow clay to the point of nearly suffocation with the intention to fulfill his deep emptiness”.

[8] Em idioma tacuch, o equivalente ao termo “nascimento” é “jahamkat”, que se traduzido rigorosamente, significaria “lá vem”. Para nossa “morte”, os Kummah possuem o termo ‘kathamjah”, uma inversão de sílabas que poderia ser traduzido como “evaporou”.

[9] “Katham-huruk”, palavra mista, englobaria em si algo próximo de nosso conceito cristão de “além”, ou seja, o lugar para onde iríamos após-morte e, no caso dos Kummah, entrarem em “kathamjah”. Porém, é importante atentarmos que o termo “huruk”, usado separadamente, pode denominar em tacuch tanto “fezes bovinas”, fertilizantes do solo, quanto “vagina da mulher amada”. Portanto, temos aqui um sentido muito ampliado da idéia de além.

[10] Espécie de cão do mato, que vive dos restos alimentares apodrecidos deixados por outros animais de maior porte. Parente da hiena, é habitante das margens do lago Victoria.

[11] Rigorosamente, tantuo-hou significaria “criança cujas orelhas foram comidas por um hou-hou. Em português falado no Nordeste brasileiro, estaria próximo de criança “malouvida”.

10/5/2009

A obsolescência de nossos backups

(11:17:48) lucio: Olás!
(11:21:20) glerm: Olá!
(11:21:26) lucidasans: Aei…
(11:21:32) lucio: Bom, a Claudia está na escola, mas creio que ela gostaria de participar dessa conversa.
(11:21:49) lucidasans: Acho que a conversa pode ser em etapas, o Octavio também não está online.
(11:22:05) lucio: Podemos repetir a tentativa mais tarde com o Octavio e a Claudia.
(11:22:15) lucidasans: Temos que rever o material.
(11:23:33) lucio: Como passei pra vocês, temos mais alguns cds com algumas especificidades de conteudo para entregar. Mas é tranquilo, pois a base é o cd anterior que já enviamos pra ação educativa. Tem algumas coisas que não cabem pra nós, tipo: foto do grupo.
(11:25:06) lucidasans: Podia ser a foto do depósito da Santa Efigênia?
(11:25:15) lucio: Nem sei se temos uma imagem com todos juntos.
(11:25:25) lucidasans: Acho que não há.
(11:25:31) glerm: Na foto da Santa Efigênia há umas cinco pessoas.
(11:25:32) lucidasans: Tipo banda ou time de futebol.
(11:25:35) glerm: É o grupo, contando o cachorro da seis.
(11:26:09) lucio: Passa essa imagem pra eu ver.
(11:26:12) lucidasans: Não dá, o cabo usb está aí na 818. É uma imagem estranha, tipo um fosso.
(11:26:43) glerm: Cara, é um fosso não dá pra acreditar, parece aquele cofre do tio patinhas cheio de placa de computador. A imagem nem dá conta da vertigem que era o lugar.
(11:27:39) lucidasans: Pena que a câmera não pegou a profundidade de campo.
(11:28:40) glerm: O Octavio está escrevendo todas músicas dele em partitura. Vou passar pra midi.
(11:28:57) lucidasans: Eu estava vendo se convencia o Octavio a escrever pra Guitar Hero.
(11:28:59) glerm: E fazer algo com isso lá.
(11:29:12) lucidasans: De midi vai pra Guitar Hero?
(11:29:17) glerm: Sim.
(11:29:26) lucidasans: E depois pra Frets on fire. Haha, acho que tem a ver com o humor de canções.
(11:30:48) lucio: Vocês vem no 818 a noite?
(11:30:55) lucidasans: Sim, meus arquivos estão aí, tenho quase nada aqui no Eee pra pensar em catálogo.
(11:31:14) lucio: Com relação ao espaço do Solar, pensei em um espaço auto gestionado.
(11:31:38) glerm: Meu relato do Campus Party.
(11:31:49) lucio: De certa forma como o 818 foi.
(11:31:51) lucidasans: Como assim auto gestionado?
(11:32:15) glerm: Vou ter que desabafar aqui. Não consegui a concentração que queria para trabalhar na proposta do “Bits e Volts na Unha”. Era necessário uma concentração meditativa para pensar em lógica binária ali na mesa, fazendo uma regressão aos primórdios da eletrônica analógica sendo digitalizada, desmistificando a necessidade do rigor acadêmico para sacar o assunto, mas aprofundando a parte atômica da coisa. Tipo “da onde vieram os bebês?”. Pensando bem, é muito triste isso, só falta cortar uma orelha.
(11:33:05) lucio: Sem hierarquias, principalmente com relação a qualquer tipo de dicotomia entre os seres que estiverem no lugar.
(11:33:06) glerm: Não quero expor isso, mas fica aqui registrado.
(11:33:09) lucidasans: A própria orelha ou a do soldado?
(11:33:50) glerm: Lúcio, a gente tem que pensar na problemática de ter que ficar batendo ponto lá.
(11:33:53) lucidasans: Mas são necessários dispositivos bastante ativos para garantir a não hierarquia.
(11:34:25) glerm: Como a gente vai resolver isso? Vai haver datas, horários?
(11:34:37) lucidasans: Não prometemos datas e horários fixos.
(11:35:00) glerm: Sim, mas o papo aqui está em torno de um projeto tipo o Desafiatlux.
(11:35:09) lucio: Entendo Simone, neste caso já existe uma hierarquia, que como o Glerm disse - a Fundação, mais especificamente o Solar, impõe.
(11:35:29) lucidasans: Oposição público-artista?
(11:36:02) lucio: Desconsiderando essa de público-artista… No entanto há um exercício.
(11:36:31) lucidasans: Quando eu falei que era preciso ativar a desierarquia é porque também acho que já exista uma hierarquia natural naquele espaço, então estamos de acordo.
(11:36:56) lucio: Como essas etapas de documentação - catálogos oficiais, etc… que passam por uma forma de definição de quem são os propositores. Desse modo, a ocupação fala desse embate também.
(11:38:55) lucidasans: Entre propositores, interventores, consumidores?
(11:40:06) lucio: Sim, uma porção de delimitações – edital, espaço pré-demarcado de atuação, horários, etapas, agendamentos - um jogo.
(11:40:32) glerm: Mas interfaces é o que? Uma interface entre o jogo e o não-jogo?
(11:41:09) lucio: Dentro desse jogo é que se dilui nossa intenção. Esse jogo se chama instituição.
(11:41:53) lucidasans: Eu acho que invariavelmente é um jogo com máquinas, sejam as computacionais, sejam as burocráticas ou as conservas culturais.
(11:42:39) lucio: Como dialogar e diluir em espaços com regras bem definidas?
(11:42:43) glerm: Eu acho que esse jogo se chama retórica, porque não existe a não-instituição, isso seria a não-linguagem.
(11:43:28) lucio: É prática tambám.
(11:44:05) lucidasans: Sim, um jogo entre instituições.
(11:44:25) glerm: O que é o lixo?
(11:44:59) lucidasans: Diluir para neutralizar ou para prevalecer?
(11:45:48) glerm: Vamos pra gaza?
(11:46:20) lucidasans: Gaza está cheia de corpos, você fala ir físico-newtonianamente?
(11:46:46) glerm: Vi a apresentação do Balbino e do Alê no Transmediale09, um grande evento de “Arte e Tecnologia”. Um cara de Burkina Faso me chamou atenção. Ele mostrou uma comunidade que fazia suas escolas, desde fazer os tijolos… Então ele tentava explicar que aquilo era feito pela necessidade, muito mais do que pra mostrar ali, mas as pessoas ainda ficavam perguntando das escolhas arquitetônicas deles, tipo porque teto era alto e uma hora ele falou: “eu estou aqui sobretudo pra convidar vocês pra irem lá, vamos?”. Acho que ele vai conseguir um dinheiro pra fazer mais tijolos, mas não sei se estas pessoas irão até lá. Mas já sei o que eles vão ter que ensinar nessas escolas. O que isso tem a ver com o “Interfaces”?
(11:49:46) lucidasans: Atá porque dá pra conseguir muito tijolo pelo valor da gasolina azul.
(11:49:47) glerm: Não sei, retórica - “carnaval malandros e heróis”.
(11:50:09) lucidasans: Tinha uma inscrição do discurso dele no Transmediale que ele explicou no começo.
(11:50:14) glerm: Alegoria - nota ().
(11:50:20) lucio: No caso – prevalecer/neutralizar/retórica - Quais as alternativas práticas? Continuar, parar, pular, voltar, esquecer, lembrar, rir. Uma lista de ações, quais as regras e antiregras dessa situação?
(11:55:53) gler1 [n=glerm@189.34.70.224] entrou na sala.
(11:55:55) lucio: Em meio a qualquer tipo de tática de objetivação, a um caos pseudo-organizado, como é essa sensação de diluição?
(11:56:04) gler1: Caí, perdi um monte…
(11:56:26) lucio: Tem dois de Glerms na sala.
(11:56:37) gler1: Um deles eu perdi o link.
(11:57:03) lucio: Os Glerms se multiplicam.
(11:57:30) gler1: É um link perdido, a Simone está fora também. Onde parou a conversa?
(11:58:03) lucidasan1 [n=ieieie@189.34.70.224] entrou na sala.
(11:58:03) gler1: Cola aqui.
(11:58:08) lucio: Também passamos pelo sentimento da perda.
(11:58:11) claudi1 [n=claudia@189.4.43.181] entrou na sala.
(11:58:24) lucio: Oi Claudia!
(11:58:30) lucidasan1: Oi Claudia!
(11:58:33) claudi1: Oi!
(11:58:33) gler1: aqui ta como claud1
(11:58:51) claudi1: Deixa assim.
(11:59:07) lucio: Claudia, estamos conversando sobre multiplicações e diluições.
(11:59:21) gler1 mudou seu apelido para glermglerm
(11:59:58) claudi1: Multiplicações - Questões monetárias?
(12:00:29) lucio: Questões de duplicação de personas.
(12:00:44) lucidasan1: Onde estavam as multiplicações no assunto das intenções mesmo?
(12:00:54) glermglerm: Acho que a gente estava falando sobre “interfaces”.
(12:01:09) lucidasan1: Se interfaces era um jogo com máquinas.
(12:01:15) glermglerm: void()
(12:01:31) lucio: Qual era nossa intenção inicial quanto ao Interfaces?
(12:01:39) lucidasan1: E se era possível declarar essas variáveis antes demais nada.
(12:02:27) lucio: Cabe ser fiéis a essas intenções?
(12:02:52) claudi1: Somos o que resta das diluições, multiplicações, intenções.
(12:03:25) glermglerm mudou seu apelido para guilhermerafaels
(12:03:36) lucio: Isso já é um estrago em tanto.
(12:03:40) guilhermerafaels mudou seu apelido para rafaelsoares
(12:03:57) claudi1: O que resta?
(12:04:11) lucio: Um novo nós…
(12:04:15) rafaelsoares mudou seu apelido para rg60166498
(12:04:52) rg60166498: Eu não acredito em mim, muito menos em vocês.
(12:04:59) lucidasan1: Pra haver um novo nós precisa haver um novo outros, senão não é nós-outros.
(12:05:05) claudi1: Eu também não.
(12:05:34) lucidasan1: Tudo bem Glerm, mim também não acredita em eu.
(12:05:34) rg60166498: Acho que é tudo sobre um dinheiro.
(12:05:35) lucio: Isso não deixa de ser crença.
(12:05:46) rg60166498: Que já foi gasto. O resto é simples, é viver e morrer sem matar. Mas interfaces era o que mesmo? máquinas?
(12:06:22) claudi1: As vezes matar.
(12:06:29) lucio: Pessoas.
(12:06:32) rg60166498: Não estou falando de metáforas, estou falando de gente que mata e se mata de verdade.
(12:06:45) lucio: O nome já diz.
(12:06:55) claudi1: Pessoas que agem como máquinas que agem como pessoas. Cães que agem como pessoas que agem como cães.
(12:07:28) lucidasan1: Crença = Programa.
(12:07:37) claudi1: Pode cagar na minha calçada.
(12:08:01) rg60166498: Existe uma discussão sobre o que é strictu sensu.
(12:08:02) lucio: Acham isso vertiginoso?
(12:08:17) lucidasan1: Não.
(12:08:20) rg60166498: Acho chato pra caralho, vertiginoso é surtar.
(12:08:51) lucio: “Vale a pena viver” - isso é uma conclusão?
(12:09:00) claudi1: Vertiginoso é estar.
(12:09:07) lucidasan1: Acho que até o futuro da internet é mais vertiginoso.
(12:09:09) rg60166498: Estar é fácil, basta ser. Não ser que é a questão.
(12:09:21) claudi1: Qual futuro?
(12:09:25) rg60166498: Vamos pra gaza?
(12:09:35) claudi1: Acho vertiginoso.
(12:09:42) rg60166498: Fazer as mães chorarem?
(12:09:46) lucidasan1: Se há futuro, está conversa estará nos backups.
(12:10:22) rg60166498: Acho tudo irrelevante.
(12:10:24) claudi1: E a seleção natural?
(12:10:33) lucio: Se a obsolescência permitir o resgate a esses dados.
(12:10:39) lucidasan1: O jornalista que jogou o sapato foi severamente torturado.
(12:10:49) rg60166498: Nunca se sabe.
(12:10:56) lucio: Porque errou.
(12:11:04) lucidasan1: Teremos que lutar pela volatilidade das nossas conversas e pela obsolescência dos dados, porque os servidores terão que manter entre aspas dados de três anos, não é?
(12:11:27) lucio: Na guerra o erro é a morte.
(12:11:32) lucidasan1: Pediu abrigo na suíça.
(12:11:37) rg60166498: O que eu faço com todo esse conhecimento, esqueço?
(12:11:45) lucidasan1: Mas está sendo investigado em um espaço que investiga terroristas no Iraque.
(12:12:30) rg60166498: Na sala vazia do museu.
(12:12:58) claudi1: Ocupação de fachada.
(12:13:13) lucidasan1: —-
(12:13:45) rg60166498: Tem gente que pinta fachadas e é feliz.
(12:14:58) lucidasan1 mudou seu apelido para glerm
(12:15:05) lucio: Existe um argumento: Vocês assinaram um contrato. Querem comentar algo?
(12:15:15) claudi1: Voltando ao dinheiro, e aí quem leva a melhor?
(12:15:36) rg60166498 mudou seu apelido para simone
(12:15:42) claudi1: Assinamos, lemos, erraram nossos nomes.
(12:15:54) glerm: Qual dinheiro?
(12:15:59) lucio: O que gastamos.
(12:16:03) claudi1: Aquele.
(12:16:03) glerm: O que já acabou?
(12:16:07) claudi1: Sim.
(12:16:19) simone: O contrato prevê como contrapartida uma exposição.
(12:16:19) claudi1: Quem levou a melhor?
(12:16:22) simone: Estou de acordo.
(12:16:34) glerm: Quem leva a melhor são os bancos.
(12:16:47) claudi1: Aêê!
(12:16:53) lucio: E como nos manifestamos diante disso?
(12:17:34) glerm: Eu fiz um monte de cacareco, quem quiser achar que vale alguma coisa que leve, senão talvez esse papo furado aqui valha algo. Os cacarecos não funcionam acho porque ainda não sei pra que servem.
(12:19:00) simone: Seguinte, eu vejo o catálogo como um extrato que não precisa necessariamente corresponder ao conteúdo da exposição.
(12:19:10) lucio: Servem pra ocupar um museu?
(12:19:39) claudi1: Ocupar o museu não é problema.
(12:19:47) glerm: Se servirem só pra isso corto minha orelha.
(12:19:47) simone: Precisamos deste tempo para nos dedicar a configurar e discutir a exposição.
(12:20:33) lucio: Van Gogh mordeu a orelha, hehe.
(12:20:50) claudi1: Mordeu a sua própria orelha.
(12:20:57) glerm: Pixe peixe.
(12:21:04) simone: Tyson, Pedro Simão.
(12:21:30) claudi1: Conhecemos um cara chamado Toto.
(12:21:42) simone: Sem acento?
(12:21:52) claudi1: Sim. Ele disse: Trabalho e produtividade.
(12:22:16) lucio: Como lema da bandeira.
(12:22:20) simone: Onde? Otimização e proatividade.
(12:22:54) simone: Onde vocês o conheceram?
(12:23:01) claudi1: Em Pontal do Sul.
(12:23:06) lucio: No embarque, mas seu afilhado escreveu: Vida e liberdade.
(12:23:31) simone: O que ele faz de tão inspirado?
(12:23:38) claudi1: Ele disse: Quem trabalha não ganha dinheiro.
(12:23:47) simone: Ah!
(12:23:51) lucio: O garoto tinha uns 10 anos e mandou essa.
(12:24:02) claudi1: Você estabelece graus de parentesco absurdos.
(12:24:03) simone: E a Ufpr escreveu: Scientia e labor, he!
(12:24:29) claudi1: Labor.
(12:24:33) glerm: A Ufpr tá certa, ciência e lavoura.
(12:24:56) lucio: E o barão mandou seus escravos construírem o espaço da exposição.
(12:25:05) simone: Ciência e laboratório.
(12:25:06) claudi1: Certo precisamos plantar.
(12:25:09) simone: Acho que eles acham.
(12:25:42) lucio: E os milicos construíram a outra parte.
(12:25:43) glerm: O pior de tudo não é que o barão supostamente morreu por nós, e sim que isso não me diverte.
(12:26:16) claudi1: Diversão, ciência e labor?
(12:26:37) simone: Distração, ciência e lavoura.
(12:26:46) lucio: E quanto aos desvios de conduta, isso existe?
(12:27:00) claudi1: Desvios?
(12:27:06) simone: Desde que não somos mais trens.
(12:27:14) glerm: Matar.
(12:28:01) simone: Pro Freud existem dois tipos, desvios de fins e desvios de meios.
(12:28:41) glerm: isso aqui é o texto do catálogo, ou é desvio?
(12:29:05) lucio: Vai passar antes pela censura.
(12:29:47) simone: E pelo liquidificador.
(12:30:18) claudi1: Claro, para uma mistura homogênea.
(12:31:26) lucio: Ou vai para o desvio do catálogo? Hoje havia de novo um passarinho preso no quarto do vitoriamario.
(12:34:25) simone: Ui!
(12:34:38) lucio: Conversei com ele e abri a janela.
(12:34:53) claudi1: E o que ele disse?
(12:35:18) lucio: Ele saiu e ficou no telhado na minha frente me olhando todo destrambelhado.
(12:35:31) claudi1: Tive uma idéia totalmente revolucionária.
(12:35:34) lucio: Piou e voou.
(12:36:18) simone: Putz, triste… Diga Claudia.
(12:37:17) lucio: Ou acha pouco seguro por IRC?
(12:37:52) claudi1: Estou esperando que mais pessoas estejam presentes.
(12:38:06) lucio: Como quem? Os revolucionários?

Encontro pelo Irc acontecido no dia 02fev2009.

8/1/2009

l’essence - um espaço para viver

Filed under: aforismo, ação urbana, brasil, entrevistas, registro — lucio @ 1:25 pm

06dez2008
diálogo com rita (ida) em semáforo

(semáforo vermelho, chega uma pessoa nos oferecendo um panfleto de propaganda)

- posso tirar uma foto sua?
- sim.
- qual é o seu nome?
- Rita.
- Ida?
- é.
- Você trabalha sempre nesse lugar?
- Não, a gente troca de lugar.
- Em volta do centro?
- é.
(pega a propaganda de venda de plantas baixas).
- Prazer em conhecê-la. Tchau.
- Tchau.

28/12/2008

Nengara nenjuu yatte kuru - they come alyearound

they come
They come, bringing their friends and effortlessly, effortlessly head out before you know it,

they’re outside your window
before you know it, they’re in your house
they come

in an ordely line
with beautiful, beaming smiles all the time chakapoko, chakalaka, charming, before you know it,

they’re on your shoulder
before you know it, they’re on your plate they come all year round

they come in a matching mass of red
before you know it, they’re in your mouth before you know it, they’re in your dreams

26/10/2008

Esquizofrenia da relação entre cultura e tecnicidade


Entrevista entre Capivara e Etienne Delacroix - Submidialogia - Lençóis - Bahia - Brasil - Dezembro/2007:

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

Doença opcional:

11/1/2008

A confusão das línguas não deixa margem para o rio das dúvidas banhar a ouro e verde as esperanças de todos nós



http-equiv="content-type">


 
 

a justa razão aqui delira
leminski - fragmento do catatau
pg 34 ed. sulina

leitura eletrônica em inglês - catataulido.ogg

1.jpg

“Preserva-se do real numa turris ebúrnea; o real
vem aí, o real está para

> chegar, eis o advento! Vrijburg defende-se,

se defendam vrijburgueses

> o cerco aperta, alerta, alarde, alarme, atalaia!
Todo o tiro é susto

, Todo > fumo - espanto, todo
cuidado - 



pouco caso

.
Vem nos negros dos quilombos,
> nas
> naus dos carcamanos,
na cara destes bichos:
basiliscos brasilicos queimam a
> cana, entre as chamas passando pendôes.

Cairás, torre de
Vrijburg

, de
> grande
> ruína.
Passeio entre cobras e es-
corpiões meu calcanhar de Aquino,
caminhar > de

Aq

uiles.

E essa torre da Babel do orgulho de Marcgravf e Spix,

pedra
> sobre pedra não ficará,
o mato virá sobre a pedra
e a pedra a espera da
> treva fica podre e vira hera a
pedra que era…

A confusão das línguas não
> deixa
margem
para o rio das dúvidas banhar a ouro e verde as
esperanças dos
> planos de todos nós:
as tábuas de eclipses de
Marcgravf não entram em
> acordo > com as de
Grauswinkel;
Japikse pensa que é macaco o aí que
Rovlox diz fruto
> dos coitos danados de
toupinamboults e tamanduás
;
Grauswinkel, perito nas
> manhas dos corpos celestes, nas manchas do sol e
outras raridades urânicas
>

é um lunático

;
Spix, cabeça de selva, onde uma

aiurupara
e

stá
pousada em cada
> embuayembo, uma aiurucuruca, um aiurucurau, uma
aiurucatinga, um tuim, uma
> tuipara, uma tuitirica, uma arara, uma
araracá, uma araracã, um araracanga,
> uma araraúna, em cada galho do
catálogo de caapomonga, caetimay, taioia,
> ibabiraba, ibiraobi! Viveiro? Isso está
tudo morto!

Por eles, as árvores
> nasciam com o nome em latim na casca, os animais
com o nome na testa dentro
> da moda que a besta do apocalipse lançou
com uma dízima periódica por
> diadema,
cada homem já nascia escrito em peito

o epitáfio,

os
frutos
brotariam
com o receituário
de suas propriedades,
virtudes e contraindicações.
> Esse é emético, esse
é diurético, esse é
antisséptico,
> laxante, dispéptico, adstringente

, isso é letal.”


29/7/2007

telefone sem figo

telefone
vitroriamario: esse perdeu a consciência
Olhar Comum » Arquivo » um weblog, blog ou blogue | gilsoncamargo.com.br/blog/?p=359
[…] fonte: post de Guilherme Soares em Hackeando Catatau […]
Mathieu Struck: obrigado pela visita e comentário.
de todo modo, não é “meu” blog e sim da Orquestra Organismo e de um maluco (que de vez em quando aparece) chamado Occam :-)
abraços,
Bourges: Olá meu caro,
Teu blog é puro, simples, sem firulas… bom, gostei.
gilson: quá quá quá
totum dominatum est!
Mathieu Struck: não passei na frente dele quando fiz esta sessão de fotos.
gostaria de produzir imagens dentro do sanatório (de fora, o complexo parece ser impressionante - em todos os sentidos).
haroldo: de fato! mas e o sanatório bom retiro, de tão ingrata lembrança?
calma, pessoal! pega leve!
Mathieu Struck: curiosamente, nenhuma das imagens foi cortada, embora tenham decorrido de um “corte”, via seleção da cena para o fotograma.
a primeira imagem foi tirada com uma 50 mm fixa 1.8. a terceira imagem com uma zoom 28-75 4.5.
A imagem do meio (quer dizer, o primeiro frame dela) não lembro, mas possivelmente com a zoom também.
em todas, a distância focal das lentes foi multiplicada por 1,6, em razão do tamanho do sensor digital.
sobre os temas retratados, a primeira imagem, aliás, é de uma belíssima casa modernista dos anos 50 recentemente demolida no Bom Retiro (e clandestinamente).
valeu, joão!
glerm: Interessante descobrir agora pela fala da moça da esquerda, que a figura andrógina da direita é um rapaz. Isso torna possível que a “terapia” entre o casal vá até as últimas conseqüencias - uma reprodução. “Renascimento”, mas nada de yin, yang, jung, iching. Soma 1+1 e vai somando (1+1=2/1 -> prove). Tudo é somático (antropomórfico - pois tudo é uma antropoforma). O resto dessa divisão é o limite - tende a zero. Cabe + 1? A palavra dirá, renascerá, mas a soma ja falava por si, sem palavras.
muito louco: biiiiiiiiiiiiiiiiiiiitch motherfucker
vai tomar no stit
rfrcwdcetwkqwekfnwjkjkbgvg
jujjjujjjujjjujujj
Shana: e aí, tudo bom com vocês? A galera do ruido ta organizando uma festa numa segunda feira dia 13 de agosto, pois vai vir uma banda dos estados unidos querendo tocar e o encontro será no Wonka. Eu, Shana , fiquei com a curadoria de uma exposição coletiva, com artistas de diferentes áreas, enfim, eu curto um monte o trabalho de vocês e queria saber se tem interesse em fazer algo, todo mundo quer que o organismo participe! tenho prazo curto, tentei ligar pra vc glerme mas não consegui!
beijos!
glerm: a moça tem uma cicatriz na bochecha. se ela não vê é porque está de olhos fechados. mas quem são os tais “vocês”? alguém que não está aqui agora?
haroldo: se a vida for um jogo, supôe-se que a morte seja o seu final. quem chega na frente -pode-se crer- que não é o que mais se diverte.
jogo bom é a peteca, não a copiada do volei, mas a dos índios em que a onda é não deixar ela cair. quem já jogou sabe.
Francynne: Olá….
As fotos ficaram maravilhosas,Parabéns belo trabalho!
..__>>LaboratóriO_rquestra{Texto » BLOG e*0u n.1 = vincos na testa da anti-heroína, lágrimas d’ um anti-herói. | organismo.art.br/blog/?p=2228
[…] - Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser - se viu -; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão; determinaram - era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas… Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente - depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá - fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte. […]
glerm: […]
Humano: Sempre achei que partisse de meu Deus a esperança do amanhecer, dos dias melhores, mas que esperança é esta? A vida não é um jogo. Ela simplesmente é. Não preciso mais da sua proteção e do seu julgamento. Não preciso do Bem e do Mal. Do medo ou do orgulho. Do despotismo autoritário do meu… “SENHOR”! Da suposta “ORDEM”! A morte faz parte da vida e se você é o todo pode ser também a morte. MORRA!

(esfaqueia Deus, ergue o coração)

Todos: Malditos somos nós tentando ser nós mesmos!

[…]

16/7/2007

o vento sopra o contraponto,e,ou,porém.

Contraponto do Cabessa de Vento Assumido:

Modo E/Ou (Estudos Para uma Sinfonia sobre o Cartesiano em Tilt):

tornado.jpg

3/6/2007

Dados Cru(do)s a Coze(i)r :::::: TUMBALALÁ ::::::: (ou a aldeia que nunca foi aldeia e que é muito mais que aldeia) ::::::: DESAFIATLux TUMBALALÁ

O reconhecimento oficial ocorreu após uma mobilização iniciada em meados de 1998 e direcionada para a adoção de projetos de articulação coletiva que gravitavam em torno de uma história, destino e origem comuns para as pessoas que formam hoje uma comunidade com fronteiras sociais em processo e ainda sem território demarcado. Habitando o sertão de Pambú, uma área na margem baiana do sub-médio São Francisco ocupada no passado por várias missões indígenas e alvo de criação extensiva de gado bovino durante os séculos XVII, XVIII e XIX, os Tumbalalá estão historicamente ligados a uma extensa rede indígena de comunicação interétnica, sendo, assim, parte e produto de relações regionais de trocas rituais e políticas que sustentam sua etnogênese no plano das identidades indígenas emergentes e os colocam no domínio etnográfico dos índios do Nordeste brasileiro.
AAAAHAAHHHHALALÁ

NO RIO O IRON

Os Tumbalalá ocupam uma antiga área de missões indígenas e colonização portuguesa ao norte do estado da Bahia, entre os municípios de Curaçá e Abaré, na divisa com Pernambuco e às margens do rio São Francisco. Tem-se por referência o pequeno e antigo povoado de Pambú

(S 08o 33’ W 039o 21’)

, a ilha da Assunção (TI Truká) e a cidade de Cabrobó (PE).

MISSAO

A história da colonização do sertão de Pambú remete ao século XVII e foi incrementada pela criação extensiva de gado bovino e pela formação de missões indígenas nas ilhas do sub-médio São Francisco. Essas duas agências coloniais, somadas a outros fatores tanto políticos quanto naturais, responderam por fluxos de deslocamentos e convergência de pessoas e famílias que fizeram desta parte do sertão uma referência regional no século XVIII.

Formando um importante núcleo de atração e povoamento interior, o sertão de Pambú foi ocupado até este período por ajuntamentos portugueses, vilas e aldeias de índios cariri, fazendas de gado, grupos de índios nômades não reduzidos, mas contatados, e outros ainda sem comunicação com os colonizadores. Dessa babilônia étnica que colocou lado a lado, em um complexo e tenso campo intersocial, pessoas e instituições com interesses e estilos culturais mais diversos derivam os Tumbalalá e as demais comunidades indígenas do sertão do sub-médio São Francisco.

velho velho velho chico

LUCY IN THE SKY; DIAMONDS DIAMONDS DIAMONDS!

querem TRANSPOR?

TRANSPOSIÇ+ÃO
TRANSPOS
TRANSPOSIÇÃO
TRANS

POSIÇÃO

T R

A N
S P O

S

I

Ç

Ã

O

pode tirar seu burro da chuva

e entre você

ruindow$

A estimativa do número de famílias que hoje compõem o grupo tumbalalá é bastante imprecisa
, haja vista que o processo de auto-identificação está em curso e os critérios de pertença estão sendo internamente formulados. Durante o processo de identificação étnica realizado em 2001 foram confirmadas cerca de 180 famílias, mas, baseado em dados propostos por lideranças, o limite máximo potencial da população tumbalalá chega perto de 400 famílias, só devendo haver maior clareza quanto esse número após o término do processo de regularização fundiária do território.

patopatopato!

olhos
ohos

olhos
aviao
mulheres

“Alô, base, respondam! Toda poesia vive no rádio, na pepita de urânio
qu�ica
RÁDIO
RÁDIO
RÁDIO
RÁDIO
RÁDIO
RÁDIO
RÁDIO
RÁDIO

microfone
chefia
manoel

toré
diminuição de áreas antes freqüentadas e habitadas por animais silvestres de porte maior, como veado e tamanduá, fez da caça uma atividade restrita a animais de pequeno porte que habitam a caatinga ou a vegetação que nasce ao longo do curso intermitente dos riachos. São codorna, preá, cutia, camaleão e, mais raramente, tatu.

novena
9?
ou 90?

evido às várias intervenções ao longo do curso do rio São Francisco que acabaram por diminuir o seu potencial piscoso e navegabilidade, a pesca já não participa significativamente da economia doméstica local, apesar de o rio ainda oferecer uma boa variedade de peixes aproveitados na alimentação, além de ser habitat de jacarés, capivaras e tartarugas pouco consumidos em função da escassez e dificuldade de serem pegos.

mulheres
mulheres
celular na rádio!

etnogênese tumbalalá – assim como dos outros grupos da região do sub-médio São Francisco – é, portanto, um processo descontínuo e de longa duração. Em sua fase contemporânea o principal registro é a criação do terreiro de toré na fazenda São Miguel, propriedade da família Fatum, após a revelação feita a um membro desta família pelo encanto (sobre encanto, ver o item “ritual e cosmologia”) Manoel Ramos sobre a existência da aldeia Tumbalalá e seus limites. Isso na década de 50, quando algumas famílias locais trocavam regularmente experiências rituais e políticas com famílias da ilha da Assunção e de outras localidades, outrora missões indígenas. O ingrediente político que faltava para que os Tumbalalá seguissem o exemplo de seus vizinhos que obtiveram do Governo Federal a tutela, como os Tuxá, Atikum e Truká, veio após o encontro com a ANAI (Associação Nacional de Ação Indigenista) e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) no ano de 1998, configurando-se a seguir o início de um movimento organizado visando o diálogo com a Funai.

mulheres
gooool!
(no final, é tudo futebol)

jesuismodejesuita
FALA!
amem
amem
amem

O sistema ritual dos Tumbalalá está baseado no culto aos encantos e no uso de um tipo de jurema (Pithecolobium diversifolium;

Mimosa/

artemisiana) do qual se faz o “vinho” ingerido durante o toré. Esta planta, um arbusto de porte médio a grande típico do sertão do Nordeste, é central para a religiosidade indígena regional e apresenta algumas variedades que fazem parte do universo religioso de cultos afro-brasileiros, notadamente o catimbó ou candomblé de caboclo.
s encantos, ou encantados – e ainda, mestres ou guias – tumbalalá são entidades sobrenaturais originadas do processo voluntário de “encantamento” de alguns índios ritual ou politicamente importantes, ao deixarem a existência humana, distinguindo-se dos espíritos produzidos pela inexorabilidade da morte. Neste caso eles são seres ontologicamente híbridos que transitam bem entre os homens e o sobrenatural porque não morreram – o que quer dizer que não assumiram completamente uma não-humanidade – e gozam de predicados inacessíveis a um humano.

toré
public


SOU SÓ O EU + A MATÉRIA

MATEMA
SOU SÓ O EU + A MATEMA
null

pesca

liambraLiambra

parentes
parentes
parentes
parentes
riquezas sao diferentes
riquezas sao diferentes

.

Oi pessoas…
quem quiser ver um pouquinho do que rolou em tumbalalá, pode conferir nas
fotos e nos áudios das oficinas.

http://galeria.idbrasil.org.br/tumbalala
http://estudiolivre.org/el-user.php?view_user=avessa
http://www.flickr.com/photos/avesso/

textos e mais info: enciclopedia indigena:

27/5/2007

root@μάθημα:~#./raizes

μάθημα

Square root

 
Roooooooooots
square roots …

00000001010101010101010100100101011001001010100101010101010

eu sou o número
que multiplicado por mim mesmo me compõe
00000001010101010101010100100101011001001010100101010101010
 
enquanto na matriz um novo mapa de primos se elege
       
    .
o vértice   
    .
aqui

        .eu
   
           
       
.você

 
operando

 operando operando
 
operando operando
 operando operando
  operando
 operando
   operando
  
operando
  operando

 

one
 by
one
_________
carry one

for non readers
para não-leitores
μάθημα

10/9/2006

Filed under: HAckeandO CATATAU, entrevistas, tanto faz. — lucida sans @ 4:22 pm

12/4/2006

Entrevistas organismo: Ricardo Ruiz (participação de CHGP, Palm, Mathieu Struck e yellowbot )…

Filed under: HAckeandO CATATAU, entrevistas — glerm @ 11:43 pm

Entrevistas organismo: Munha

Filed under: HAckeandO CATATAU, entrevistas — glerm @ 10:27 am

Conheça o “samba” du mal do Satanique Samba Trio.
Baixe aqui:
Teletransputa
Dança das quiumbas.
Gafieira bad vibe.

(09:33:26) Organismo: se você quiser deixar suas músicas pra todo mundo baixar, e até mexer nelas você pode?
(09:33:39) Organismo: acredita que isso pode ajudar?
(09:36:09) Munha: acredito q poderia, mas sou inseguro demais pra fazer uma coisa dessas. acho q entraria em panico com a possibilidade de alguem fazer algo melhor do q eu fiz e esfregar na minha cara. viveria na iminencia de um piripaque. ajudaria, com certeza, a piorar minha saúde cardíaca.
(09:36:36) Organismo: tu ta vacilando
(09:36:41) Munha: eu tenho problemas com isso. nao gosto q outras pessoas acompanhem o processo criativo, acabo me sentindo ridiculo quando isso acontece.
(09:36:52) Organismo: toca na melhor banda do Brasil e ainda quer ser o beethoven
(09:37:14) Munha: seria como mostrar meu pau na final do big brother brasil…

(09:05:56) Organismo: o Satanique Samba Trio são quantos?
(09:05:57) Munha: hm
(09:06:15) Organismo: he
(09:06:27) Organismo: ou é só 1?
(09:06:34) Organismo: que tu é metido a maestro que eu sei
(09:06:36) Munha: cinco putas: eu, lupa, RC, Ed e hideki
(09:07:00) Organismo: os caras parecem instrumentistas criativos
(09:07:13) Organismo: mas c é muito metido a ditar partitura?
(09:07:24) Munha: eles sao. fazem arranjos. sem esse tipo de liberdade, ia ser dificil manter alguem na banda.
(09:07:53) Organismo: Porque o Satanique tem um lance bem fragmentado, que apesar de às vezes parecer improviso é bem motívico
(09:08:10) Munha: eu até me meto a ditar partitura, mas por uma questao de praticidade. no final das contas, as estruturas e conceitos sao mais elasticos do q parecem.
(09:08:29) Organismo: Ces tão gravando coisa nova?
(09:09:57) Munha: nas apresentaçoes ao vivo, abre-se espaço para improviso sim, pq tboa parte dos instrumentistas ali sao egressos do jazz. pode nao parecer, mas a minha intençao é criar um ambiente agradavel para os integrantes. eu entendo q é dificil tocar numa banda com um lider tirano e, por isso, tenho de salpicar a vida deles com agrados.
(09:10:43) Organismo: Como é que esse lance de improviso? Fala sobre o processo de composição de vocês… Outra coisa… Você considera que a estética de vocês foi algo planejado ou espontâneo? Porque o conceito é muito bem fechado… esse lance de samba erudito brasileiro, com trítonos. jazz avant-garde e música eletrocústica…
(09:10:48) Munha: estamos sempre gravando coisa nova. entreguei um LP chamado ’sangrou’ para a Amplitude semana passada e ja começamos a gravar um outro registro, que deve sair em forma de single, EP, compacto ou alguma merda do genero.
(09:11:39) Organismo: E o Lusbel is Jazz Project? Era um proto Satanique?
(09:13:41) Munha: os improvisos acontecem dentro de estruturas pré-estabelecidas e, neste sentido, posso dizer q é o maximo de liberdade q posso prover. ele começa, o solista faz o q tem de ser feito, alguem dá a deixa de mudança e voltamos todos para a égide da ditadura.
(09:14:42) Organismo: se alguém quiser fazer emocore não pode então
(09:14:44) Organismo: hahahahah
(09:16:18) Munha: o conceito foi detalhadamente calculado, o desenvolvi antes mesmo de iniciar a formaçao. a ideia era trazer oq há de inaceitável na musica mundial e encaixar na MPB. simples assim. gosto de dizer que trata-se da aceitaçao do Mal na musica brasileira.
(09:16:26) Organismo: E porque esse lance de ter selo “independente” distribuindo? Ajuda? Porque ces não botam as músicas de vocês pra download e recombinação duma vez? Ce acredita em “mercado fonográfico”?
(09:16:35) Munha: se alguem quiser fazer emocore, morre antes da segunda progressao.
(09:17:19) Organismo: “musica Brasileira” existe?
(09:17:47) Organismo: Porque me parece que o som de vocês tá num nível que é vanguarda cosmopolita mundial…
(09:18:52) Organismo: Por outro lado pra “Mpb” e mesmo pro mundinho “indie” vocês podem ser considerados “exóticos”
(09:19:40) Munha: o lusbel is a jazz project era o satanique samba trio sob efeito de calmantes. era a mesma coisa que fazemos hoje, de maneira mais inconsciente. bem mais.
(09:22:04) Munha: eu adoraria poder liberar para download na rede. nao sei se a recombinaçao faz muito minha cabeça, mas o download, sim. o problema é q preciso de alguem para bancar minhas gravaçoes, q acontecem quase diariamente. entao, este é o trato: eles bancam e eu finjo q acredito no mercado fonografico.
(09:22:13) Organismo: Mas cara
(09:22:19) Organismo: gravar é rídiculo de fácil
(09:22:36) Organismo: eu vou até aí em Brasília só pra ensinar vocês um dia desses
(09:22:48) Organismo: gravar é só gravar
(09:23:17) Organismo: hahaha “ensinar”
(09:23:17) Munha: existe musica brasileira, no q diz respeito a standards, regras e dogmas. é justamente isso q se torna desrespeitavel no final das contas.
(09:23:55) Organismo: enfim.. complementando: Se vocês gravassem vocês mesmos não teria como sair algo mais espontanêo ainda? Estudio com técnico não tem pressão externa?
(09:25:06) Munha: na verdade, sempre me disseram q o SS3 so seria entendido no exterior e, prefiro nao acreditar nisso. sinceramente. a soluçao q encontrei é continuar tocando por aqui e ver oq acontece antes de tomar medidas drásticas, tipo auto-mutilaçao ou turnezinha na europa.
(09:25:26) Organismo: A relação de vocês com música “brasileira” é então uma questão motívica? Ou você acredita em “brasilidade”?
(09:27:47) Munha: talvez nascesse mais espontaneamente sim, mas os estudios de brasilia têm uma estrutura q nós ainda nao temos: bons microfones, pre-amplificadores, planejamento acustico e etc. na verdade, nossos engenheiros de som favoritos sao quase membros honorários da banda (L).
(09:28:49) Organismo: Mas e o lado da distribuição? O que voce acha de produção colaborativa, conceito de copyleft e essas coisas? Cê é conservador com esses conceitos?
(09:28:57) Munha: é motívica. brasilidade me parece um conceito abstrato demais, nesses dias de perguntas sem respostas.
(09:29:42) Organismo: Ah a “mpb” tem caricaturas grotescas pra esse termo que não são nada abstratas
(09:30:01) Organismo: eu vi o jairzinho elogiando sua banda heheh
(09:32:34) Munha: é impressionante como esses baratos de hippie podem funcionar. pra ser sincero, acho q sempre haverao opçoes para estes procedimentos de distribuiçao. o problema é q a amplitude, por exemplo, nos ampara em campos que me dão preguiça de batalhar: distribuiçao, arrecadaçao, todo o processo de marketing e negociaçao para apresentaçao ao vivo, divulgaçao no além-mar e etc.
(09:33:07) Organismo: ta mas você não respondeu.
(09:33:20) Munha: é, nao respondi. deu pra notar?
(09:33:25) Munha: vou responder.
(09:33:26) Organismo: se você quiser deixar suas músicas pra todo mundo baixar, e até mexer nelas você pode?
(09:33:39) Organismo: acredita que isso pode ajudar?
(09:36:09) Munha: acredito q poderia, mas sou inseguro demais pra fazer uma coisa dessas. acho q entraria em panico com a possibilidade de alguem fazer algo melhor do q eu fiz e esfregar na minha cara. viveria na iminencia de um piripaque. ajudaria, com certeza, a piorar minha saúde cardíaca.
(09:36:36) Organismo: tu ta vacilando
(09:36:41) Munha: eu tenho problemas com isso. nao gosto q outras pessoas acompanhem o processo criativo, acabo me sentindo ridiculo quando isso acontece.
(09:36:52) Organismo: toca na melhor banda do Brasil e ainda quer ser o beethoven
(09:37:14) Munha: seria como mostrar meu pau na final do big brother brasil…
(09:37:20) Munha: bondade sua (K)
(09:37:27) Organismo: desse jeito vai acabar fazendo parceria com o jarzinho
(09:37:29) Organismo: hjahahahaahaha
(09:38:11) Munha: acho mais provavel fazer parceria com vc do q com o jairzinho. vc fica aí sacaneando, mas a zelia duncan andou falando bem do matema. mostrei o disco pra ela outro dia desses.
(09:38:30) Organismo: hahahahahhahhahaha
(09:38:36) Organismo: ta vendo
(09:38:41) Organismo: tu é MPB
(09:38:51) Organismo: hahahahahahahhahahah
(09:39:19) Munha: po, era mentira, né?
(09:39:37) Organismo: cara eu não vou ficar te conversando a botar tuas músicas sobre copyleft, mas se você deixar eu mesmo faço
(09:39:41) Munha: e eu la vou conhecer porra de zelia duncan?
(09:39:47) Organismo: sei lá
(09:39:50) Organismo: hahahahahaha
(09:40:25) Organismo: e o teu trampo com artes, música… que você tem feito além do SS3
(09:42:32) Munha: essa galera da MPB me trata como mendigo: nao olham na minha cara, ficam incomodados quando chego perto e se forem forçados, dizem oq têm pra dizer o mais rapido possivel, soltam um ‘foi mal, tou com pressa’ e tentam se esquecer o mais rapido possivel.
(09:43:35) Organismo: mas cara o Satanique devia estar na Tzadik…
(09:44:18) Organismo: éssa galera é muito burra, só vive de reverências
(09:44:23) Munha: andei produzindo umas bandas daqui de brasilia, e me arriscado em trilhas sonoras por aí. na verdade, o satanique samba trio arranca quase toda a minha disposiçao, tempo e amor à vida. o ’sangrou’ amputou-me permanentemente uns 10% da alma.
(09:45:09) Munha: tzadik? diz isso pro john zorn! mandei meus ultimos lançamentos 4638783 vezes e tudo q recebi de resposta foi o sinal de telefone ocupado.
(09:45:17) Organismo: hahahahhahahaha
(09:45:19) Organismo: ta vendo
(09:45:25) Organismo: o lance é copyleft
(09:45:47) Organismo: vou aí pra brasília assim quie descolar um laptop só pra gravar um disco copyleft de vocês
(09:46:31) Munha: tou contigo. chega mais.
(09:48:17) Organismo: cara… e o seu alnce supersensitivo, aquele seu papo sobre alucinações…
(09:48:22) Organismo: pode falar sobre isso?
(09:48:33) Organismo: alnce=lance
(09:51:35) Munha: isso nunca me ajudou muito. na verdade, em epocas de crise psicotica, depressao, insonia ou TOC, eu ficava praticamente improdutivo. nao conseguia sair da cama, vivia encolhido na soleira da porta. sei q isso nao soa muito correto, mas se devo minha arte a algo, é à industria farmacêutica. diante de um surto psicotico eu nao conseguia sequer me levantar do chao, muito menos escrever uma musica.
(09:52:24) Organismo: ja pensou em estudar um pouco de psicanálise?
(09:52:48) Munha: ja li alguma coisa a respeito.
(09:53:40) Organismo: Porque eu acredito que isso tenha haver com supersensibidade, e a capacidade de abstração da linguagem e como controlar de certa forma esse dom.
(09:54:28) Munha: bem, se for isso, eu estou bem longe de controla-lo. ia precisar de uma ajudinha basica do professor xavier.
(09:54:45) Organismo: hehe
(09:55:19) Organismo: acredito que o Satanique reflita um pouco disso sim, seja uma válvula.
(09:55:31) Munha: e o certo é ‘a ver’, e nao ‘haver’, ô matematico
(09:55:50) Organismo: por isso que é legal entrevista por messenger
(09:55:55) Organismo: fim das regras
(09:57:12) Munha: é uma valvula das sequelas psicologicas q os males patologicos me timbraram. insegurança, baixa-auto estima, inveja, mal estar, depressao e etc.
(09:57:40) Munha: nunca tinha cedido entrevista por messenger. tou achando fera, véi.
(09:57:53) Munha: fim das regras. rasga a constituição aí.
(09:58:13) Organismo: Mas voltando ao tema trabalho colaborativo… Como você abriria seu trabalho para mais colaborações? Estranha essa sua preocupação sobre alguém fazer “melhor”… Pra quem faz coisas tão interessantes, é uma preocupação meio “autoral” demais… Você acredita em “gênio”?
(09:58:42) Organismo: Deixa eu só dar uma complementada
(09:58:51) Organismo: ou vai falando…
(10:01:54) Munha: eu nao teria problemas em colaboraçoes diretas e imediatas, como escrever peças com outros musicos. isso ja fiz bastante, até. o q me deixaria de calças arriadas seria justamente entregar algo q ja considero finalizado para outra pessoa manipular. e o meu medo de constatar q andaram entendendo minhas intençoes melhor q eu? q expuseram minhas chagas de maneira mais criativa?
(10:02:19) Organismo: Porque eu vejo por exemplo que mais do que essa preocupação com “marketing” que você citou como a necessidade de “gravadora” o que potencializaria o seu trabalho e a gente conseguir juntar uma rede de supersensitivos ( agora embalei no termo) colaborando… Por exemplo você fazendo algo com o Marcelo Birck ou Diego Medina… Tenho impressão que o que falta pra essas redes colaborativas terem conteúdo muitos desses “gênios” (ou psicóticos com TOC - consulte seu psiquiatra) abrirem seu trabalho para colaboração… interagirem…
(10:02:25) Organismo: acho que to insistindo nisso
(10:02:35) Organismo: to brincando de Munha maestro
(10:02:36) Organismo: heheheh
(10:02:38) Organismo: mas enfim
(10:02:45) Organismo: fala um pouco disso depois é recreio
(10:04:26) Organismo: caralho essa sua preocupação é ignóbil. você JA É SUPER CRIATIVO. Por que alguém seria MAIS … existe essas matizes de criatividade? Pra mim isso é binário! Algo pode ser bom e outro também!
(10:04:27) Munha: eu adoraria fazer algo com o marcelo birck, mas ele teria de estar na minha frente, caso eu quisesse socar-lhe a cara. senti q o comentario sobre o professor x faz mais sentido agora, vc está querendo montar o x-men. acho super valido.
(10:05:37) Organismo: Sim pateta, esse negócio de entrevista é desculpa - eu to só montando o album de figurinhas da orquestra organismo hahahahahahahah
(10:07:08) Munha: mas vc nao acha q existem niveis qualitativos? me parece q isso é um defeito meu: nesse sentido, enxergo tudo muito preto-e-branco. olho para este ou aquele sujeito e o vejo em um ‘patamar de qualidade’. confesso que ou ignobil.
(10:07:40) Munha: pois é, acho esse lance de orquestra organismo algo muito divertido. concretiza logo essa porra.
(10:07:48) Organismo: ja começou!
(10:08:03) Organismo: você tá nela nesse instante
(10:08:07) Organismo: falando nisso
(10:08:16) Organismo: isso me vem outra pergunta
(10:08:46) Munha: hm
(10:09:06) Munha: pois nao.
(10:09:19) Organismo: Consegue ( ou gosta) de enxergar essa rede colborativa que você interage como algo se desenhando? Ou a ansiedade faz com que você ache que seu trabalho só acontece quando aprece uma “capinha de CD”?
(10:09:42) Organismo: percebe que a orquestra organismo esta compondo neste momento?
(10:09:55) Organismo: Sugira um movimento pra partitura..
(10:10:03) Organismo: kkkkkkk (risada de Munha)
(10:11:12) Munha: a ansiedade faz com que eu ache q o trabalho so acontece quando aparece uma capinha de cd, mas até isso se dar, eu fico chafurdando em constante processo criativo, obsessao e incertezas. seria bem divertido, se nao incomodasse tanto.
(10:12:27) Organismo: quanto a níveis qualitativos - existem dias em níveis qualitavos também… então é que é bom hoje amanhã pode ser preguiça… só insisto nofato que o trampo d Stanique é muito importante pra ficar fechado no simulacro de “gravadoras” e “cena musical”… mas fale qualquer coisa… aproveite pra dar alguma idéia ou se quiser faça uma pergunta…
(10:12:54) Organismo: bateu o sinal
(10:12:59) Organismo: fale mal da professora
(10:13:20) Organismo: da professora de jornalismo hahahah
(10:13:24) Munha: f4f4f4f4
(10:13:25) Organismo: fadam-se as entrevistas
(10:13:25) Munha: boa
(10:13:27) Organismo: hahahaha
(10:13:35) Organismo: falae
(10:13:40) Munha: escuta, como vai ser esse esquema de orquestra organismo?
(10:13:42) Organismo: pra que essa “entrevista”?
(10:13:53) Munha: nao sei, isso é contigo
(10:13:58) Organismo: ja ta sendo bobão não ta vendo?
(10:14:09) Organismo: não da pra impor ritmo nas pessoas
(10:14:22) Organismo: john cage nem morreu ainda
(10:14:46) Munha: ta bom :’(
(10:14:55) Organismo: mas o serialismo boolezano pode estar em boole
(10:15:12) Organismo: qto a isso só digo o seguinte
(10:15:22) Organismo: músicas do satanique abertas pra colaboração!
(10:15:46) Organismo: essa é a exigência do pavilhão, senão nóis corta a garganta do carcerero
(10:16:34) Munha: posso ate jogar musicas na rede para colaboraçao, mas nao sei se seriam do SS3…
(10:16:36) Munha: alias,
(10:16:46) Munha: vou pensar melhor no assunto.
(10:16:53) Organismo: issae
(10:16:56) Organismo: entaõ
(10:16:57) Munha: boicho, tenho de saier
(10:17:04) Organismo: fala mais alguma coisa ae pra fechar o ciclo
(10:17:08) Munha: tou atrasado pro treino de muay-thai
(10:17:11) Organismo: hahahahaha
(10:17:23) Munha: ja tou 15 minutos atrasado e a culpa é sua
(10:17:31) Munha: (K)
(10:17:35) Organismo: blza
(10:17:38) Organismo: mete a porrada
(10:17:41) Organismo: hahahahahahahahah
(10:17:43) Munha: valeu brasil

11/4/2006

Entrevistas organismo: Felipe Luiz Cordeiro

Filed under: HAckeandO CATATAU, entrevistas — glerm @ 8:33 pm


AQUI: músicas podem ser baixadas da excelente banda Ruído /mm. (logo mais ponho umas músicas num link neste servidor)

Os textos do Felipe podem ser conferidos em seu blog.

(19:20:04)Felipe:então, existem milhares de bexigas, daquelas compridas de palhaço! Elas são injetadas em torneiras que despejam líquidos densos dentro delas, estas bexigas não estouram com facilidade viram grandes cobras de plástico. São muitas bexigas, chega um momento que elas sufocam o ambiente em que estou, são muitas. Quando estou completamente sufocado pego as agulhas, aí é que entra arte na minha vida. A a
(19:20:32)Felipe:arte são as agulha que possiblitam estourar estas bexigas.
(19:21:35)Felipe:As pessoas que em minha volta tiverem a produzir arte possiblitaram também que eu arranje agulhas; no caso de uma manifestação que me chame muita atenção pode até surgir uma daquelas agulhas de tricô, bem grandonas

(18:51:49)Organismo:então
(18:51:52)Organismo:rola te entrevistar?
(18:51:53)Felipe:manda
(18:51:56)Felipe:manda
(18:52:13)Felipe:pera, vou escolher um som então!
(18:52:18)Organismo:heh
(18:53:18)Felipe fechou a janela de conversa.
(18:53:27)Organismo:então
(18:53:33)Felipe:um pouco
(18:54:33)Felipe fechou a janela de conversa.
(18:54:59)Felipe:ok, vou de thelonius e coltrane
(18:57:41)Organismo:Bom, antes de tudo queria te dizer que a pira na verdade é a conversa mesmo, você é um figurinha legal pra apresentar pra galera que freqüenta o organismo, tenho conversado contigo e vejo que a tua relaçao com a produção parece ser bem visceral, c é um cara que fala com paixão das coisas que você tem observado… Conte um pouco do ruído/mm e o que você tem buscado. Pode fazer perguntas também… :)
(18:57:47)Organismo:dizae
(19:02:32)Felipe:ok, seguinte o ruído/mm é uma família que tive a sorte de conhecer. Tenho 21 anos e ali tive a oportunidade conhecer cabeças que desvirtuaram a presença cliche de um ser humano numa sociedade suprimida pela monotomia. O ruído me proporcionou a possibilidade de percorrer as garagens e os terraços de prédios altos de razões que manifestaram a abertura de meus sentimentos
(19:02:37)Organismo:heheh pausa dramática hein
(19:02:40)Organismo:opa
(19:02:46)Organismo:sincronia
(19:05:12)Felipe:busco a fuga pacífica, procuro ejacular meus medos em forma de melodias e conceitos. Através da música e da aproximação desta família aprendo a me comunicar com as pessoas, abdico muitas vezes de conversas com o mundo para focalizar as divagações e senso através do ruído. Ali sinto-me em ca sa, e não é aquela imagem de uma casa com familiares felizes, passando margarina no pão, brigando pelo controle
(19:07:44)Felipe:remoto e conversando com os parentes em épocas festivas. É uma ca sa escura, que se esclarece quando entramos em consenso num arranjo ou tema. É uma moradia que hospede estudo e paciência. Posso dizer que sou o mais ansioso nesta família, quero que as coisas funcionem rapidamente, mas eles, meus colegas e irmãos da banda me ensinaram que é necessário deixar os arranjos envelhecerem pra ficarem bon
(19:07:44)Felipe:s
(19:08:08)Felipe:é necessário aguardar o momento certo, o tempo psicológico exato para a transcendência!
(19:08:12)Felipe:Vish, hehe!
(19:09:22)Felipe:Possi dizer que busco o amadurecimento.
(19:09:30)Organismo:Será que tem um "momento certo"? Quem você acha que decide o "momento"?
(19:10:44)Felipe:O momento certo é quando ninguém pensa e apenas executa. Ação e reação! Quando abro os olhos e vejo que todos estão com os olhos fechados.
(19:14:46)Organismo:Você falou nesse lance de um trampo coletivo como metáfora de uma família ideal… e também sobre amadurecimento… Um dos motivos de eu estar fazendo estas entrevistas com as "pessoas" é justamente trazer a tona esta percepção de quem somos "NÒS"… que estamos interagindo… como você vê essa relação fora deste grupo que você ja tem uma relação onde visualiza a "maturidade" e uma coletividade nessa busca por catarse? E por outro lado qual "ação" que você tem buscado como indíviduo? Você acha que o trampo do ruido ou do Felipe vão além da música?
(19:15:27)Organismo:Como ligar essas redes?
(19:15:43)Organismo:Trazer essa intimidade catártica de que voice fala
(19:16:01)Organismo:para outros grupos que você está interagindo
(19:16:15)Organismo:como esta que está lenso a nossa conversa nesse momento
(19:16:27)Organismo :( ou resta pessoa que está lendo).
(19:16:40)Organismo:por que a intenção dessa conversa
(19:16:58)Organismo:não é ser uma simulaão de " entrevista" como as dos jornais
(19:17:13)Felipe:O Felipe é uma pessoa que funciona muito bem no estímulo; perco horas a buscar uma medida ezata que satisfaça os meus medos a ponto de eles explodirem como um agulha estoura uma bexiga cheia de água!
(19:17:14)Organismo:e sim uma conversa com interculocutores reais, que você vai encontrar por aí…
(19:17:34)Felipe:vou tentar juntar tudo, vamos ler..
(19:20:04)Felipe:então, existem milhares de bexigas, daquelas compridas de palhaço! Elas são injetadas em torneiras que despejam líquidos densos dentro delas, estas bexigas não estouram com facilidade viram grandes cobras de plástico. São muitas bexigas, chega um momento que elas sufocam o ambiente em que estou, são muitas. Quando estou completamente sufocado pego as agulhas, aí é que entra arte na minha vida. A a
(19:20:32)Felipe:arte são as agulha que possiblitam estourar estas bexigas.
(19:21:35)Felipe:As pessoas que em minha volta tiverem a produzir arte possiblitaram também que eu arranje agulhas; no caso de uma manifestação que me chame muita atenção pode até surgir uma daquelas agulhas de tricô, bem grandonas
(19:21:42)Felipe:possibilitarão
(19:22:32)Felipe:A arte vai me aliviando, vou me identificando - e pessoas são estímulos, são vida - qualquer manifestação de arte é um estímulo.
(19:22:47)Organismo:Qualquer?
(19:22:50)Felipe:um alfineta para estourar as bexigas que me sufocam.
(19:22:55)Felipe:Qualquer que eu me identifique!
(19:23:45)Felipe:neste episódio existe algo legal que recordei,: há 1 semana atrás o Pill, que toca comigo no ruído, estava falando sobre os pixadores.
(19:25:15)Felipe:Falando que a sociedade abomina a pixação, por estar ferindo a imagem numa cidade. Fez-me pensar o quão genuína são estas pixações, sejam elas de palavras, signos de gangues…; são nada mais do que um desconforto de pessoas marginalizadas que vêem
(19:25:29)Felipe:nas pixações uma possibilidade de estourar as bexigas que as sufocam.
(19:25:42)Felipe:É uma arte genuína de uma sociedade contemporânea.
(19:27:11)Felipe:E é isto, uma frase num muro que eu focalize e me identifique pode me auxiliar a estourar as bexigas.
(19:27:47)Organismo:falando em contemporanêa, o que você tem visto na cidade que te interessa? Dos estouradores de bexigas? heheheh
(19:29:36)Felipe:hehe, em frente ao meu prédio existe duas flechas na calçada e uma bola no meio delas. Pixadas, em verde! Isto foi algo que me chamou muito atenção hoje.
(19:29:51)Felipe:Fiquei a pensar qual o motivo de tal manifestação.
(19:31:47)Felipe:Seu trabalho, é um dos que sempre me auxiliam a estourar as bexigas. O dissolve et Coagula é algo que inuncou meu quarto, pois todas as bexigas estouraram - mas claro, em alguns dias iniciaram o enchimento. Estas produções, e improvisações do organismo…
(19:32:21)Felipe:a literatura tem me auxiliado muito também neste processo de viver, seria muito difícil viver sem ela, assim como a música.
(19:32:45)Organismo:Porque?
(19:33:17)Felipe:Porque ela me mostra que não sou o único a sentir medo numa sociedade que se alimenta de dramas fáceis pela televisão.
(19:33:49)Organismo:E falando em entrevista c estudou jornalismo, né? O que você acha de " entrevistas"? Servem pra alguma coisa? Ce andou falando de querer estudar música.. Ce bota fé que o ensino consegue dar condições das pessoas suprimirem essa repressão a qual você se refere?
(19:33:51)Felipe:Não sou o único a me revoltar, e a se identificar com tantas coisas que não me trazem e provavelmente nunca me trarão dinheiro.
(19:35:07)Organismo:POizé tanta gente que sabe fazer coisas legais e acaba tendo que ter um tipo de "vida dupla", fazendo algumas coisas que não acredita em algum período do dia…
(19:35:21)Organismo:É desse tipo de repressão que você tem falado?
(19:36:04)Felipe:Estudo numa faculdade particular de jornalismo, dela posso falar. Digo que a minha faculdade é uma faculdade que se preocupa com o seu nome, logo investe milhões em laboratórios de televisão e rádio. Afinal se tiver um repórter que trabalha no jornal da globo, mesmo que paranaense, todos saberão que ele estudou na unicenp e assim o nome da faculdade ficará grande. Preocupam-se pouquíssimo com os p
(19:36:38)Felipe:professores e também posso dizer que não existe movimento estudantil na minha faculdade.
(19:36:53)Felipe:Ela serviu para que eu entedesse o nojo que são os veículos de comunicação
(19:37:59)Felipe:que detém um embasamento muito vasto sobre a comunicação e a alienação, possibilitando a venda de produtos em larga escala. A televisão é a vitrina em ca sa, e nada mais.
(19:38:32)Felipe:Entrevistas são interessantes sim, servem para motrar um ponto de vista. Mas nada além disto também.
(19:38:52)Organismo:Mas e os cadernos B de jornal?
(19:38:56)Organismo:Você lê?
(19:39:08)Organismo:Foi por isso que resolveu estudar jornalismo?
(19:39:30)Felipe:È complicado ler jornais na sociedade contemporânea, depois que se experimenta a facilidade da televisão ninguém lê jornal!
(19:39:58)Felipe:E jornal é um amontuado de informações, é uma loucura - lê-se jornal pra que?
(19:40:05)Organismo:Jornal é menos pior que tv ?
(19:40:29)Organismo:e Internet? A maioria das pessoas não acaba usando só orkut e msn?
(19:40:48)Organismo:Acho que a gente ta começando a enxer bexigas de novo… hahahaha
(19:41:01)Felipe:hehe, ótimo. é isto mesmo!
(19:41:20)Felipe:Então, jornal é menos pior por que ninguém fica 5 horas lendo-o diariamente
(19:41:42)Organismo:Bom podemos voltar a pensar nas soluções catárticas então
(19:41:42)Felipe:a televisão sim, não tenho um dado concreto mas especulo por lembranças que a média do brasileiro em frente a tv é de 5 horas diárias!
(19:42:06)Organismo:Se pararmos pra pensar, somos muitos
(19:42:14)Organismo:acho que só precisamos nos conhecer
(19:42:46)Organismo:Como o ruido estaria aberto para colaborações?
(19:42:54)Organismo:e Interações?
(19:42:55)Felipe:E a questão dos 7 minutos de programação mais 3 de intervalo (não é bem isto), e esta constância faz com que o maníaco pelo veículo perca a concentração após estes 7 minutos.
(19:42:59)Felipe:hehe, espere.

(19:43:06)Organismo:Você acredita em palco, cd essas coisas?
(19:43:16)Felipe:Desculpa, tenho raiva de televisão. continuemos
(19:43:20)Organismo:opa
(19:43:27)Felipe:hehhe
(19:43:29)Felipe :o ruído
(19:43:30)Organismo:se quiser meter o pau em tv
(19:43:32)Organismo:vamo nessa
(19:43:35)Organismo:hahahah
(19:43:55)Felipe:não continuemos, com algo menos chato.
(19:44:57)Felipe:então o ruído está aberto sim, não sei como pode receber ou doar - mas sei que esta muito aberto
(19:45:16)Felipe:em palco, acredito
(19:45:45)Organismo:mas e a distância que o palco impõe? Como você vê isso?
(19:45:49)Felipe:é ali em que se vê nos rostos das pessoas do que a sua música é capaz defazer, é ali que se pode levar tomates ou ser ovacionado!
(19:46:09)Organismo:Mas você falou em catarse
(19:46:23)Felipe:Esta certo, estou me contradizendo!hehe
(19:46:35)Felipe:Vejo o palco como uma crítica
(19:46:48)Organismo:esta catarse coletiva é possivel com a distância do "palco" coloca?
(19:46:55)Felipe:é ali que as pessoas vão ver, vão comentar
(19:47:03)Organismo:Eu acredito bastante na situação ritual
(19:47:08)Felipe:continue
(19:47:10)Organismo:parece que vocês tem muito disso
(19:47:31)Felipe :o ideal seria que antecedendo um show todos recebessem uma venda
(19:47:34)Organismo:e você confirmou isso com as imagens que ilustrou sobre como vê a banda
(19:48:53)Felipe:E todos entrassem junto naquele ritual, ao menos quem estivesse disposto a por a venda. Mas seria também um abuso, ninguém é origado a ouvir 1 hora de show - mas assistir 5 horas de televisão todos podem e ninguém critica.
(19:49:23)Organismo:vish esse papo de simulacros dá pano pra manga
(19:49:29)Felipe:hehe
(19:49:33)Organismo:então deixa eu direcionar um pouco
(19:49:37)Felipe:ok
(19:49:50)Felipe:mas direcione com algumas informações se nao me perco, hehe
(19:51:00)Felipe:Uma coisa o ruído esta aberto a qualquer tipo de arte gráfica, experimental, imagens, textos, ….música, poesias em shows…! Só pra não deixar passar.
(19:51:08)Felipe:continue
(19:52:38)Organismo:voltando pra convergência entre tua busca no jornalismo e sua busca no cenário músical urbano… você acredita que hoje o "jornalista musical" constrói cenas? Pela sua idade você ja pegou a coisa toda com a Internet dando gás… entaõ deixa eu formular uma idéia: Você pensa em contribuir com esse seu lado " jornalista" pra construção destas "cenas"? E qual o perigo dessas "cenas" tornarem-se "modas" ? Como podemos lidar com isso… E fechando essa reflexão, cite algumas coisas da sua "geração" que você curte ( pode ser de qqer lugar do planeta, mas cite algumas póximas…)
(19:55:05)Felipe:Estou até com um projeto de observar o cenário e criticar, fazer o papel de um crítico musical. Por que vejo a falta disto aqui em Curitiba, quero estimular outros a fazerem o mesmo. Mas ainda não sei como!
(19:55:13)Organismo:massa
(19:55:15)Felipe:Cacetada, cena virar moda. Legal, deixa pensar um pouco
(19:55:20)Organismo:pode e deve usar o organismo pra isso
(19:55:29)Organismo:você sabe que o login no organismo é aberto né?
(19:55:42)Felipe:calma Organismo, hehe
(19:55:44)Organismo:mesmo que publicar em outro lugar fique a vontade pra publicar aqui…
(19:55:54)Felipe:deixo afunilar, to tentando afunilar a linah de raciocíneo! hehe
(19:56:02)Felipe:ok
(19:56:03)Felipe::)
(19:56:37)Organismo:sim esse lance "cena" virar "moda" tem muito haver com consumismo em volta… mas comente um pouco… depois eu pontuo…
(19:56:37)Felipe:E por que não virar moda? Desde que não seja vulgar, quando passa a se preocupar com o glamour do que com a obra em si. Não há problema
(19:59:18)Felipe:é complicado, eu gostaria de viver apenas fazendo música, dedicar-me exclusivamente. Mas meu pai agora pouco me lembrou sobre a reunião que eu e ele teríamos para ver o meu futuro profissional, sabe esta coisa de ganhar dinheiro! É complicado, preciso sobreviver - e se a cena virasse moda quem sabe eu poderia viver de música sem ter que ocupar meu espírito com o mundo empresarial
(19:59:58)Organismo:é complicado
(20:00:05)Organismo:mas isso me dá uma idéia
(20:00:35)Organismo:você podia fazer um entrevista no organismo com alguem de uma geração mais velha, mais ou menos da idade do seu pai
(20:00:53)Organismo:alguem que na idade dele ainda faz poesia
(20:01:06)Organismo:música
(20:01:07)Organismo:etc
(20:01:11)Felipe:ótimo, alguma idéia de entrevistado?
(20:01:14)Organismo:sim
(20:01:20)Organismo:ja tenho na ponta da língua
(20:01:32)Felipe:fechado
(20:01:57)Felipe:E você Organismo, desacreditou do disco impresso?
(20:03:12)Organismo:podia ser o Thadeu Wojciechowski. O thadeu ta na area a mais de 50 anos, fez parcerias com beijo a foorça, leminski, marcos prado toda geração 70 e 80 de Curitiba. Dae Thadeu, ce tiver lendo, játa intimado.
(20:03:27)Felipe:ok, fechado!!!
(20:03:38)Organismo:como é a pergunta do sisco impresso?
(20:03:42)Organismo:como assim?
(20:04:34)Felipe:O disco do Matema foi virtual; vê a necessida de tranformá-lo em um produto?
(20:05:03)Organismo:Cara alguém ouve cd?
(20:05:06)Organismo:ta
(20:05:09)Organismo:claro que ouve
(20:05:19)Organismo:tecnocrata essa minha afirmação
(20:05:26)Organismo:mas o lance é o seguinte
(20:05:40)Organismo:a gente até prensou umas 200 cópias uma vez
(20:05:43)Felipe:iuhuu, sempre quis perguntar isto pra vc!
(20:06:07)Organismo:pra vender em show, dar pra amigos etc
(20:06:23)Organismo:Na verdade se houver demanda
(20:06:30)Organismo:a gente tiver fazendo show
(20:06:34)Organismo:até faz sentido
(20:06:38)Organismo:como suporte
(20:06:52)Organismo:inclusive pra atingir pessoas que não usam muito o computador
(20:06:59)Organismo:mas um problema grave seria
(20:07:25)Organismo:ter que ficar me envolvendo com "distribuidoras independentes"
(20:07:31)Organismo:"resenhas em jornal"
(20:08:05)Organismo:todo esse meio viciado em comparações e paramêtros que eu que eu dispenso
(20:08:11)Felipe:entendo!
(20:08:20)Organismo:a maior roubado do mundo é esse lance de gravadora
(20:08:38)Organismo:é bem complicado
(20:08:56)Organismo:sem querer ser tecnocrata mas eu só vejo esperança na internet
(20:09:31)Organismo:a não ser que a gente conseguisse mudar essa merdas de lei pra permitir transmissão de rádio e tv
(20:09:38)Organismo:que são um absurdo oligárquico
(20:09:44)Felipe:ô, e como!
(20:10:40)Felipe:mas creio que as coisas vão acontecendo, lentamente mas vão; é só a gente não parar de produzir - sendo oque for, mas tendo bom senso!
(20:11:13)Organismo:falando em produção então
(20:11:33)Organismo:que musicas do ruído ce vai liberar pra gente deixar no site aqui o link pra baixar?
(20:11:52)Felipe:todas
(20:11:53)Felipe :?
(20:11:56)Organismo:heh
(20:12:08)Organismo:certeza passa links
(20:12:17)Organismo:mas eu queria deixar aqui no site umas duas
(20:12:19)Organismo:bem a vista
(20:12:22)Organismo:escolhe
(20:12:26)Felipe:www.tramavirtual.com.br/ruido_mm
(20:12:42)Felipe:baixo e guitarra e pop!
(20:12:49)Organismo:blza!
(20:12:50)Organismo:massa
(20:13:09)Organismo:mais algum último recado pra gente fechar o boteco por hoje?
(20:13:24)Organismo:se quiser flar mais 3 páginas a gente começa de novo!
(20:13:51)Felipe:digo que tenho ensaio daqui a pouco, necessito explodri algumas bexeigas! heheh
(20:14:02)Organismo:Como a galera que ta lendo pode interagir e colaborar com seu trampo, tanto no jornalismo e literatura como no ruido /mm ?
(20:15:07)Felipe:conversando comigo, :): felipeluizcordeiro@hotmail.com . estou aberto a estímulos culturais, o que precisar em áreas que entenda um pouco estou aí!
(20:15:39)Organismo:Masssssssa
(20:15:50)Organismo:Então… Na próxima você entrevista hein!
(20:15:55)Organismo:ja ta intimado!
(20:16:02)Felipe:perfeito, :)!
(20:16:05)Organismo:E coloque suas coisas no organismo…
(20:16:41)Felipe:pode deixar, e vou precisar do teu auxílio pro projeto que to produzindo
(20:17:05)Organismo:Opa não sou só eu não… não esqueça que tem uma galera lendo!
(20:17:06)Organismo::)
(20:17:25)Organismo:heheheh

10/4/2006

Entrevistas organismo: Eduardo Verderame

Filed under: HAckeandO CATATAU, entrevistas — glerm @ 10:34 pm

Esta é primeira de uma série de Entrevistas exclusivas que serão feitas aqui no Hackeando Catatau.
Esta primeira é com Eduardo Verderame.

(21:34:06)Organismo:você é um Social Designer?
(21:34:08)Organismo:hahahahaha
(21:34:11)Eduardo Verderame:nao
(21:34:13)Eduardo Verderame:hahahahahaha
(21:34:57)Eduardo Verderame:tem uma gente em sp que tenta de qualquer forma pensar essas manifestacoes, tentar junta-las numa perspectiva meio..
(21:35:02)Eduardo Verderame:neo marxista
(21:35:10)Eduardo Verderame:de escultura social,
(21:35:19)Eduardo Verderame:é um termo parecido…
(21:35:44)Eduardo Verderame:nao sei…

(20:30:41)Organismo:Que que você ta fazendo em vienna?
(20:31:46)Eduardo Verderame:bom, eu conheci uma menina que trabalha aqui com um projeto de net art, e ela me convidou (a mim e a mais tres amigos) para uma bolsa. ela poderia sugerir nomes e nos indicou
(20:31:56)Eduardo Verderame:a ideia é fazermos uma mostra de brasileiros aqui
(20:32:19)Organismo:como ta esta organização?
(20:33:28)Eduardo Verderame:temos o lugar, temos um patrocinio quase rolando, estamos escrevendo textos, temos os nomes da spessoas que queremos, alguns dos trabalhos (de fotos e impressos) aqui conosco.
(20:33:43)Eduardo Verderame:é um trabalho de equipe, mas ainda falta um bocado
(20:35:20)Organismo :o trabalho ta em processo ou ja decidiram alguma coisa?
(20:38:13)Eduardo Verderame:tá bem em processo. tem trabalhos que se resolvem mais fácil, como videos e dvds,fotos, isso é só questnao de montagem. tem alguns que ainda precisamos chegar a algumas soluções juntos, de como vai acontecer, por exemplo o da cozinha (hhehehe), tem coisas que ainda nao vimos prontas, tem um que uma menoina está trazendo do Brasil…
(20:38:37)Eduardo Verderame:uma menina está trazendo
(20:39:03)Eduardo Verderame:tem coisas do grupo PORO que ainda nem vimos
(20:41:12)Organismo:como que você foi parar aí
(20:41:13)Organismo:ta
(20:41:21)Organismo:mais específica a pergunta
(20:41:24)Organismo:vou reformular
(20:42:33)Organismo:fale um pouco do caminho que te levou até aí e um pouco do trabalho que você vem fazendo… como você pode dividir os trabalhos coletivos que você tem se envolvido de um trabalho autoral do eduardo
(20:42:41)Organismo:e o principal
(20:43:03)Organismo:como você pode falar do seu trabalho… além do campo da " arte"
(20:43:11)Organismo:fale um pouco do esqueleto coletivo
(20:43:32)Organismo:do trabalho no edificio prestes maia
(20:43:42)Organismo:coisas que a gente tem acompanhado do seu trabalho
(20:43:44)Organismo:enfim
(20:43:48)Organismo:faça uma regressão
(20:43:50)Organismo:hahahahah
(20:43:53)Eduardo Verderame:hahahahaa
(20:46:49)Eduardo Verderame:eu tenho minha formaçnao em arte mesmo, mas sempre porque acreditei que na arte existia algo que poderia ser transmitido, e que era transformador mesmo. isso que me movia. apesar de tudo sempre tentei ter uma distancia da politica, só que sempre acabava de alguma forma envolvido.
(20:48:39)Eduardo Verderame:quer dizer, de juntar pessoas e fazer coisas juntos, tentar unir pessoas. porque sozinho a coisa não anda mesmo…e eu nunca gostei da postura de achar que tudo está perdido, sabe? quer dizer, se está perdido e ninguém faz nada, porque não tem sentido, aí que nada muda mesmo
(20:49:57)Eduardo Verderame:eu tive um amigo que se suicidou, pra ele as coisas deixaram de fazer sentido. isso em mim tocou nesse lado. ninguém sabe direito prá onde vamos, as coisas mudam, então é bom estar atento.
(20:51:46)Eduardo Verderame:mas foi na universidade, eu fazia projetos de arte publica e ninguem dava nada por aquilo. nao era a época.. então eu virei uma espécie de cara renegado, e ia criando minhas estratégias. isso veio a florescer muitos anos depois, tipo há pouco tempo, e com pessoas muito mais jovens que eu, o que foi mais legal ainda
(20:52:49)Eduardo Verderame :o esqueleto surgiu de um grupo de amigos que trabalhavamos juntos, em eventos de arte, coisaas pros SESCs da vida, propunhamos projetos e elesaceitavam, entao a gente se virava e fazia
(20:54:23)Eduardo Verderame:juntar varios artistas, fazer mostra de outdoor em muros, lambes lambe, trazer a turma que faz performance… o esqueleto juntou muita gente, só que não foi apenas o esqueleto, acho que era uma galera que já estava de alguma forma se juntando e trabalhando junto.
(20:56:08)Eduardo Verderame:e cada vez mais pensando na rua como o espaço, para nao depender de instituições, pra ter liberdade. a partir de 2003, teve essa aprximaçao com o pessoal dos sem-teto. a principio com os moradores do prestes maia, com o movimento sempre era mais dificil, pela questao politica mesmo.
(20:57:52)Eduardo Verderame:e foi tomando corpo esse tipo de aglomeração, por um lado, vários coletivos, e agora junta o CMI, junta radio livre, está um monte de gente se juntando e articulando. as ações tem de ser mais planejadas, etc. a gente já sabe que tem polícia que ionvestiga a gente, as nossas redes, etc.
(20:58:38)Eduardo Verderame:outro dia vieram atrás do EIA, queriam que a gente prestasse depoimento, disseram que tinham provas contra nós no nosso blog (!!!).
(21:01:14)Eduardo Verderame:de qualquer forma a rede está cada vez mais forte. o meu trabalho pessoal dentro disso quase desaparece. eu sou meio um articulador dentro disso, mas tenho um trabalho profissional, que é como assistente da Regina Silveira (o que dá bastante trabalho) e tenho meus projetos pessoais, que acabam ficando em segundo plano, as vezes… mas que ainda assim caminham.
(21:01:39)Eduardo Verderame:acho que nnao tenho como parar… estou em várias avalanches simultaneas…
(21:01:58)Eduardo Verderame:(pausa para um copo de agua)
(21:02:56)Organismo:(psicanalista cruza as pernas para o outro lado)
(21:03:00)Organismo :( e não ri)
(21:03:04)Eduardo Verderame:sim..
(21:03:13)Eduardo Verderame:e nem falei da minha mae…
(21:03:20)Organismo:ta - hahahahahaha
(21:03:25)Eduardo Verderame:hehehe
(21:03:32)Eduardo Verderame:pode continuar, se é que..
(21:04:00)Organismo:pera um pouco então
(21:04:06)Organismo:como é que é essa história
(21:04:12)Organismo:de "provas contra o blog"
(21:04:13)Organismo :?
(21:04:17)Eduardo Verderame:hhahahaha
(21:04:19)Organismo:isso é preocupante
(21:04:26)Eduardo Verderame:nada
(21:06:20)Eduardo Verderame:mas é assim, outro dia uma amiga do EIA nos ligou super preocupada, porque tinham entrado em contato com um dos artistas que tinham participado do EIA e ele teve de prestar depoimento na delegacia. era o camilli, o das placas de transito, ele colava placas embaixo das verdadeiras
(21:07:49)Eduardo Verderame:isso aconteceu porque OUTRO GRUPO estava colando ENCIMA dasplacas de transito outras mensagens. era um trabalho legal até. confundiram, e quiseram chamar a Gisella, porque o nome dela tava no blog… tinham tudo impresso, pra usar como prova, mas a acusaçnao era falha.
(21:09:13)Eduardo Verderame:teve logo depois uma estoria com as placas imobiliarias, essas sim retiradas (digamos) ilegalmente. mas como todas estavam em lugares proibidos, e eram em si proibidas…tambem é uma acusacao que nao vai dar em nada.
(21:09:43)Eduardo Verderame :o que fica disso é qu8e temos de ter um advogado smepre perto e registrar bem as ações, para nao existir mal entendidos.
(21:11:27)Organismo:isso me traz uma pergunta
(21:14:11)Organismo:como você ve a diferença, de um trabalho pessoal, "humano", onde os conceitos "estéticos" ficam em outro plano, e o envolvimento com grupo, "causas" em comum fazem com que o "trabalho" seja quase que na prática o mover-se de uma "prática e ética" numa sociedade (além do capital e estado?), você enxerga esse movimento nas redes que você interage?
(21:14:14)Organismo:Digo isso
(21:14:18)Organismo:porque paralelo a isso
(21:15:07)Organismo:existe essa ("desculpa"?) de que esta se fazendo algo no campo da "arte", comovocê falou do trabalho que te coloca em contato com "mercados"
(21:15:10)Organismo:…
(21:15:19)Organismo:como pensar estes espaços
(21:15:26)Organismo:e mais um complemento
(21:15:50)Organismo:você sente aí na áustria que existe algum tipo de "vizinhança"
(21:15:53)Organismo:"humana"
(21:16:08)Organismo:como tentei falar no primeiro parágrafo
(21:16:25)Organismo:tipo, sem precisar tanto discutir o que é " arte"
(21:16:34)Organismo:mas tente definir o que é sua " ação"
(21:16:40)Organismo:efetiva
(21:16:50)Organismo:por onde ela se move
(21:17:01)Organismo:e como lidar com o universo que a torna possível
(21:17:12)Organismo:certamente não fui claro
(21:17:15)Organismo:mas fale algo
(21:17:16)Organismo:he
(21:17:17)Eduardo Verderame:hhehhe
(21:17:34)Eduardo Verderame:vou ver se consigo…
(21:20:09)Eduardo Verderame:primeiro que as vezes me sinto fazendo coisas diferentes, mas imagino que possam ter um sentido no todo… mesmo quando em grupo, a gente acaba doando muito do lado pessoal, claro.
(21:20:54)Eduardo Verderame:no fundo faz parte de ser humano e ter de lidar com gente, com muitos lados muitas visoes diferentes. nnao acredito que exista apenas os dois lados
(21:21:29)Eduardo Verderame:ética acaba sendo um padrão, que cada um cria prá si.
(21:22:40)Eduardo Verderame:a gente no lado da arte ou da politica, ec, acaba malhando muito as pessoas, mas no,lugar delas talvez estivesse fazendo o mesmo… e isso é bom de ficar esperto…
(21:25:42)Eduardo Verderame:eu não transito muito por mercados de arte, não sei como seria… mas eu circulo por ambientes de arte, que é outra coisa. consumir arte hoje em dia estáligado a absorver informaçoes criativas, estimulantes. por isso nao tenho esse medo do mundo da arte, etc. que muita gente tem.
(21:29:04)Eduardo Verderame:meu caminho nisso espero que seja o de fazer pontes entre pessoas e coisas interessantes, é o que eu acho que tenho de fazer. não sou um cara que tem uma especialidade técnica muito aprofundada. ou melhor eu tenho mas em coisas que sao muito simples, como desenho por exemplo. nao posso me meter com, digamos, metareciclagem. mas sei de um cara aqui e outro ali que compartilham esse interesse
(21:29:23)Eduardo Verderame:e trato de unir as pontas, como voce mesmo disse lá em cima. isso eu gosto de fazer
(21:29:45)Eduardo Verderame:e faço sempre que posso.
(21:30:56)Eduardo Verderame:agora a Austria é um universo a parte. essa cidade me deixa maluco, é muito louca. a gente nao tem isso no brasil. hoje passei emfrente da casa que o beethoven morou. uma casa normal. na outra quadra, tem a casa que o freud morou…
(21:31:27)Eduardo Verderame:ao mesmo tempo tem uma atmosfera meio opressora, as pessoas vigiam a vida uma das outras.
(21:31:52)Eduardo Verderame:nnao sei como seria morar aqui. se voce é marginal, voce é excluído mesmo
(21:32:12)Eduardo Verderame:em sp ninguem quer saber quem voce é. aqui botam bilhetinhos na sua porta
(21:32:26)Eduardo Verderame:cambio.
(21:32:30)Organismo:oi
(21:32:39)Organismo:porque eu tava falando nisso mesmo
(21:32:49)Organismo:eu vejo que existe um campo
(21:32:54)Organismo:que você atua
(21:33:18)Organismo:que muitas pessoas envolvidas no organismo (aqui no organismo - escrevendo no futuro do subjetivo)
(21:33:26)Organismo:atuam]
(21:33:31)Eduardo Verderame:sim
(21:33:35)Organismo:que uma noção macro
(21:33:50)Organismo:uma coisa que Octavio brinca de chamr de
(21:33:54)Organismo:" Social Design"
(21:34:06)Organismo:você é um Social Designer?
(21:34:08)Organismo:hahahahaha
(21:34:11)Eduardo Verderame:nao
(21:34:13)Eduardo Verderame:hahahahahaha
(21:34:57)Eduardo Verderame:tem uma gente em sp que tenta de qualquer forma pensar essas manifestacoes, tentar junta-las numa perspectiva meio..
(21:35:02)Eduardo Verderame:neo marxista
(21:35:10)Eduardo Verderame:de escultura social,
(21:35:19)Eduardo Verderame:é um termo parecido…
(21:35:44)Eduardo Verderame:nao sei…
(21:36:05)Eduardo Verderame:acho comlicado nao me considero isso…
(21:36:21)Eduardo Verderame:mas entendo, porque me identifico com essas iniciativas..
(21:36:57)Eduardo Verderame:acho a bicicletada demais, algumas açoes que mesmo voces daí fizeram, de se juntar na praça japao…
(21:37:37)Eduardo Verderame:sei lá são legais, mas não sei definir, talvez precise ter uma definição de social design
(21:37:45)Eduardo Verderame :o nome é horrível
(21:37:46)Eduardo Verderame:hhehehee
(21:38:43)Organismo:é palha mesmo
(21:38:47)Eduardo Verderame:hahahaha
(21:38:56)Organismo:mas
(21:39:16)Organismo:como você vê então essa noção de " vizinhança"
(21:39:27)Organismo:de que um cara lá da áustria
(21:39:32)Organismo:te chama pra dialogar
(21:39:47)Organismo:e ao mesmo tempo uma demanda dum grupo de sem teto
(21:39:56)Organismo:qual o conexão dessa estrutura
(21:40:07)Eduardo Verderame:sei.
(21:40:38)Eduardo Verderame:é tudo parte dessa louca experiencia de ser humano.
(21:40:55)Eduardo Verderame:engracado que o nome que chegamos pra essa mostra é vizinhos.
(21:41:01)Eduardo Verderame:Vizinhos
(21:41:53)Eduardo Verderame:porque de ceerta forma as pessoas que nos acolheram aqui sao muito abertas e legais. são fantasticas conosco.temos muita sintonia.
(21:43:34)Eduardo Verderame:a Karina que foi quem eu conehci primeiro, veio ao brasil e se nos conehcemos por email. ela ia para os lugares e me escrevia me perguntando se eu conehcia alguém lá. nós nem nos conehciamos pessoalmente ainda. quer dizer, se colocou nas mãos de um estranho e viveu a experiencia de conhecer os amigos de alguém que ela nem conhecia.
(21:43:53)Eduardo Verderame:se ela fosse a curitiba iria conhecer voces com certeza.
(21:45:07)Eduardo Verderame:quer dizer tem pessoas que são muito diferentes e no caso foi assim. essa proximidade aconteceu e foi muito importante.
(21:45:28)Eduardo Verderame:não sei se respondo…
(21:47:32)Organismo:que massa
(21:47:35)Organismo:não sabia dessa
(21:47:39)Organismo:ta vendo?
(21:48:08)Organismo:eu sou meio levi straussuperticioso
(21:48:19)Eduardo Verderame:ahhahahah
(21:48:32)Eduardo Verderame:super-sticioso
(21:48:55)Eduardo Verderame:eu acredito nessas conexões!
(21:50:46)Eduardo Verderame:ei Organismo voce conhece um jeito de passar som pela onternet que nao seja email (demora muito) tipo FTP…eu nao manjo nada disso, mas estou cheio de sons ciganos fantasticos aqui.estava querendo dar um jeito de passar isso.
(21:50:52)Eduardo Verderame:mudando de assunto
(21:53:22)Organismo:acaou a entrevista??
(21:53:24)Organismo:hahahaha
(21:53:34)Eduardo Verderame:voce que sabe,,,
(21:53:35)Eduardo Verderame:hehehe
(21:53:42)Organismo:deixe seu ultimo recado para o organismo então
(21:53:52)Organismo:pode ser algo
(21:53:57)Organismo:como uma proposta de ação
(21:58:10)Eduardo Verderame:eu acho que essa organizacao de voces é uma das mais estimulantes que já apareceu nos ultimos tempos, porque é aberta e multidisciplinar. e acho que gostaria de ter uma participação mais efetiva as vezes, mas acho que igualmente gosto de ver e aprendo com o que voces bolam por aí. sou meio um ..admirador sabe…heheheh… essa foi ruim, mas é verdade.acho que devíamos bolar um organismo renascido,
(21:58:58)Eduardo Verderame:uma continuaçnao das propostas do outro ano, agitar o
SESC daí e tentar reunir mais metarecicleiros, bicicleteiros, artistas loucos..
(21:59:22)Organismo:estamos tentando na verdade entender o que estamos fazendo
(21:59:24)Organismo::)
(21:59:27)Eduardo Verderame:é daí que nascem coisas boas, é daí que sai o social design
(21:59:32)Eduardo Verderame:heheheheh
(21:59:35)Organismo:além dessas instituições todas
(21:59:39)Eduardo Verderame:pode crer
(21:59:45)Eduardo Verderame
(21:59:59)Organismo:então vai a ultima pergunta
(22:00:04)Organismo :o que é o Organismo?
(22:00:10)Eduardo Verderame:mas tentar o apoio de uma forma mais de iguel para igual, sem precisar negar
(22:00:42)Eduardo Verderame:eu adoro aideia de um dia o organismo relamente virar uma orquestra
(22:00:45)Eduardo Verderame:ahahahahahaha
(22:00:57)Eduardo Verderame:aqui em viena tem a orquestra dos vegetais
(22:01:00)Eduardo Verderame:!!!!
(22:01:30)Eduardo Verderame :o organismo é uma orquestra em um sentido mais amplo, polifonico mesmo
(22:05:47)Organismo:massa
(22:05:55)Organismo:é nóis!!!!!!!!!!!!!!!!!